Jacó – Comentário Bíblico Moody

Padrão

Jacó. 27:1 – 36:43.

1) Jacó e Esaú. 27:1-46.1-17. Tendo-se envelhecido Isaque .. . chamou a Esaú. É difícil imaginar todo o sofrimento, agonia e cruel desapontamento envolvidos nesta narrativa pitoresca. O velho patriarca, cego e trôpego, fez planos de transmitir as sagradas bênçãos ao seu filho primogênito. Mas a astuciosa Rebeca, que ouviu as instruções dadas a Esaú, imediatamente resolveu subverter e frustrar seus planos. Jacó, seu filho predileto, já tinha o direito de primogenitura; ela determinou que ele também receberia a bênção oral, dos lábios do representante do Senhor, para que tudo ficasse em ordem com a herança divina. Ela não podia arriscar-se esperando que Deus realizasse Seus planos à Sua maneira. Por isso apelou para a mais desprezível mentira a fim de assegurar-se da bênção para o seu filho mais moço.
18-29. Respondeu Jacó . . . Sou Esaú, teu primogênito. Apoiado por sua mãe, Jacó compareceu diante de seu velho pai com enganos e mentiras. Chegou até a declarar que Jeová o ajudara nos rápidos preparativos. Depois de mentir a seu pai, depositou um beijo falso sobre o rosto do velho homem.
34-40. E, levantando Esaú a voz, chorou (v. 38). A tragédia de Esaú era que ele estava completamente ignorante da santidade da bênção, e só desejava as vantagens que esta lhe proporcionaria. A dor profunda que sentia por Jacó ter-lhe passado a perna da obtenção da primogenitura, Seu amargo desapontamento, seus soluços patéticos e ardente vergonha que logo se transformaram em ódio intenso e desejo de vingança são profundamente comoventes.
41-46. Retira-te para a casa de Labão. Para proteger Jacó da vingança de seu irmão, Rebeca encontrou uma desculpa para mandá-lo embora. Qual desses três – Rebeca, Jacó ou Esaú – era o mais digno de dó? Sua vida familiar foi destruída, e cada um deles teve de agüentar 76 longas horas de separação, desilusão e arrependimento. Rebeca jamais veria seu filho favorito novamente, e Jacó teria de enfrentar a vida sem pai, sem mãe, sem irmão. E o que dizer dos planos divinos para o reino? Como seriam executados em face de tamanho egoísmo, tanta intriga e mentira? O Senhor dos Exércitos não pode ser impedido pela oposição, fracasso ou falta de fé do homem. Ele é capaz de fazer a Sua vontade prevalecer apesar de tudo. Enquanto Isaque se aproximava mais da hora da sua morte, Rebeca lamentava a situação desesperadora que ela provocara e Esaú pensava em vingança, Jacó fez a sua solitária viagem de Berseba para Padã-Arã.

2) Jacó, Labão, Lia e Raquel. 28:1 – 30:43.
28:1-5. Isaque . . . dando-lhe a sua bênção, lhe ordenou… vai a Padã-Arã (vs. 1, 2). Isaque não permitiu que Jacó partisse sem uma bênção. Ele falou em tom de pronunciamento profético, e numa linda linguagem que revela sua percepção espiritual. Jacó devia procurar esposa entre seus parentes em Harã, mas devia se preocupar mais com a sul participação na rica promessa herdada por Abraão. Isaque invocou ‘El Shadday, Deus Todo-poderoso (v. 3), para que este fornecesse riqueza, prosperidade e perspicácia para tomar Jacó capaz de assumir a liderança espiritual. Profetizou que, se o seu filho entregasse seus caminhos ao Senhor, as bênçãos de Deus prometidas a Abraão, seriam dele. Através de Isaque, Deus deu a Jacó uma ordem, um desafio, uma certeza e orientação para a viagem.
6-9. Esaú observou e ouviu; depois foi à casa de Ismael à procura de uma esposa dentro da linhagem familiar, a fim de agradar a seus pais. Evidentemente queda fazer um esforço na direção certa. Mas, sendo basicamente mundano, sua carreira na terra de Edom deixou de ser do tipo que agradasse ao Senhor Jeová.
10-17. Jacó fez a viagem de Berseba até Luz, cerca de doze milhas ao norte de Jerusalém, onde passou a noite. Betel ficava ali perto. De noite recebeu uma honrosa e especial comunicação de Deus, uma visão ou sonho com anjos subindo e descendo uma escada que ia da terra ao céu. Ele tomou conhecimento de que, na realidade, há uma comunicação entre o céu e a terra. Reconheceu que, naquele lugar, Deus estava ao seu lado, prometendo-lhe orientação pela vida afora e um trituro grandioso. Jeová disse, Eis que estou contigo, e te guardarei . . . e te farei voltar a esta terra, porque te não desampararei (v.15). Que mensagem desafiante! Não foi por menos que Jacó exclamou: O Senhor está neste lugar… Quão temível (pavoroso) é este lugar! (vs. 16,17). Ele ficou profundamente emocionado. Talvez pela primeira vez em sua vida tomou consciência da presença de Deus ao seu lado. A voz, as palavras de esperança, a presença real de ‘El Shadday levaram-no a adorar com admiração e submissão.
18-22. Ele chamou o lugar de Betel, Casa de Deus, pois Deus estava ali. Para tornar a experiência inesquecível, levantou ali uma coluna de pedras para indicar que aquele era um local santo, um santuário onde seria sempre possível desfrutar da íntima comunhão com Deus (v. 18). Espiritualmente, ainda tinha um longo caminho a percorrer, mas já fizera progressos neste seu encontro com Deus. Também ofereceu sua vida ao Senhor e o dízimo de tudo o que viesse a possuir. Mas impôs uma condição. Se Deus continuasse ao seu lado, e o guardasse em sua viagem, e o trouxesse de volta novamente, ele cumpriria a sua parte no voto. Era um grande passo que estava dando. A pedra (massebâ) que erigiu seda um lembrete permanente do voto que fizera (v. 22).

29:1-12. Pôs-se Jacó a caminho (v. 1). A expressão idiomática hebraica, levantou os seus pés, fala da reação do jovem diante do estÍmulo divino. Estava a caminho de Padã-Arã, à procura da família de sua mãe perto de Harã. Era difícil fazer tão longa viagem, mas parece que Jacó não tinha outra alternativa. Finalmente se encontrou ao lado de um poço, no meio de rebanhos de ovelhas, com seus pastores aguardando que a grande pedra fosse removida da boca do poço para que suas ovelhas pudessem se dessedentar. Possivelmente foi o mesmo poço onde Eliézer encontrou Rebeca para o jovem Isaque. Embora muitos anos tivessem passado, Labão ainda estava vivo, conforme Jacó ficou sabendo dos pastores, e sua filha Raquel era a guardadora do seu rebanho (v. 6). Quando Raquel se aproximou com o rebanho de Labão, Jacó se aproximou para remover a grande pedra a fim de que as ovelhas pudessem matar a sua sede. Depois beijou sua prima e apresentou-se. Profundamente comovido com tudo o que lhe tinha acontecido e com este seu primeiro encontro com seus parentes, Jacó, erguendo a voz, chorou, enquanto Raquel corria para contar a Labão que seu sobrinho tinha chegado.
13,14. Labão, irmão de Rebeca, neto de Naor, ficou felicíssimo em poder dar as boas-vindas a alguém que era de sua própria família. Já se passara tanto tempo desde que sua irmã partira como noiva de Isaque. Alegremente recebeu o filho de Rebeca no seio de sua família. Talvez ele se lembrasse da generosa demonstração de riqueza feita por Elíézer. Talvez ficasse impressionado pela robustez do jovem, que poderia dar um bom pastor. Quase com certeza ele considerou a possibilidade de um marido para suas filhas. Lia e Raquel, ambas eram moças casadouras. Labão nunca perdia a oportunidade de fazer um bom negócio. O jovem sobrinho vindo das montanhas logo aprenderia a lidar com ele cautelosamente. Na verdade, Jacó aprenderia a superar o principal trapaceiro de todos os “filhos do Oriente”.
15-20. Raquel era excepcionalmente linda e atraente e Jacó já estava impressionado com ela. As Escrituras dizem, Jacó amava Raquel (v. 18). Lia, a irmã mais velha, estava longe de ser bonita. Seus olhos não tinham o brilho, a vivacidade e atração que os homens admiram. Mas Lia ficou tão firmemente evidenciada na história sagrada que gerações sucessivas teriam de levá-la em conta. Seria um dos seus filhos escolhido para tomar lugar na linhagem messiânica. Estes quatro – Labão, Jacó, Lia e Raquel – foram figuras significativas no procedimento divino com Seu povo escolhido.
21-30. Depois de trabalhar arduamente sete anos pela filha mais moça, Jacó foi enganado e induzido a se casar com Lia. Depois das festividades do casamento de Lia, Jacó casou-se com Raquel, sua irmã mais moça, mas teve de trabalhar mais sete anos em pagamento. Assim ele teve duas esposas de igual posição. Seu ardente amor por Raquel tornou o relacionamento com Lia mais ou menos estranho e frustrante. Lia devia sofrer muito sabendo que seu marido não a amava. Contudo tinha esperanças de que um dia o coração de Jacó se voltaria para ela.
31-35. No começo nem Raquel nem Lia deram filhos a Jacó. Naquele tempo, ser estéril era uma situação patética. Contudo, no devido tempo, Jeová veio em socorro de Lia e curou a sua esterilidade, e ela veio a ser mãe. Um após o outro seus filhos vieram, até que já tinha seis filhos. Uma filha, Diná, foi-lhe acrescentada. Com regularidade de partir o coração, Lia apresentava um filho com as palavras: Agora me amará meu marido. Mas nenhuma palavra de reconhecimento ou apreciação partia de Jacó. A palavra traduzida para preterida (seini) indica “menos afeição”, ou “menos devoção”. Não indica ódio positivo.

30:1-13. Raquel também sofria, pois sua esterilidade não se alterava e ela não estava dando filhos a Jacó. O hebraico qeini’, ciúmes, envolve nele o sentimento de alguém que já agüentou o máximo. Inveja, descontentamento, petulância marcavam sua voz, sua linguagem e sua expressão facial. Lia, Raquel e Jacó eram todos infelizes. Seus problemas domésticos e sofrimento tornavam suas palavras e atitudes indignas, desnecessárias e indecorosas. Tentativas humanas de se remediar a situação provaram-se insatisfatórias. O oferecimento de Bila e Zilpa como esposas secundárias para ajudarem a “edificar” a família, só tornou a situação ainda mais dolorosa. Filhos nasciam, mas os corações continuavam em desarmonia e infelizes. Além dos seis filhos e uma filha (ao menos) de Lia, dois filhos nasceram de Bila e dois de Zilpa.
14-24. Raquel tentou usar mandrágoras (dudei’im) para induzir a fertilidade. Essas mandrágoras eram popularmente chamadas de “maçãs do amor”. Ryle diz: “A mandrágora é uma planta tuberosa, como fruto amarelo semelhante à ameixa. Supunha-se que agia como um talismã do amor. Amadurece em maio, o que está de acordo com a menção (v. 14) dos dias da ceifa do trigo” (Cambridge Bible, in loco). Raquel continuou estéril apesar do supersticioso talismã . A situação estava nas mãos do Senhor e Ele não permitiria que tentativas humanas a mudassem. Finalmente, lembrou-se Deus de Raquel, ouviu-a e a fez fecunda. Ela concebeu, deu à luz um filho. . . e lhe chamou José (vs. 22-24). Na hora determinada por Ele, Jeová deu a resposta. Retirou o vexame de Raquel e a encheu de alegria e louvor.
25-30. Disse Jacó a Labão: Permite-me que eu volte . . . à minha terra. Quanto José nasceu, Jacó já terminara de pagar todo o seu débito a Labão, e queria retornar a Canaã. Se tivesse partido nessa ocasião só teria levado consigo sua família; nada possuía. Pediu ao tio que o deixasse voltar para casa. Labão declarou que recebera revelação especial (tenho experimentado) por meio de mágica ou adivinhação dos seus deuses domésticos, que devia manter Jacó por perto a fim de garantir o seu sucesso e prosperidade.
31-36. Ofereceu a Jacó que estipulasse seu salário. Imagine a sua surpresa quando o seu sobrinho lhe fez uma contra-oferta que lhe pareceu esmagadoramente a seu favor. Na Síria as ovelhas são brancas e as cabras são negras, com muito poucas exceções. Jacó ofereceu-lhe para começar o seu acordo imediatamente, aceitando como suas as ovelhas que não fossem brancas e as cabras que não fossem negras, deixando o restante para Labão. Assim, ambos os patrimônios poderiam prosperar. Labão aceitou a oferta imediatamente. Naquele mesmo dia levou para uma distância segura todas as ovelhas e cabras “fora de série” para que Jacó não tivesse com o que começar. Os animais que ele separou entregou a seus filhos. Foi um ardil baixo e covarde Labão acreditava que tornara impossível a vitória de Jacó, porque removera todo o capital de Jacó antes de começar a competição.
37-42. Mas Jacó não se entregava tão facilmente assim. Ele usou de três expedientes para derrotar seu tio. Colocou varas listadas diante das ovelhas nos locais onde bebiam água, para que o colorido das crias ficasse sujeito à influência pré-natal. É fato estabelecido, declara Delitzsch, que se pode garantir crias brancas nas ovelhas colocando muitos objetos brancos junto dos bebedouros (New Commentary on Genesis, in loco). Jacó também separou do rebanho os cordeiros e cabritos listados e salpicados. mas os manteve à vista das ovelhas, para que estas fossem influenciadas. Seu terceiro expediente foi deixar que essas influências predeterminantes agissem sobre as ovelhas mais fortes, para que os seus cordeiros e cabritos fossem mais fortes e mais viris que os outros. Jacó foi bastante astuto para recorrer à influência pré-natal e reprodução seletiva.
43. Como resultado desse esquema, dentro de poucos anos Jacó ficou imensamente rico em ovelhas e cabras. Embora tivesse usado a sua cabeça, ele foi o primeiro a declarar que o Senhor interveio na sua vitória. Jeová tornava possível que o patriarca retornasse a terra prometida com recursos, vindo a ser o príncipe de Deus, que executara à vontade divina.

3) Jacó Retorna a Canaã. 31:1-55.
1-3. O rosto de Labão não lhe era favorável, como anteriormente. Finalmente, o relacionamento entre o tio e sobrinho chegou ao fim. Jacó percebeu que Labão e seus filhos eram-lhe hostis por causa do seu sucesso. Além disso, já possuía riqueza e propriedades suficientes para satisfazê-lo. Assim, quando recebeu ordem do Deus de Betel para se por a caminho, sabia que já era hora de voltar para casa. Vinte anos tinham se passado, durante os quais sua mãe já morrera. Talvez Labão ficasse ainda mais desagradável. Era hora de partir.
4-13. Jacó explicou sua decisão às suas esposas, dizendo-lhes como o Anjo de Deus lhe falara em sonho e o encorajara em seu propósito. O “anjo” se identificou com Aquele que apareceu a Jacó em Betel. Era realmente o próprio Jeová.
14-16. Lia e Raquel apoiaram fortemente a decisão de Jacó. Elas conheciam seu pai e tinham perdido o amor e o respeito por ele. Lembraram-se que recebera quatorze anos de trabalho de Jacó sem lhes dar a parte que uma noiva tinha direito de receber. Não nos considera ele como estrangeiras? disseram. Pois nos vendeu, e consumiu tudo o que nos era devido (v. 15 ).
17-21. Jacó aprontou seus rebanhos, gado, filhos e propriedades para a longa viagem, e aguardou que Labão saísse para o festival da tosquia. Enquanto isso Raquel providenciou que Jacó pudesse reclamar uma boa parte dos direitos hereditários levando consigo os ídolos do lar ou tereipim (cons. latim penates), altamente estimados por Labão. As placas de Nuzu datadas do século quinze A.C. indicam que a posse dos tereipim tornava o proprietário o herdeiro principal. Evidentemente Raquel não aprendera a confiar em Jeová para suprimento de suas necessidades. Jacó fracassou em ensinar a sua família a confiar e adorar a Deus de todo o coração. Dali a pouco Jacó e o seu grupo partiram de Harã, atravessaram o Eufrates e viajaram o mais rapidamente possível na direção de Canaã. Seu destino imediato eram as montanhas de Gileade no lado oriental do Rio Jordão.
22-24. Labão… saiu-lhe no encalço. Depois de três dias Labão ficou sabendo da fuga. Labão logo conseguiu organizar seus homens para a perseguição, já estava a caminho para os alcançar. Embora fosse uma viagem de 480 kms, ele conseguiu alcançar o grupo fugitivo nas montanhas de Gileade. No caminho Labão recebeu uma estranha mensagem de Deus, uma ordem de abster-se de fazer qualquer pressão contra Jacó. Não devia falar bem nem mal, isto é, não devia dizer nada. (Os opostos são freqüentemente usados nas Escrituras para indicar totalidade.)
23-25. Labão não poderia ser detido por visitações divinas. Deu início ao seu protesto, expressando grande desespero ao ver suas filhas e netos arrastados para fora de sua casa sem as devidas despedidas. De repente fez a pergunta: Por que me furtaste os meus deuses? Referia-se aos seus tereipim (v. 30; cons, 19). Evidentemente Labão estava mais preocupado com as imagens do que com a família de Jacó. Uma busca mostrou-se infrutífera e os pequenos “deuses” não foram achados, porque Raquel os escondera na cesta de vime que fazia parte da sela sobre a qual estava assentada. Esta sela de um camelo (v. 34) proporcionava às senhora do Oriente um pouco de conforto e intimidade durante as viagens.
36-55. Sem dúvida Jacó sentiu grande alívio em poder replicar a Labão. A atmosfera clareou-se e Labão abandonou a sua mordacidade. Os dois homens fizeram um acordo, ratificando-o e comemorando o acontecimento com o levantamento de uma coluna de pedras no alto da colina. A coluna constituiu o que foi chamado de Mispa ou “posto de observação”, de onde um observador podia ver toda a terra em ambas as direções. Indicava suspeitas e falta de confiança. Ao levantar essa coluna os homens queriam dizer que estavam convidando Jeová para se assentar ali e observar as duas pessoas nas quais não se podia confiar. Deus tinha de ser uma sentinela para vigiar Labão e Jacó, na esperança de que a luta fosse evitada. Jacó foi obrigado a prometer que trataria as filhas de Labão com bondade e consideração. Nenhuma das duas partes deveria atravessar a fronteira estabelecida para praticar violência contra a outra. Jamais uma deveria prejudicar a outra.

4) O Encontro de Jacó com Esaú. 32:1 – 33:17.
32:1-5. Jacó seguiu o seu caminho, e anjos de Deus lhe saíram a encontrá-lo. Tanto no caminho da saída como no caminho da entrada em Canaã, esses mensageiros celestes vieram ter com Jacó para fazê-lo cônscio da presença celestial e para lhe assegurar da proteção divina. A palavra Maanaim, dois acampamentos, descreve um acampamento interno formado pelo grupo de Jacó e outro externo formado pelos mensageiros de Deus, o externo formando um maravilhoso círculo de proteção à volta dos viajantes. Um lindo quadro de segurança e proteção e serenidade de alma! (cons. II Reis 6:15-17).
6-8. Esaú vinha de Edom, os mensageiros de Jacó o informaram, para se encontrar com o grande grupo de viajantes que vinha de Padã-Arã. Edom era a terra que ficava ao sul do Mar Morto, que geralmente é chamada de Seir, no Monte Seir (v. 3) na Bíblia. No Novo Testamento o povo de Edom é chamado de os idumeus. Jacó estava com o coração cheio de medo, lembrando-se das ameaças de Esaú anos antes e imaginando que o seu irmão estivesse fazendo planos para se vingar dele. Quatrocentos homens sob o comando do selvagem homem de Edom poderiam ser perigosos. Jacó adotou três medidas definidas para garantir a segurança. Primeiro, orou ao Senhor humildemente. Segundo, enviou pródigos presentes a Esaú para despertar sua boa vontade. Terceiro, arrumou sua família, suas propriedades e seus guerreiros da maneira mais vantajosa e preparou-se para lutar caso fosse necessário.
9-12. Na sua oração Jacó fez o Senhor se lembrar de que Ele o convocara a fazer esta viagem para Canaã e lhe prometera proteção e vitória. A oração foi sincera e humilde. uma sincera súplica pedindo segurança, livramento e proteção na emergência que se lhe defrontava. Embora nenhuma palavra de confissão saísse dos lábios do suplicante com referência as injustiças que cometera a Esaú e Isaque, Jacó admitiu humildemente que era completamente indigno do favor de Deus literalmente, sou indigno (v.10). Demonstrou o seu temor de Deus e a sua fé nEle. Estava literalmente lançando-se nos braços do Senhor para obter a vitória e o livramento.
13-21a. O presente, ou minha foi algo muito bem escolhido, consistindo de cerca de 580 animais dentre os seus melhores rebanhos. O minha era um presente que geralmente se oferecia a um superior com a intenção de se obter um favor ou para despertar sua boa vontade. Jacó disse: Eu o aplacarei (v. 20). A palavra é muito significativa no que se refere à expiação. Seu sentido literal é, eu cobrirei. Por meio do presente, Jacó esperava “cobrir” o rosto de Esaú, de modo que ele fizesse vista grossa para a injúria, abandonando sua ira. Suas próximas palavras – porventura me aceitará – são, literalmente, para que ele levante o meu rosto. É uma linguagem simbólica, indicando plena aceitação depois do perdão. Jacó foi excepcionalmente humilde, cortês e conciliatório em suas mensagens para Esaú. Ele chamou Esaú de “meu Senhor” e intitulou-se “seu servo”. Ele não deixaria nenhuma pedra que não fosse revolvida em busca da reconciliação.
21b-23. Na noite antes da chegada de Esaú, Jacó enfrentou o teste decisivo de toda a sua vida. Depois de fazer suas esposas e filhos atravessassem o Jaboque em segurança, ele voltou para a margem setentrional do rio para ficar sozinho na escuridão. O Jaboque era um tributário do Jordão, ao qual se juntava a cerca de meio caminho do Mar da Galiléia e Mar Morto. Hoje se conhece o Jaboque pelo nome de Zerka.
24-32. Lutava com ele um homem, ate ao romper do dia. Na solidão da escura noite. Jacó encontrou-se com um homem que lutou com ele. O hebraico ‘abaq, “dar voltas” ou “lutar”, tem alguma ligação com a palavra Jaboque. Depois de uma longa luta, o visitante desconhecido exigiu que Jacó o soltasse. Jacó recusou-se a fazê-lo até que o estranho o abençoasse. O “homem” pediu a Jacó que declarasse o seu nome, o qual significa suplantador. Então o estranho disse que daquele momento em diante ele teria um novo nome com um novo significado. A palavra Israel pode ser traduzida para aquele que luta com Deus, ou Deus luta, ou aquele que persevera, ou, pode ser associado com a palavra ‘sar, “príncipe”. O “homem” declarou: Lutaste com Deus e prevaleceste. Era uma certeza da vitória no seu relacionamento com Esaú, como também certeza de triunfo ao longo do caminho. Na titânica luta, Jacó percebeu a sua própria fraqueza e a superioridade dAquele que o tocou. No momento em que se submeteu, tornou-se um novo homem, que pôde receber as bênçãos divinas e tomar o seu lugar no plano divino. O novo nome, Israel, dá idéia de realeza, poder e soberania entre os homens. Estava destinado a ser um homem governado por Deus, em vez de um suplantador inescrupuloso. Por meio da derrota alcançara o poder. Todo o resto de sua vida ficaria aleijado; mas sua manqueira seria um lembrete de sua nova realeza. Peniel (ou Penuel) significa face de Deus. O i e o u são simplesmente vogais de ligação entre os substantivos pen e el. É provável que se localize a cerca de 11,2 ou 12,8 kms do Jordão no Vale de Jaboque. Jacó vira a lace de Deus e continuara vivo. Jamais esqueceria essa incrível experiência.

33:1-3. Levantando Jacó os olhos viu que Esaú se aproximava. Finalmente, chegou o momento do encontro. Esaú, com seus quatrocentos homens, já podia ser visto. Com temor e tremor, Jacó encontrou-se com o irmão que se lhe tornara um estranho e prostrou-se diante dele sete vezes. Assim, indicava sua completa subserviência.
4-11. Esaú, de sua parte, revelou um espírito generoso e magnânimo, quase bom demais para ser verdadeiro. Alimentara hostilidade contra Jacó e trouxera quatrocentos homens fortes com ele, como se planejasse executar suas ameaças. Mas ele não fez. Seu coração fora mudado. Deus transformara seu ódio em magnanimidade. Encontrou-se com Jacó cheio de compreensão e perdão. Nos vinte anos que haviam se passado, a mão de Deus que tudo controla operara mudanças nos dois homens. Agora, aquele que tão recentemente fora humilhado diante de Deus encontrou o seu caminho aplainado.
12-17. Os presentes de Jacó e as boas-vindas sinceras e afetuosas de Esaú foram a prova de que os dias futuros trariam novas vitórias para o reino de Deus. Aqueles homens não lutariam, nem se matariam. Embora Jacó não aceitasse a generosa oferta de proteção de Esaú, nem o seu insistente convite a que fosse para o Monte Seir, apreciou grandemente o espírito magnânimo do seu irmão. Esaú provara que era capaz de perdoar e esquecer. Os irmãos separaram-se em paz. Em Sucote (cabana), Jacó, com o seu grupo, encontrou um lar (v. 17). Chegou até a construir ali uma casa. Sucote era uma magnífica região montanhosa no lado oriental do Jordão ao norte de Jaboque.

5) Jacó e Sua Família em Siquém. 33:18 – 34:31.
Não temos provas conclusivas quanto ao tempo que Jacó ficou em Sucote. Pode ter sido muito tempo. Depois de fazer as pazes com Esaú, não precisava mais se apressar. Antes de atravessar o Jordão, provavelmente passou vários anos na região bem aguada ao leste do rio.
33:18-20. Atravessando o no, encontrou-se nas redondezas de Siquém, onde Abraão acampara em sua primeira viagem à terra de Canaã. Siquém ficava aproximadamente 61,6 kms ao norte de Jerusalém, no vale entre o Monte Ebal e o Monte Gerizim. O poço de Jacó ficava ali e Sicar não ficava muito longe. Jacó comprou algumas terras nas vizinhanças de Siquém, e assim estabeleceu-se como proprietário em Canaã. Recebera ordens de retomar à terra de seus pais e ao seu povo, provavelmente significando que devia dirigir-se ao Hebrom. Certamente deveria ter ao menos ido até Betel. Ele aprenderia que o povo de Siquém não seria uma boa influência para a sua família.

34:1-5. Diná, uma filha de Jacó e Lia, fizeram uma visita desastrosa à vizinha cidade de Siquém. A imatura jovenzinha não tinha formação espiritual para apoiá-la na hora da necessidade. Siquém, o jovem filho de Hamor, apaixonou-se desesperadamente por ela e logo a família de Jacó conheceria as trágicas conseqüências do incidente. O hebraico leiqah, tomando-a (v. 2), indica que foi usada força irresistível. A palavra eina, humilhou (desonrou), indica tratamento desonroso. A pobre moça estava arruinada. Imediatamente Siquém falou-lhe ao coração (v. 3), tentando consolar aquela a quem fizera mal. Amava-a e queria se casar com ela.
6-12. A palavra nebeila, desatino, indica um feito vergonhoso, vil, sem sentido, que revela completa insensibilidade de comportamento moral. Para Jacó e seus filhos, o ato de Siquém era um ato de grave imoralidade, um ultraje contra a decência e honra da família. Hamor e Siquém tentaram arranjar um casamento, uma vez que Siquém amava a moça. Jacó estava pronto a fazer um acordo com eles. O mohar – presente para a noiva – seria bom. Os dois grupos se uniram de modo que os casamentos entre eles seriam legais.
13-24. Entretanto, os filhos de Jacó eram esquentados, obstinados e inescrupulosos. Com o subterfúgio de exigirem observâncias religiosas, obrigaram os homens de Siquém a se circuncidarem. Todos os homens da tribo submeteram-se ao ritual.
25-29. Então Simeão e Levi atacaram a cidade. Os filhos de Jacó mataram todos os homens enquanto estavam incapacitados de lutar e levaram consigo suas famílias e propriedades. Na história da família do patriarca, este é um sórdido capítulo de paixão, crueldade e desgraça.
30,31. O povo escolhido por Deus comportara-se, em sua terra santa, como um grupo de cruéis pagãos. O pobre e velho Jacó desesperou-se. Fez seus filhos se lembrarem de que agora seria difícil manter relações de boa-vizinhança com os povos à volta. Sua atitude foi indigna de um homem de fé que fora escolhido como representante de Deus diante dos povos da terra. Medo egoísta parecia ser a coisa mais importante em sua cabeça Não repreendeu seus filhos pela crueldade indizível, como também não expressou tristeza por terem desonrado o nome de Deus. Jacó passara vinte anos nas terras de Labão e agora provavelmente mais dez em Sucote e Siquém sem nada fazer que fosse digno de nota para preparar sua família espiritualmente. a fim de enfrentar as tensões da vida. Estivera ocupado demais construindo um império e buscando vantagens materiais, para que lhe sobrasse tempo, a fim de estabelecer os fundamentos éticos e espirituais nas vidas de seus filhos. Ainda não alcançara Betel. Seria tarde demais para Diná, Simeão; Levi e todos os outros? A história pode fazer chorar até um homem forte.

6) A Volta a Betel. 35:1-29.
1. Jeová enunciou uma ordem severa para Jacó prosseguir no seu alvo: Levanta-te, sobe a Betel, e habita ali; faze ali um altar. Betel ficava 310 ms acima de Siquém e estava situada junto à estrada que levava a Jerusalém, Belém e Hebrom. Jacó já se demorara demais em alcançar este santo lugar. Devia agora edificar ali um altar, como Abraão o fizera na sua memorável viagem à Palestina. Jacó edificara um massiba, isto é, uma coluna de pedras, depois de sua inesquecível experiência com Jeová, ao fugir para Harã. Esta volta ao lugar santo envolveria uma entrega total de sua vida ao Senhor. Ele negligenciara o altar de Deus. A ênfase espiritual estivera ausente do seu pensamento e vida.
2-7. Imediata e obedientemente, Jacó aprontou-se para a viagem a Betel. Primeiro, convocou sua família semi-pagã e ordenou que todos se purificassem (v. 2), abandonando todos os tereipim e representações visíveis de deuses estranhos. Então a família de Jacó prosseguiu em sua santa peregrinação a Betel. O povo dos lugares pelos quais eles passaram estavam tão pasmados com o terror de Deus que não molestaram os peregrinos (v. 5). Quando Jacó chegou a Luz, sabia que estava para pisar em terreno santo. Levantou um altar a Jeová e chamou aquele lugar de El-Betel, o Deus da casa de Deus.
9-15. Novamente Deus apareceu a Jacó e assegurou-lhe que seu novo nome, Israel, seria um lembrete constante de seu novo caráter, seu novo relacionamento com Jeová, e sua caminhada real no divino caminho da vida. Ele era o herdeiro das promessas feitas a Abraão. A aliança continuava em pleno vigor, e continuariam a agir sobre ele e seus descendentes. Ao falar com Jacó, Deus usou o Seu nome, Deus Todo-poderoso, ‘El Shadday, “o Todo-suficiente” (v. 11). Jacó podia contar com ‘El Shadday para suprir qualquer necessidade e para lhe dar graça para enfrentar qualquer emergência.
16-20. Agora Raquel, que fornecera a Jacó a inspiração e o amor necessários, chegava ao fim de sua vida. Morreu dando à luz o seu segundo filho, o qual chamou de Benoni, filho da minha tristeza. Mas Jacó escolheu o nome Benjamim, filho da minha destra. Raquel deve ter sido sepultada em algum lugar ao sul de Betel, na estrada que vai para o Hebrom (cons. 35:16, 19). Betel ficava 16kms ao norte de Jerusalém, e Belém ficava cerca de 9,6 kms ao sul de Jerusalém. Conclui-se que Raquel foi sepultada nas imediações de Belém. O lugar tradicional costuma ainda ser apontado para os visitantes da cidade.
27-29. Isaque viveu até a volta de Jacó, de Harã. De Berseba mudou-se para Mamre, pertinho da cidade de Hebrom. Ali Abraão comprou a Caverna de Macpela para o sepultamento de Sara. Agora com 189 anos de idade, expirou Isaque e morreu. A palavra hebraica geiwei significa “decair” ou “enfraquecer-se”. Na hora do sepultamento, Esaú e Jacó estiveram juntos ao lado da sepultura, em homenagem ao seu pai. Os irmãos estavam unidos por uma dor comum, como Ismael e Isaque estiveram junto à sepultura de Abraão.

7) Edom e Seu Povo. 36:1-43.
Antes de contar a vida da história de José, o escritor do Gênesis descreve um pouco a terra de Edom e os seus habitantes. Os habitantes originais do Monte Seir eram chamados horeus ou humanos. Com o correr do tempo, Esaú e seus descendentes tomaram o território, Esaú ficou rico, possuindo muito gado e ovelhas. As principais cidades daquela região foram Sela, Bozra, Petra, Temã e Eziom-geber. Os 91 edomitas continuara hostis aos israelitas através do V.T. (cons. Obadias, especialmente vs. 10-15).

Dinâmica: Promessa de Deus + Subsídio Teológico

Padrão

Dinâmica: Promessa de Deus

Objetivos:
Refletir sobre o cumprimento das promessas divinas na vida de Isaque.
Renovar a esperança e a fé nas promessas de Deus.

Material:
01 folha de papel ofício dividida ao meio por um traço e caneta para cada aluno.

Procedimento:
– Perguntem o que significa a palavra “Promessa”.
Segundo o Dicionário Michaelis é “1. Ato ou efeito de prometer. 2 Declaração pela qual alguém se obriga, pela fidelidade e pela justiça, a fazer ou deixar de fazer alguma coisa”. Há outros significados.
– Falem acerca da importância do cumprimento das promessas a nível terreno. Também reflitam sobre do incômodo causado quando há falhas nas promessas e o estado de felicidade promovido por uma promessa cumprida.
Vocês já passaram por alguma dessas situações?
Vocês ocasionaram ou foram vítima?
– Agora, afirmem: O ser humano é falho, mas Deus não falha em suas promessas.
Leiam Nm 23.19: “Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa; porventura diria ele, e não o faria? Ou falaria, e não o confirmaria?”
– Falem:
Vocês têm esperado por muito tempo por uma ou mais promessas divinas para sua vida?
Vocês encontram-se desencorajados? Sem fé? Sem forças? Calma!
Lembrem-se do que Deus já fez por vocês!
– Entreguem uma folha de papel ofício para cada aluno divida ao meio por um traço.
– Solicitem aos alunos que escrevam do lado esquerdo as promessas que ainda não foram cumpridas.
– Falem: Lembrem-se do que Deus já fez por você! Façam do lado direito da folha, uma lista das situações que Ele cuidou e providenciou socorro para você! Observem o quanto Deus já fez por vocês. Firmem-se em Suas promessas!
– Concluam, lendo:
“O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia…”(2 Pedro 3:9a).
“Os que confiam no SENHOR serão como o monte de Sião, que não se abala, mas permanece para sempre”(Salmo 125:1).

Por Sulamita Macedo.

Fonte: http://atitudedeaprendiz.blogspot.com.br/

Lição 4 Isaque um Caráter Pacífico

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

I – ISAQUE, O FILHO DA PROMESSA
II – UM HOMEM ABENÇOADO POR DEUS
III – LIÇÕES DO CARÁTER DE ISAQUE

Olá! Preparado para mais uma lição? É importante que você faça um resumo da aula anterior antes de dar início a nova lição. Em seguida faça a seguinte indagação: “Quem foi Isaque?” Ouça os alunos com atenção é faça um pequeno resumo a respeito dele, pois o enfoque da lição está no seu caráter. Para auxiliá-lo, observe o texto abaixo:

“Já haviam se passado 24 anos desde que Abraão saíra de Ur dos Caldeus. E, apesar da promessa que o Senhor lhe fizera quanto à posse das terras de Canaã, o patriarca continuava sem herdeiros.
Para Deus nada é impossível. Naquele momento, o Senhor promete ao patriarca que um filho haveria de nascer-lhe do ventre amortecido de Sara. Esta, ao ouvir a boa-nova, ri-se do que Deus disse. Logo ela veria que apesar de seu riso, O Senhor cumpriria sua promessa. Ele sempre nos surpreende em nossas limitações.

I. ISAQUE, O SORRISO TÃO ESPERADO

Da promessa ao nascimento de Isaque, passou-se um ano (Gn 18.10). Para quem já havia esperado tanto tempo, aqueles meses correram rapidamente.

1. O nascimento do riso. No tempo apontado pelo Senhor, eis que Sara dá à luz o seu unigênito. Na tenda do patriarca, ouve-se agora o choro do filho da promessa, através do qual viriam heróis, reis e o próprio Cristo (Mt 1.1,2). Ao embalar o filhinho, Sara comenta: “Quem diria a Abraão que Sara daria de mamar a filhos, porque lhe dei um filho na sua velhice?” (Gn 21.7). Sara não riu quando do anúncio de seu filho? Pois o seu filho foi chamado Isaque, que na língua hebraica significa “riso”.

II. ISAQUE, O BEM MAIS PRECIOSO DE ABRAÃO

Em Moriá, o Senhor não somente provou a fidelidade de Abraão, como também introduziu Isaque na dimensão da fé confessada por seu pai.

1. A provação das provações. Certa noite, o Senhor ordenou a Abraão: “Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi” (Gn 22.2). Na manhã seguinte, ainda de madrugada, o patriarca conduziu o filho amado ao sacrifício supremo. O patriarca, todavia, tinha absoluta certeza de que retornaria do Moriá com o filho, pois aos servos ordenou claramente: “Ficai-vos aqui com o jumento, e eu e o moço iremos até ali; e, havendo adorado, tornaremos a vós” (Gn 22.5; Hb 11.17-19).

2. O encontro de Isaque com Deus. Não há dúvida de que o Senhor queria provar a fé do patriarca. Todavia, era sua intenção também levar o jovem Isaque a um encontro pessoal e fortemente experimental com o Deus de seu pai. A primeira lição que Isaque aprende é que Deus proverá todas as coisas (Gn 22.8). Por isso, sem nenhum temor, deita-se e deixa-se amarrar pelo pai ao altar do holocausto (Gn 22.9). Ele sabe que, no momento certo, o Senhor haverá de intervir, como de fato interveio. Deus tinha planos para Isaque, e mostraria ao jovem que Ele cumpre suas promessas. O Deus de Abraão seria também o Deus de Isaque.

III. O CASAMENTO DE ISAQUE

Se Isaque quisesse, poderia ter se casado com uma das jovens daquela terra. Entretanto, ele sabia que as cananeias eram idólatras e dadas ao pecado. Por isso, resolveu confiar no Deus que tudo provê.

1. Uma esposa para Isaque. Sabendo que Isaque era um homem espiritual e seletivo, Abraão encarregou seu mais antigo servo para buscar uma esposa na Mesopotâmia para seu filho (Gn 24.1-7). Na cidade de Naor, o mordomo orou ao Eterno: “Seja, pois, que a donzela a quem eu disser: abaixa agora o teu cântaro para que eu beba; e ela disser: Bebe, e também darei de beber aos teus camelos, esta seja a quem designaste ao teu servo Isaque” (Gn 24.14). A moça que assim procedesse revelaria as seguintes virtudes: espiritualidade, gentileza, respeito, disposição e amor ao trabalho. Eis que aparece Rebeca, bela e formosa virgem, preenchendo todos esses requisitos.

2. O casamento de Isaque. Tendo consultado sua família e recebido o consentimento desta, Rebeca acompanha Eliezer até chegarem onde Isaque morava. O encontro de Isaque com Rebeca foi singular e romântico. Ele saíra a orar, à tarde, quando avistou a jovem na feliz comitiva. Depois de ouvir o servo do pai, ele a conduz à tenda da mãe e a toma por esposa (Gn 24.67). Assim Isaque foi consolado da perda de sua mãe, Sara.

3. Os filhos que não vinham. Rebeca também era estéril. Isaque, todavia, ao invés de arranjar um herdeiro através de um ventre escravo, como haviam feito seus pais, foi buscar a ajuda de Deus. Ele “orou insistentemente ao Senhor por sua mulher” (Gn 25.21). Isaque se casou com Rebeca quando tinha quarenta anos (Gn 25.20), e foi pai aos sessenta anos (Gn 25.26). Pela Palavra de Deus, entendemos que Isaque orou por vinte anos, até ter sua oração respondida. Ele era um homem de oração, e não se deixou abater pelo passar do tempo, pois tinha uma promessa de Deus para sua família. E Deus lhe deu dois filhos: Esaú e Jacó. Por esses relatos, observamos que Isaque estava longe de ser alguém apático e sem iniciativa. Era um homem que, através da fé, estava sempre atuando no terreno das coisas impossíveis. Ele não recuava diante das impossibilidades.

IV. ISAQUE, O BENDITO DO SENHOR

Desde a sua experiência no Moriá, Isaque fez-se ousadíssimo na fé. As bênçãos sobre a sua vida multiplicaram-se de tal forma, que ele já era visto pelos reis de Canaã como um príncipe de Deus.

1. Príncipe de Deus. Embora não fosse rei, Isaque tornou-se tão grande que chegou a incomodar até mesmo o poderoso Abimeleque, rei de Gerar (Gn 26.16). Este, vendo que o patriarca já lhe era superior em bens e força, pediu-lhe uma aliança chamando-o de “bendito do Senhor” (Gn 26.29).

Naquela época, tal título equivalia a ser chamado de príncipe de Deus.

2. Profeta de Deus. O dom profético de Isaque é manifestado na bênção que impetra sobre os gêmeos. Mesmo Jacó havendo-o enganado, fingindo ser Esaú a fim de roubar a primogenitura do irmão, o patriarca não pôde anulá-la, pois suas palavras eram, na verdade, de Deus. Por isso, diante dos rogos de Esaú, foi categórico: “Eis que o tenho posto por senhor sobre ti, e todos os seus irmãos lhe tenho dado por servos; e de trigo e de mosto o tenho fortalecido; que te farei, pois, agora a ti, meu filho?” (Gn 37.27). Naquele momento, Isaque profetizou não acerca de Jacó e Esaú, mas dos povos que estes representavam.

CONCLUSÃO
A história de Isaque não é uma simples biografia. É um relato de fé e de superações no campo pessoal, doméstico e nacional. Do monte Moriá, onde se encontrou pessoal e experimentalmente com Deus, até a sua morte, ele viveu como um príncipe de Deus. Portanto, não se deixe abater pelas provações. Exerça a sua fé no campo das impossibilidades” (ANDRADE, Claudionor de. Lições Bíblicas. Rio de Janeiro: CPAD, 2015).

Sugestão didática:

Professor, reproduza no quadro as questões abaixo. Peça que os alunos formem grupos. Em grupo eles vão responder as questões. Em seguida peça forme um único grupo e discuta com eles as respostas.

1. O que significou o Moriá para Isaque?
2. O que fez Isaque em relação à esterilidade da esposa?
3. Em que sentido Isaque foi profeta?

Telma Bueno
Editora responsável pela Revista Lições Bíblica Adultos

A HISTÓRIA DE ISAQUE – Notas Explicativas

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A HISTÓRIA DE ISAQUE (25.19-28.9) – Notas Explicativas

Isaque herdou tudo de seu pai, incluindo a promessa de DEUS de tornar os seus descendentes uma grande nação. Como um menino, Isaque não resistiu enquanto seu pai preparava-se para sacrificá-lo e, como homem, aceitou com alegria a esposa que outros escolheram para ele. Através da vida de Isaque, aprendemos a deixar DEUS guiar a nossa vida e fazer a vontade dEle ao invés da nossa.

25.21 – Assim como Isaque suplicou a DEUS por um filho, a Bíblia nos encoraja a pedir, e até mesmo implorar, pelas coisas mais intimas e importantes. DEUS quer atender os nossos pedidos, mas requer que peçamos a Ele. Ainda assim, como Isaque aprendeu, DEUS pode adiar sua reposta por um momento com a finalidade de (1) aprofundar nossa percepção sobre o que realmente necessitamos, (2) ampliar nosso reconhecimento por suas respostas, ou (3) permitir que amadureçamos para que usemos seus dons com mais sabedoria.

25.31 – A primogenitura era uma honra especial dada ao primeiro filho que nascia, que incluía uma porção dobrada da herança familiar juntamente com o privilégio de um dia tornar-se o líder da família. O filho mais velho poderia vender a primogenitura mas, fazendo isso, perderia tanto os bens materiais quanto sua posição de liderança. Ao trocar sua primogenitura, Esaú demonstrou completo desprezo pelas bênçãos espirituais que viriam ao seu encontro se ele a tivesse mantido.

25.32,33 – Esaú trocou os duradouros benefícios de sua primogenitura por um prazer alimentar imediato. Agindo por impulso, ele logo satisfez seus desejos sem parar para considerar as conseqüências em longo prazo. Nós, também, podemos cair na mesma armadilha. Quando vemos algo que desejamos, nosso primeiro impulso é pegá-lo. A princípio, sentimo-nos satisfeitos e algumas vezes até poderosos pela conquista, mas o
prazer imediato costuma impedir a visão do futuro. Podemos evitar cometer o erro de Esaú comparando a satisfação imediata com as conseqüências em longo prazo antes de agir. Esaú exagerou quanto a sua fome. “Estou a ponto de morrer!”, disse ele. Este pensamento facilitou sua escolha, pois, se ele estava faminto, que bem poderia fazer sua herança? A pressão do momento distorceu suas perspectivas e fez com que a decisão parecesse urgente. Nós enfrentamos pressões similares; por exemplo, quando sentimos pressão sexual, os votos do casamento podem parecer sem importância. Podemos sentir tal pressão em uma área que nada mais pareça importar e perdemos nossa perspectiva. Passar por aquele momento breve, porém cheio de pressão, costuma ser a parte mais difícil para vencer uma tentação.

26.1 – A tribo dos filisteus viria a tornar-se um dos inimigos mais ferozes de Israel. Os filisteus eram um grupo de pessoas que migraram do mar Egeu e se estabeleceram na Palestina. Eles chegaram pelo caminho de Creta e Chipre, e foram usados como mercenários pelos reis cananeus. Vivendo ao longo da costa sudoeste, este povo era pequeno em número, porém ferozes na batalha. Embora fossem amigáveis para com Isaque, este pequeno grupo tornou-se precursor da nação que viria a atormentar Israel durante o tempo de Josué, dos juizes e de Davi. Este rei Abimeleque não era o mesmo Abimeleque que Abraão encontrou (caps. 20;21). Abimeleque pode ter sido um nome dinástico dos reis filisteus.

ISAQUE MUDA-SE PARA GERAR
Isaque havia se estabelecido nas proximidades de Beer-Laai-Roi (“a fonte daquele que vive e me vê”), onde lhe nasceram Jacó e Esaú. A fome o levou até Gerar. Mas, tendo-se tornado um homem rico, seus vizinhos invejosos lhe pediram que partisse. De Gerar, Isaque mudou-se, então, para Berseba.

26.7-11 – Isaque temeu que os homens em Gerar o matassem para ficar corre sua bela esposa, Rebeca. Assim ele mentiu, afirmando que Rebeca era sua irmã. Onde ele aprendeu isto? Provavelmente tomou conhecimento das atitudes de seu pai, Abraão (ver 12.10-13 e 20.1-5). Os pais ajudam a formar os valores dos filhos. O primeiro passo para ajudar os filhos a viverem de forma correta é ser o exemplo. Suas atitudes são
freqüentemente copiadas pelos que estão próximos a você. Que tipo de exemplo você está dando aos seus filhos?

26.12-16 – DEUS manteve sua promessa de abençoar Isaque. Os vizinhos filisteus ficaram enciumados porque tudo que Isaque fazia parecia dar certo, e assim tentaram livrar-se dele. A inveja é uma força divisória, potente o suficiente para despedaçar a mais poderosa nação ou os amigos mais íntimos. Ela força a pessoa a separar se do que almejava a princípio. Ao flagrar-se sentindo inveja das pessoas, tente agradecer a DEUS pela felicidade delas. E antes de ter um acesso de raiva, considere o que poderia perder — quem sabe um amigo, um trabalho ou um cônjuge?

26.17,18 – A desolada área de Gerar estava localizada na extremidade de um deserto. A água era tão preciosa quanto o ouro. Se alguém cavasse um poço, estaria reivindicando aquela terra. Alguns poços possuíam trancas para que os ladrões não roubassem água. Encher o poço de alguém com sujeira era um ato de guerra, e também considerado um dos crimes mais sérios que poderiam existir. Isaque teria razão em revidar quando os filisteus arruinaram seus poços, mas ele escolheu manter a paz. Ao final, os filisteus o respeitaram por sua paciência.

26.17-22 – Por três vezes Isaque e seus homens cavaram novos poços. Quando as duas primeiras disputas surgiram, Isaque partiu. Finalmente, houve espaço suficiente para todos. Ao invés de dar início a um grande conflito, Isaque comprometeu-se com a paz. Você estaria disposto a abandonar uma importante posição ou possessão valiosa para manter a paz? Peça a DEUS sabedoria para saber quando se retirar e quando ficar e lutar.

26.26-31 – Com seus inimigos desejando fazer um tratado de paz, Isaque foi rápido em responder, tornando a oportunidade uma celebração. Semelhantemente, deveríamos ser receptivos para com os que desejam fazer as pazes conosco. Quando a influência de DEUS em nossa vida atrai pessoas — e até inimigos — precisamos aproveitar a oportunidade para alcançá-los com o amor de DEUS.

26.34,35 – Esaú casou-se com mulheres pagãs, o que muito aborreceu a seus pais. A maioria dos pais pode ser um depósito de bons conselhos, pois possui muito mais experiência de vida para ajudar no caráter dos filhos. Você pode não concordar com tudo o que seus pais dizem, mas deve conversar com eles e ouvi-los atentamente. Isso evitará que você passe maus momentos, como Esaú passou.

27.5-10 – Ao saber que Isaque preparava-se para abençoar Esaú, Rebeca planejou rapidamente que Jacó fosse abençoado no lugar do irmão. Embora DEUS já lhe tivesse dito que Jacó viria a ser o líder da família (25.23), Rebeca buscou solução com as próprias mãos e recorreu a uma atitude errada, na tentativa de fazer acontecer o que DEUS havia dito que aconteceria. Para Rebeca, o fim justificava os meios. Não importa quanto pensamos ser bons os nossos objetivos, não devemos tentar alcançá-los fazendo o
que é errado. Será que DEUS aprovaria os métodos que você tem usado para alcançar os objetivos?

27.11,12 – A forma como reagimos a um dilema moral costuma revelar nossos verdadeiros motivos. Em geral, ficamos mais preocupados em ser pegos do que em fazer o que é certo. Jacó não pareceu preocupado quanto ao plano enganoso de sua mãe; sua única preocupação era apenas a de ser pego enquanto o executava. Se você tem a preocupação de ser apanhado, está provavelmente em posição não muito honesta. Faça deste medo um alerta e aja de forma integra. Jacó pagou um alto preço por
executar um plano desonesto.

27.11-13 – Jacó hesitou ao ouvir o plano enganoso de Rebeca. Embora o houvesse questionado pelo motivo errado (medo de ser pego), ele protestou e ainda lhe deu uma chance para reconsiderar. Rebeca, porém, estava tão envolvida no plano que não conseguia mais ver com clareza o que fazia. O pecado a aprisionara e estava degradando o seu caráter. Corrigir a si próprio no decorrer de alguma ação errada pode trazer desapontamento e tristeza, mas também conduzirá à libertação do controle do pecado.

27.24 – Embora Jacó tivesse recebido a bênção desejada, o fato de ter enganado seu pai custou-lhe muito caro. Eis algumas conseqüências daquele engano: (1) Jacó nunca mais viu sua mãe; (2) seu irmão quis matá-lo; (3) ele foi enganado por seu tio, Labão; (4) sua família dividiu-se devido a conflitos; (5) Esaú tornou-se o fundador de uma nação inimiga; (6) Jacó ficou exilado do sua família durante anos. Ironicamente, Jacó teria recebido a primogenitura e a bênção de qualquer forma (25.23). Imagine como sua vida teria sido diferente se ele e sua mãe tivessem esperado que DEUS trabalhasse a seu favor, no tempo dEle!

27.33 – Antigamente, a palavra da pessoa era valiosa (muito mais do que um contrato por escrito nos dias de hoje), especialmente quando se tratava de um juramento. Este é o motivo pelo qual a bênção de Isaque era irrevogável.

27.33-37 – Antes de morrer, o pai realizava uma cerimônia na qual oficialmente abençoava o primogênito, passando para este a sua herança de direito. Embora o primeiro filho tivesse o direito de primogenitura, ele não o recebia de fato até que a bênção fosse pronunciada. Até esta ocasião, o pai poderia tirá-la do filho mais velho e dá-la ao filho que mais merecia. Mas após a pronunciação, a bênção da primogenitura não mais poderia ser retirada. Por isso os pais costumavam esperar até a velhice para pronunciar a bênção. Embora Jacó já tivesse recebido a primogenitura de seu irmão anos antes, ele ainda necessitava a bênção de seu pai para validá-la.

27.41 – Esaú ficou tão furioso com Jacó que não conseguiu enxergar seu próprio erro quando desistiu da primogenitura naquele primeiro episódio. Uma raiva movida pela inveja nos impede de ver os benefícios que possuímos e nos faz confiar no que não possuímos.

27.41 – Ao perder a valiosa bênção familiar, o futuro de Esaú mudou subitamente. Reagindo com fúria, ele decidiu matar Jacó. Quando se perde algo valioso, ou, se outras pessoas conspiram contra você e são bem-sucedidas, a raiva é a primeira e mais natural reação. Mas você pode controlar os seus sentimentos (1) reconhecendo o objetivo de sua reação, (2) orando e pedindo força a DEUS, e (3) pedindo que DEUS o ajude a enxergar as oportunidades que até mesmo as más circunstâncias possam proporcionar.

28.9 – Ismael era meio-irmão de Isaque, o filho de Abraão e Agar, serva de Sara (16.1-4,15). Após ter-se casado com duas moças estrangeiras (26.34), Esaú esperava que seu casamento com alguém da família de Ismael fosse agradar a seus pais, Isaque e Rebeca.

(Textos extraídos da Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal CPAD)

Melquisedeque – História, Hermenêutica e Significação Profética – R.N. Champlin

Padrão

MELQUISEDEQUE  – Esboço:
I. Nome e História
II. Rei e Sacerdote
III. Referências Bíblicas
IV. Significação Profética
V. Uso Hermenêutico
VI. Identificações

I. Nome e História
Melquisedeque é a transliteração, para o português, de um nome hebraico que significa «rei da justiça». Ele era rei de Salém (Jerusalém) e sacerdote de El Elion, o que o tornava um rei-sacerdote, o que serviu mui apropriadamente para ilustrar o mesmo ofício, ocupado em forma muito mais significativa, pelo Senhor Jesus, o Cristo. Salém tem sido identificada com Jerusalém com base na referência bíblica de Sal. 76:2, e pela antiga menção a essa cidade nas cartas de Tell el-Amama, do século XIV A.C. As inscrições assírias referem-se a ela muito antes dessa cidade ter qualquer coisa a ver com o povo de Israel, mediante os nomes Uru-salem e Uru-sa- limmu. OsTarguns regularmente identificam-na com Jeru-salém, conforme também faz o Gênesis Apócrifo.

Talvez Melquisedeque fosse um sacerdote cananeu. Tanto El quanto Elion eram divindades cananéias bem conhecidas. A adoração cananéia a El Elion tem sido associada a Yahweh e sua adoração; e deveríamos recordar que esses nomes divinos não foram cunhados pelos hebreus, pois a verdade é que eles os empregaram para indicar seus conceitos específicos de Deus. A maioria dos críticos pensa que os trechos de Gên. 14:18-20 e Sal. 110:4 refletem sincretismo, mediante o que o reinado pré-davídico e a adoração ao El Elion cananeu foram vinculados à adoração a Yahweh. Naturalmente, muitos eruditos conservadores rejeitam isso. Mas, porque haveríamos de supor que a primitiva fé dos hebreus surgiu no vácuo? Coisa alguma é mais clara, na história das religiões, do que o fato de que elas dependiam de outras religiões mais antigas, ou paralelas, fazendo empréstimos das mesmas. Se acompanharmos a fé dos hebreus, veremos muitos desses empréstimos e adaptações. Até mesmo uma doutrina tão básica como a da imortalidade da alma não se originou entre os hebreus, podendo ser achada nas religiões orientais e na filosofia grega muito antes que ela tivesse aparecido na teologia dos hebreus. A complicada angelologia dos hebreus também era uma doutrina emprestada, que não aparece nos primeiros livros da Bíblia, pois ali, apesar de ser dito que os anjos existem* não há qualquer sistema hierárquico de tais seres.

Em Gênesis 14:19, El Elion aparece çomo o Criador, tomando-se claro que novas idéias, como também idéias adaptadas, foram atreladas a alguns nomes divinos. Mas isso não prova que esses povos antigos não conheciam e nem usavam esses nomes. A arqueologia tem provado, de maneira absoluta, que assim sucedia. A contribuição dos hebreus foi o monoteísmo, embora, provavelmente, até esse tivesse começado como um henotelsmo (vide). As noções dos homens sobre Deus são passíveis de melhoria, e na fé dos hebreus vemos esse princípio em operação. E esse processo nunca terminará, porquanto as nossas idéias sobre Deus são necessariamente provinciais e imperfeitas, estando sempre sujeitas a melhor elaboração. Em caso contrário, a teologia não será outra coisa senão humanologia. Somente Deus conhece verdadeiramente a teologia, os homens continuam em sua inquirição.

É claro que Abraão deve ter pensado que Melquisedeque servia ao mesmo Deus que ele servia. Porém, também é patente que em parte alguma Melquisedeque é identificado com a fé dos hebreus. De fato, aquelas delicadas distinções que os historiadores religiosos agora fazem acerca dessas coisas dificilmente descrevem o primitivo estado de coisas que prevalecia na época de Abraão. Não há que duvidar que Melquisedeque era homem conhecido por seu poder político e por sua espiritualidade, bem como por suas funções sacerdotais; e Abraão não hesitou em associar-se a ele, e mesmo a tratá-lo como um superior.

Muitas tentativas têm sido feitas para identificar Melquisedeque. Algumas dessas tentativas, equivocadamente, tentam situá-lo solidamente dentro da fé e da cultura dos hebreus, mas daí não tem advindo qualquer conclusão útil. Geralmente, somos ensinados a mostrar-nos hostis para com pessoas de outras fés religiosas, o que obscurece o respeito que elas merecem. Lembremo-nos que José casou-se com a filha de um sacerdote egípcio (ver Gên. 41:45). Desse casamento resultou o nascimento de Manassés e de Efraim, que, subseqüentemente, tornaram-se os patriarcas de duas das doze tribos de Israel. E difícil imaginarmos José mostrando-se hostil à família de sua esposa egípcia. Antes, ele deve ter mantido estreitos laços com a casta sacerdotal egípcia, embora também conservasse suas distinções pessoais. Talvez Abraão também mantivesse relações amistosas com os melhores membros religiosos de povos estrangeiros, tal como se deu com José e a família de sua esposa.

Informação Dada por Davi. Em Sal. 110:4, um rei da linhagem de Davi aparece sendo aclamado, por juramento divino, como «…tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque…» Talvez essa aclamação fosse resultante da conquista de Jerusalém por parte de Davi, em virtude do que ele e sua casa tornaram-se herdeiros da dinastia de reis-sacerdotes de Melquisedeque. Naturalmente, essa passagem também é profética e messiânica, embora talvez Davi nem tivesse entendido isso. A falta de informações sobre o sacerdócio do Melquisedeque histórico não nos permite especular muita coisa. Porém, podemos supor que alguma espécie de linhagem altamente respeitada de reis-sacerdotes tinha em Jerusalém o centro de seu poder, antes dessa cidade cair sob o domínio de Israel. £ claro que esse oficial e o seu culto não faziam parte da fé e da cultura dos hebreus, a despeito do que, era altamente respeitada pelos grandes líderes da nação de Israel.

II. Rei e Sacerdote – Tipologia

Melquisedeque é apresentado como um rei que tinha funções e direitos sacerdotais (ver Gên. 14:18 e ss). O próprio Abraão lhe prestou homenagem. Certamente, pois, a sua glória ultrapassa à de Aarão. Cristo assumiu esse sacerdócio real, mas revestido ainda de maior glória. Notemos que, no trecho de Zac. 6:13, são combinados os ofícios de rei e de sacerdote, no tocante ao Messias. O autor sagrado volta a considerar o sumo sacerdócio de Melquisede- que de forma mais completa, em Heb. 7:1-10, com o propósito definido de mostrar sua superioridade sobre o sacerdócio aarônico, e isso faz parte de seu argumento que visava mostrar que, em Cristo, todos os tipos sacerdotais são cumpridos e ultrapassados, não havendo mais qualquer necessidade de um sumo sacerdócio terreno. Cristo incorpora, em si mesmo, todo o sacerdócio de que precisamos. Até o próprio Aarão, por intermédio de Abraão, pagou os dízimos a Melquisedeque, com o resultado que o «menor foi abençoado pelo maior». Foi Melquisedeque quem abençoou Abraão, pelo que também aquele era maior do que este, para nada dizer sobre Aarão, que por esse tempo nem havia nascido ainda.

III. Referência Blíblica

Melquisedeque: As únicas referências bíblicas a esse personagem se acham nos trechos de Gên. 14:18; Sal. 110:4; Heb. 5:6,10; 6:20 e 7:1,10,11,15,17,21. Pode-se ver, com base nisso, que o autor supre a discussão maior. No A.T., quando muito, Melquisedeque aparece como figura simbólica. É dito que ele era «rei de Salém» (Jerusalém), na passagem referida do livro de Gênesis, sendo também chamado de «rei da justiça», em Heb. 7:2. Ele saudou a Abraão ao voltar este, após ter vencido Quedorlaomer e seus aliados, tendo-lhe apresentado pão e vinho e tendo-o abençoado no nome do Deus Altíssimo; ao mesmo tempo, Melquisedeque recebeu dízimos da parte de Abraão, de todos os despojos que este tomara do inimigo (ver Gên. 14:18 ess). Essa é a totalidade das informações que possuímos a seu respeito, embora a tradição, como é usual, tenha adornado a narrativa bíblica.

IV. Significação Profética

A significação profética de Melquisedeque é claríssima, entretanto. O Salmo 110 pinta a divindade do Messias (ver Sal. 110:1, comparar cfom Mat. 22:41-46). Também fica destacada a sua realeza (ver Sal. 110:1 e ss ; comparar com Atos 2:34-36). O seu sacerdócio é igualmente destacado (ver o quarto versículo). Nas referências da epístola aos Hebreus sua significação profética é ainda mais amplamente esclarecida. Ele ilustra a superioridade do sacerdócio de Cristo sobre o de Aarão (ver Heb. 5:6 e 7:7). Seu sacerdócio é eterno (ver Heb. 5:6); é real (ver Heb. 7:1); sua origem é misteriosa e desconhecida, e assim a filiação eterna de Cristo é ilustrada (ver Heb. 7:1). Na qualidade de Filho é ele também sacerdote, e isso empresta à ele uma dignidade maior que a de qualquer sacerdote terreno (ver Heb. 7:3 e 5:5). Ele é o grande abençoador, mediante quem todos os «menores» são abençoados (ver Heb. 7:7). E ele é superior a Levi, a Aarão, a Abraão e a todos os seus descendentes levitas (ver Heb. 7:6-10).

V. Uso Hermenêutico

Hermeneuticamente, Melquisedeque é importante porque ilustra diversas coisas: 1. um significado mais profundo da história; 2. como a história pode ser profética e simbólica; 3. a unidade do Antigo e do Novo Testamentos; 4. a universalidade do ofício messiânico e sumo sacerdotal de Cristo; 5. a ab-rogação das ordens sacerdotais do Antigo Testamento, por estarem todas cumpridas em Cristo.

VI. Identificação

A sua obscuridade tem fascinado a tradição, pelo que também muitas identificações conjecturadas têm sido imaginadas, a saber:
1. Alguns dizem que o Espírito Santo teria aparecido na terra sob essa forma. Mas essa opinião é extremamente ridícula.
2. Outros fazem dele uma manifestação de Cristo no A.T. Se isso fosse verdade, teríamos de esperar uma verdadeira «encarnação» antes dos tempos neotestamentários, posto que ele teve uma história contínua, tendo sido rei de Jerusalém. Contudo, alguns aceitam a idéia de uma «encarnação».
3. Outros estudiosos supõem que Melquisedeque teria sido encarnação de alguma outra elevada personalidade celeste.
4. Outros dizem que ele seria Sem, filho de Noé, o que é opinião comum entre vários escritores judeus (ver Targum em Jon. e Jerus. Jarchi, Baal Hatturim, Levi Ben Gersom e Abendana, sobre Gên. 14:18; Bemidbar Rabba, seção 4, foi. 182,4; Pierke Eliezer, cap. 8; Jushasin, foi. 135:2 e outros).
5. Outros supõem que ele teria sido um monarca cananeu, da descendência de Cão.
6. Outros ainda consideram-no um ser como Adão, diretamente criado por Deus, e que literalmente não teria ascendência humana.
7. Também há aqueles que o identificam com Jó ou cnm algum outro personagem do A.T.
Todas essas conjecturas não têm base em que se possa confiar, sendo bem provável que ele não possa ser identificado com qualquer outra personagem conhecida. O fato de que ele não tinha pai nem mãe provavelmente significa que não há registro de seus ancestrais, e, que, profeticamente, ele simboliza o divino Filho-Profeta, acerca de quem não se pode falar de qualquer linhagem terrena.

FONTE:

R.N. Champlin, Ph.D. ENCICLOPÉDIA de BÍBLIA, TEOLOGIA e FILOSOFIA – VOLUME 4.

Melquisedeque – Comentário Moody de Gênesis cap. 14

Padrão

Gênesis 14 – Abraão, Ló, Melquisedeque. 14:1-24.
14:1-14. Em vez de desfrutar de paz, prosperidade e alegria, Ló e Abrão encontraram-se no meio de uma guerra. Poderosos exércitos combativos vindos do oriente invadiram a terra da Palestina, e causaram muitos estragos. Abrão se envolveu profundamente por causa do amor que tinha por Ló, e logo se revelou um guerreiro a ser considerado quando os invasores procuraram espoliar a terra. Ló foi feito prisioneiro de guerra quando sua cidade, Sodoma, e os reinos vizinhos foram derrotados pelos invasores. Ele se arriscara quando escolhera desfrutar das facilidades e privilégios de Sodoma, tomando-se um dos habitantes
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dessa cidade ímpia. Agora descobriu que tinha de participar dos perigos e da tragédia da cidade. Rapidamente Abrão reagiu com 318 homens numa missão de salvamento, comprovando ser uma força poderosa a bem da justiça na terra.
1. Anrafel, rei de Sinear. Um dos quatro que compunham o exército invasor. Sinear, localizada ao norte da Mesopotâmia, deu seu nome a toda área entre o Tigre e o Eufrates, incluindo a Babilônia. A baixa Mesopotâmia foi o centro da civilização sumeriana, datando de cerca de 3500 A.C. Anrafel era o rei dessa região. Bem recentemente os estudiosos o identificaram como Hamurábi, um dos primeiros reis de Babilônia. Contudo, descobertas mais recentes nas tábuas de barro tendem a colocar a vida de Hamurábi em data mais recente – 1700 A.C. Anrafel foi rei muito antes. Arioque foi rei de Elasar, Babilônica Larsa, e provavelmente controlava uma região muito maior ao sul da Babilônia.
Quedorlaomer. Rei de Elão, uma bem conhecida região montanhosa perto da cabeça do Golfo Pérsico. Parece que era o mais poderoso dos quatro reis que fizeram esta expedição. Controlava os outros reis da Babilônia e Palestina. Seu nome Kudur-Lagamer significa “servo de Lagamer”, um dos deuses do Elão. A capital do Elão era Susa. Tidal, outro dos reis confederados, era chamado de rei de Goim, isto é, das nações ou povos. Seu título pode indicar que ele controlava diversos reinos individuais, ou que estivesse à cabeça de um forte grupo de gente nômade que se ocupava em fazer incursões para pilhagens.
2. Estes reis, com suas tropas seletas, vieram da região além do Damasco, e arremeteram contra as terras a leste do Jordão até o extremo sul do Mar Morto. Depois voltaram-se para o norte e rapidamente subiram pelo lado oriental do Jordão. A batalha decisiva realizou-se nas terras baixas além do Mar Morto (o vale de Sidim, v. 3), com os cinco reis desta região imediata que se rebelaram contra seus senhores do oriente.
3. O Mar Salgado (Mar Morto) tem 76kms de comprimento por 15kms de largura. Uma vez que sua superfície fica a 397ms abaixo (o
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mar Mediterrâneo, e as águas têm uma profundidade de 369ms, este mar é o “lençol de água mais baixo no mundo”. Suas águas são cinco vezes mais densas em conteúdo salino do que a água comum do mar. Estudiosos afirmam que as ruínas de Sodoma e Gomorra ficaram sob as águas do extremo sul deste mar. Admá e Zeboim (cons. v. 2) foram as outras cidades destruídas pelo golpe destruidor da mão de Deus. Os reis do oriente derrotaram completamente os guerreiros confederados, fizeram prisioneiros e saquearam tudo em sua volta. Ló estava entre os capturados.
6. E aos horeus no seu monte Seir. A arqueologia tem contribuído muito para estabelecer a historicidade básica destas antigas narrativas. Esse povo, chamado os horeus, são agora bem conhecidos como os humanos, um grupo não semítico. Suas inscrições, descobertas por arqueólogos em Nuzu, têm lançado muita luz sobre os costumes dos patriarcas. William F. Albright crê que estes humanos destacaram-se em cerca de 2400 A.C., e foram rivais dos hititas e sumerianos na supremacia da cultura e saber. Devem ter emigrado para a região sul do Mar Morto bastante cedo. Foram desalojados da região do Monte Seir pelos descendentes de Esaú (Dt. 2:22).
7. Cades (santuário). Um local antigo onde saía água de uma rocha, e o julgamento era feito por um santo homem que recebia revelação divina. Ficava às margens do Edom, cerca de 80 kms ao sul de Berseba e a 112 kms do Hebrom. Aqui os israelitas aguardaram toda uma geração à espera da ordem de Deus para penetrarem na Palestina. Miriã foi sepultada em Cades, uma viagem de onze dias do Sinai. Amalequitas. Rudes e predatórios saqueadores que perambulavam pela área deserta ao sul da Palestina. Provaram ser constante ameaça aos israelitas durante todos os dias do reino. Neste exemplo o povo de Canaã foi severamente castigado pelos invasores ocidentais.
10. Poços de betume. Poços do qual se extraía petróleo líquido. Os buracos deviam ainda estar parcialmente cheios do líquido borbulhante. Os guerreiros, tentando desesperadamente escapar à fúria do ataque
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inimigo, caíram nesses buracos e foram destruídos. Os invasores orientais escaparam com o produto do saque e muitos prisioneiros, que seriam feitos escravos.
13. Abrão, o hebreu. Rapidamente a notícia da batalha alcançou Abrão no Hebrom. Ele não fora envolvido na luta, mas uma vez que o seu sobrinho fora feito prisioneiro, sentia-se sem dúvida obrigado a tentar um salvamento. Esta é a primeira vez que as Escrituras usam a palavra hebreu (hei’ibri). A origem exata do nome ainda é questão discutível. Era usada por estrangeiros para designar os descendentes de Abraão e dos patriarcas. Provavelmente significa “um descendente de Éber” ou “alguém do outro lado” (do rio). Isto se aplica a Abrão como alguém que emigrou da Mesopotâmia. Alguns têm identificado os hebreus com os habiru, que se destacaram na arqueologia através das cartas de Tel el Amarna encontradas nas placas de Nuzu e Mari, no Egito e na Mesopotâmia. O caráter desses nômades perturbadores não os recomendaria como filhos de Abrão.
14. A palavra hebraica riq (E.R.C., armou) descreve o trabalho rápido e completo de Abrão convocando cada homem capaz para a ação imediata. Foi traduzido, literalmente, para fez sair, como a uma espada de sua bainha. Nenhum homem ficou para trás. Trezentos e dezoito homens atenderam ao chamado e seguiram seu respeitável líder. Para guardar uma propriedade como a do patriarca, tornava-se necessário possuir um grupo forte sempre disponível, Além desses homens prontos e capazes, Abrão levou consigo exércitos de seus amigos confederados, Aner, Escol e Manre, que foram leais com o seu bom amigo na hora da emergência. Os invasores fugitivos do oriente dirigiram-se rapidamente para Dã nas fronteiras do norte de Canaã. A cidade se aninhava aos pés do Monte Hermom, a uma certa distância ao noroeste de Cesaréia de Filipos. Naquela ocasião tinha o nome de Leshem ou Laish (cons. Jz. 18:7). Os danitas a tomaram anos mais tarde e a denominaram Dã.
15. Hobá era uma cidade a menos de cinqüenta milhas ao norte da antiga cidade de Damasco. Depois do ataque em Dã, Abrão e Seus
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guerreiros perseguiram o exército de Quedorlaomer por umas cem milhas. No ataque de surpresa, eles seguiram no encalço do inimigo e conseguiram recuperar o despejo e os prisioneiros. Ló estava novamente seguro sob a proteção do seu tio. E Abrão estabeleceu o seu poder em Canaã, pois os povos vizinhos ficaram admirados com alguém que podia desferir golpes tão violentos.
17. Retornando ao seu próprio distrito, Abrão foi recebido pelo rei de Sodoma, que expressou sua profunda gratidão pelo livramento notável. Encontraram-se no lugar chamado sove, ou o vale do Rei. A palavra Savé significa “uma planície”. Provavelmente ficava perto de Jerusalém.
18-20. Melquisedeque, rei de Salém. O nome do misterioso personagem significa “rei de justiça” ou “meu rei é justiça”, ou “meu rei é Zedeque”. Zedeque é a palavra hebraica para “justiça”, e também o nome de uma divindade cananita. Melquisedeque era o rei-sacerdote de Salém, que é uma forma abreviada de Urusalim, “cidade de paz”, identificada com Jerusalém. As placas de Tel el Amarna identificam Salém com a Jerusalém de 1400 A.C. Shalom é a palavra hebraica para “paz”, e Shalom era provavelmente o deus da paz cananita.
Este benevolente rei-sacerdote, reconhecendo a nobreza e o valor de Abrão, forneceu um lanche para o exausto guerreiro e os seus homens. Era um sinal de amizade e hospitalidade. Melquisedeque louvou El Elyon, seu Deus (o Deus Altíssimo) por ter concedido a Abrão o poder de alcançar a vitória. Abrão reconheceu o El Elyon de Melquisedeque como Jeová, o Deus que ele mesmo servia. O nome Deus Altíssimo foi encontrado nos documentos do Ras Shamra que datam do século quatorze A.C. Evidentemente Melquisedeque tinha firmeza nas doutrinas de sua fé, que eram tão verdadeiras e básicas como aquelas que Abrão trouxe da Babilônia. Cada uma destas colunas tinha algo a dar e algo a aprender. (Veja Sl. 110:4; Hb. 5:9, 10; 7:1-7 para o desenvolvimento do conceito do sacerdócio ideal e aplicação disto à doutrina de Melquisedeque.) O autor de Hebreus declara que Cristo foi de uma
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ordem sacerdotal muito mais antiga que a de Arão e portanto o seu sacerdócio foi superior ao sacerdócio araônico. Reconhecendo a posição sacerdotal de Melquisedeque, Abrão lhe trouxe dízimos como oferta religiosa.
21-24. Ao falar com o rei de Sodoma, o patriarca recusou aceitar parte dos despojos ganhos na batalha. Ele não empreendera a guerra com o intuito de se enriquecer, mas para garantir o livramento de Ló. Ele não receberia o lucro de maneira nenhuma, mas queda que os seus aliados recebessem uma quantia razoável para pagamento de suas despesas. Evidentemente não havia nada mesquinho, egoísta ou ganancioso em seu caráter.

Fonte: Comentário Bíblico Moody – Gênesis.

Caim e Abel – Comentário Bíblico Moody

Padrão

Gênesis (Comentário Bíblico Moody)

Gênesis 4 – Os Dois Irmãos. 4:1-26.

  1. Caim (Qayin). A palavra Caim está geralmente associada com qeinâ do hebreu, “adquirir” ou “obter”. A derivação está baseada na semelhança do som, mais do que por causa da etimologia básica, Poderíamos dizer que é um jogo de palavras. O verdadeiro significado da palavra possivelmente veio do árabe (“lanceiro” ou “ferreiro”). Eva encheu-se de alegria com o nascimento do seu filho. Ela exclamou: “Obtive um homem”.
  2. Abel (Hebel). O nome dado ao segundo filho indica “um hálito fugaz” ou “um vapor”. Aplu, a palavra acadiana cognata, significa filho. Abel deu origem à vida pastoral, enquanto Caim seguiu a seu pai na agricultura.

4a. Uma oferta (minhâ). Cada homem trouxe um presente especial ou uma oferta a Jeová. Não se faz nenhuma menção de altar ou lugar de culto religioso. Minhâ, como os antigos o conheciam, servia para expressar gratidão, o efeito da reconciliação com o Senhor, e para adoração. Esta narrativa descreve o primeiro ato de adoração registrado na história humana. Em cada exemplo o adorador trouxe algo que era seu como oblação ao Senhor.

4b. Agradou-se o Senhor (shei’â). O presente oferecido por Caim não foi recebido pelo Senhor. Aqui não se explica o porquê da rejeição. E as Escrituras não nos contam como Deus indicou a Sua desaprovação. Talvez fogo caísse do céu e consumisse a oferta que foi aceita, mas deixasse a outra intocada. Há quem pense que a oferta de Caim foi rejeitada porque Caim deixou de realizar o ritual adequado. Outros têm explicado que a natureza das ofertas é que fez a diferença – uma sendo de carne e envolvendo morte e derramamento de sangue, e a outra de vegetais, sem derramamento de sangue (cons. Hb. 9:22).

O autor da Epístola aos hebreus dá-nos uma explicação inspirada da diferença entre as duas ofertas: “Pela fé Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim . . , dando Deus testemunho dos seus dons ” (Hb. Gênesis (Comentário Bíblico Moody) 23

11:4). Esta explicação centraliza-se sobre a diferença do espírito manifestado pelos dois homens. Sendo Abel um homem de fé, veio com o espírito correto e adorou de maneira agradável a Deus. Não temos motivos para crer que Abel tinha algum conhecimento de sua necessidade da expiação substitutiva. Pelas aparências ambas as ofertas expressavam gratidão, ação de graças e devoção a Deus. Mas o homem que tinha falta de fé genuína no seu coração não podia agradar a Deus, embora sua oferta material fosse imaculada. Deus não se agradou de Caim porque já olhara para ele e vira o que havia no seu coração. Abel veio a Deus com a atitude certa de um coração disposto a adorar e pela única maneira em que os homens pecadores podem se aproximar de um Deus santo. Caim não.

5b. A ira incontida de Caim exibiu-se imediatamente. Sua fúria logo se acendeu, revelando o espírito que se aliava em seu coração. Caim tornou-se um inimigo de Deus e hostil para com seu irmão. Assim, o orgulho ferido produziu a inveja e o espírito de vingança. E estes deram à luz ao ódio consumidor e à violência que torna possível o homicídio.

6,7a. Descaiu o teu semblante . . . serás aceito. O ódio que o queimava por dentro fez descair o seu semblante. Produziu um espírito taciturno, desagradável e mal-humorado. Com gentileza e paciência Deus lidou com Caim, tentando salvar o pecador rebelde. Assegurou-lhe que caso se arrependesse sinceramente, readquiriria sua alegria e seria aceito por Deus. Neisei, “levantar”, empresta a idéia de perdão. Jeová misericordiosamente estendeu, assim, a Caim a esperança do perdão e da vitória diante de sua decisão momentosa.

7b. Pecado (hatt’at) jaz (reibas). Logo em cima da promessa animadora. Jeová pronunciou uma advertência severa, insistindo com o pecador a que controlasse seu gênio e tomasse cuidado para que uma besta pronta a saltar sobre ele (o pecado) não o devorasse. O perigo era real. A besta mortal estava exatamente naquele momento pronta a dominá-lo. A palavra de Deus exigia ação imediata e forte esforço para repelir o provável conquistador. Caim não devia permitir que esses Gênesis (Comentário Bíblico Moody) 24

pensamentos agitados e esses impulsos o conduzissem a atitudes ruinosas. Deus apelou fortemente para a vontade de Caim. A vontade tinha de ser posta em ação para se obter a vitória completa sobre o pecado (hatt’at). Dependia do próprio Caim vencer o pecado em si mesmo, para controlar e não ser controlado. O seu destino estava em suas mãos. Não era tarde demais para escolher o caminho de Deus.

  1. Onde está Abel, teu irmão? Falhando no domínio do selvagem monstro, Caim logo encontrou-se à mercê de uma força que o controlou completamente. Quase imediatamente um dos filhos veio a ser um homicida e o outro um mártir. Rapidamente Jeová confrontou o homicida com uma pergunta. Ao que parece, Ele quis obter uma confissão de culpa que preparasse o caminho para a misericórdia e o perdão completo. Embora Caim tivesse cometido o pecado de livre e espontânea vontade, descobriu-se perseguido por um Deus amoroso, rico em graça. Sou eu tutor de meu irmão? (shomer). Que resposta desavergonhada para a pergunta de um Pai amoroso! Petulantemente, desafiadoramente, Caim deu a sua resposta. O pecado já o tinha agarrado em seu domínio. Ele renunciava os direitos demandantes da fraternidade. Recusou-se a demonstrar respeito ao Deus eterno. Descaradamente apoiou-se em sua rebeldia egoísta e falou coisas que ninguém teria coragem de pronunciar.
  2. A voz (qôl) do sangue do teu irmão clama (sô’qim) da terra a mim. Sangue derramado por um homicida, embora coberto pela terra, estava clamando a Deus. Jeová podia ouvi-lo, e Ele compreendia o significado do grito, pois Ele conhecia a culpa de Caim. Com que melancolia aquele sangue gritava por vingança! O autor de Hebreus refere-se a esta experiência na frase “o sangue da aspersão, que fala melhor do que o de Abel” (12:24).
  3. Fugitivo (nei’) e errante (neid). A maldição pronunciada sobre o homicida envolvia banimento do solo produtivo para o deserto estéril. O solo, disse Deus, seria hostil para o homicida, de modo que ele não conseguiria obter sustento do cultivo do solo. Em busca do sustento ele Gênesis (Comentário Bíblico Moody) 25

se tornaria um beduíno nas terras desertas, vagando cansado e desesperado. Insegurança, inquietação, luta, culpa e temores seriam seus “companheiros” constantes. A palavra fugitivo dá idéia de alguém cambaleando, andando em ziguezague, tropeçando, sem segurança, em busca infrutífera de uma satisfação. Era um projeto lúgubre e desencorajador.

  1. O meu castigo (‘awon). Embora a vida de Caim fosse poupada, ele tremia sob o peso do seu pecado, da sua culpa, do seu castigo e das conseqüências infinitas que assomavam diante dele. A palavra hebraica ‘awon refere-se literalmente a sua iniqüidade, mas também contém um pensamento das conseqüências do seu pecado. Caim estava muito mais preocupado com sua sentença do que com o seu pecado. Já não posso suportá-lo. Seu grito amargo dirigido a Deus chamava atenção para o peso insuportável do seu castigo. Era mais pesado do que podia levantar e carregar. A palavra neisa dá a idéia de “remover” (perdão) e “levantar” (expiação). Novamente, parece claro que o apavorado homicida estava pensando no castigo que estava para ser executado sobre ele.

14b. Quem… me matará. Terror e desalento começaram a acabrunhar o pecador quando pensava nos perigos do deserto. Imaginava que cruéis inimigos se deleitariam em matá-lo. Já sentia o hálito quente do vingador em sua nuca. Sua consciência ativa já estava em ação. No seu temor, tinha certeza de que a destruição estava a sua espera, pois sentia que estava completamente fora do círculo do cuidado divino.

  1. Um sinal (‘ot) em Caim. Mas Jeová, em sua misericórdia, assegurou a Caim que a Sua presença seria contínua e Sua proteção infinita. Colocou um sinal sobre ele evidentemente um sinal ou indicação de que Caim pertencia ao Senhor Deus e devia ser fisicamente poupado. Não há nenhuma evidência de que o “sinal de Caim” fosse um sinal para avisar o mundo de que ele era um homicida. Era, antes, um sinal especial de cuidado amoroso e proteção. Caim continuaria sempre dentro da proteção da aliança divina. Embora um assassino, era um recipiente dos favores divinos. Gênesis (Comentário Bíblico Moody) 26
  2. Terra de Node (nôd). Literalmente, terra da peregrinação ou fuga (cons. 4:12, 14). Não há meio de localizarmos esta área geograficamente, exceto em falarmos dela como situada ao oriente do Éden. Caim apenas cumpriu a predição que Deus fez quanto a sua futura existência. Pateticamente e estoicamente ele partiu para os ermos sem trilhas. A idéia de “fuga” e “miséria” são discerníveis na palavra hebraica para retirou-se.
  3. Sua mulher (‘ishtô). O livro de Gênesis não responde a tão freqüente pergunta: Onde Caim arranjou uma esposa? Está claro que Adão e Eva tiveram muitos outros filhos e filhas. Antes de Caim se casar, um lapso de muitos anos se passou (talvez centenas deles). Uma vez que toda a vida veio pelo casal humano divinamente criado, é preciso concluir que num certo período da história irmãos e irmãs casaram-se entre si. Na ocasião quando Caim estava pronto a estabelecer um lar, Adão e Eva tinham numerosos descendentes. Não é preciso que imaginemos uma outra raça de pessoas já estabelecida no mundo. A esposa de Caim foi alguém da família de Adão e Eva.
  4. Sete (Shêt). A narrativa divina preservou o nome de Sete como o do terceiro filho da linhagem de Adão. A palavra hebraica tem marcada semelhança à palavra shât, traduzida para “destinado” ou “estabelecido”. Na realidade, Sete veio a ser aquele de quem Deus pôde depender para o estabelecimento da pedra fundamental de Sua família. Ele foi “estabelecido” ou “destinado” a assumir o trabalho e a missão de Abel. Caim perdeu o seu direito de levar adiante a sublime esperança divina. Sete assumiria a responsabilidade e o privilégio sobre os seus ombros. Através de sua linhagem Deus realizaria Suas promessas.
  5. Daí se começou a invocar o nome do Senhor. Foi uma experiência para nunca mais ser esquecida, quando, sob o estímulo de Enos, os homens começaram a invocar o nome de Jeová, o Deus da aliança. Enos, que se destacou na linhagem de Sete, foi o originador da oração pública e da adoração espiritual. Nela se usava o inefável nome Gênesis (Comentário Bíblico Moody) 27

do Deus eterno. Através dos descendentes de Sete havia uma esperança para dias melhores.

FONTE:  Comentário Bíblico Moody – GÊNESIS

 

Lição 01 – Subsídio Teológico

Padrão

A Formação do Caráter Cristão

2° Trimestre de 2017

INTRODUÇÃO

I – O CARÁTER NA REALIDADE DO HOMEM
II – A DEFORMAÇÃO DO CARÁTER HUMANO
III – A REDENÇÃO DO CARÁTER HUMANO

CONCLUSÃO

Professor, preparado para dar início a mais um trimestre? Estudaremos a respeito do caráter de alguns personagens bíblicos. É importante que você pesquise e faça uma relação de obras que possam lhe auxiliar no estudo e preparo das lições.

Na primeira lição é importante que você faça algumas definições, pois seus alunos precisam compreender, de imediato, o que é caráter. É importante também que entendam que caráter é distinto de temperamento e personalidade. Você sabe o que os difere? Então, observe algumas definições segundo o Dicionário Houaiss:

Caráter – “Conjunto de traços psicológicos e/ou morais que caracterizam um indivíduo ou um grupo. Qualidade inerente a um indivíduo, desde o nascimento.”

Personalidade – “Qualidade ou condição de ser uma pessoa. Conjunto de qualidades que define a individualidade de uma pessoa moral.”

Temperamento – “Conjunto dos traços psicológicos e morais que determinam o modo de ser ou agir do indivíduo.”

“I – O caráter humano

Caráter é o conjunto das qualidades boas ou más de um indivíduo que determina sua conduta em relação a Deus, a si mesmo e ao próximo. Essas especificidades são responsáveis pela maneira como uma pessoa age, regulando suas escolhas e decisões. O caráter de uma pessoa, portanto, não apenas define quem ela é, mas também descreve seu estado moral e a distingue das demais de seu grupo.

A Bíblia é farta de ensinamentos referentes à virtude, à moral e ao caráter cristão. Os preceitos da Lei, especialmente os do Decálogo, as mensagens éticas dos profetas, os ensinos de Jesus, e as doutrinas exaradas nas epístolas, revelam a vontade de Deus para a vida moral do homem.

Ao aceitar a Cristo como Salvador, o homem recebe da parte de Deus, um novo caráter (2 Co 5.17). O Espírito Santo, por meio de suas ministrações, aperfeiçoa-o gradualmente. Na continuação, o Espírito da Verdade passa a controlá-lo por completo, de modo que suas ações passam a ser moldadas por Ele. Uma vez que a imagem perdida no Éden fora restaurada, o homem passa a experimentar e demonstrar uma vida de integridade.

II – Como preservar o verdadeiro caráter cristão

1. Manter-se em comunhão com o Espírito. O ser humano traz em sua natureza uma forte inclinação para o pecado. Trata-se de uma tremenda força maligna impossível de ser superada sem a ajuda divina. É justamente por isso que Deus nos enviou o seu Espírito para habitar em nós, dando-no a condição de andarmos em novidade de vida. Somente pelo Espírito Eterno, o crente pode caminhar seguro, resistindo aos desejos da carne. Em Gálatas 5, o apóstolo Paulo enumera várias obras da carne que contaminam o caráter do homem sem Cristo (Gl 5.19-21). Todavia, nesse mesmo capítulo, encontramos um conjunto de valores espirituais que garantem a saúde moral do crente (v. 22).

2. Conhecer a Palavra de Deus. A Bíblia Sagrada é a única regra de fé e prática do cristão. Ela nos apresenta o padrão de comportamento necessário ao homem que deseja viver uma vida justa, sóbria e piedosa neste mundo. Ao longo da narrativa bíblica deparamo-nos com uma série de valores e virtudes morais e espirituais estabelecidas por Deus para o homem. Todavia, estas qualidades indispensáveis ao ser humano, só foram plenamente identificadas e vividas em Jesus. Hoje sabemos que essas santas virtudes estão ao alcance de todos, por meio da extraordinária obra do Espírito. É imprescindível ao homem conhecer muito bem as Escrituras e o poder de Deus para que não erre na busca de uma vida virtuosa diante de Deus e do próximo (Mt 22.29).

3. Disciplina. A oração e o jejum, apesar de serem armas espirituais poderosas, são também instrumentos que auxiliam na disciplina do caráter cristão. O jejum, por exemplo, é um sacrifício que agrada a Deus e promove disciplina ao crente. Portanto, o homem pode e deve pedir a Deus que o auxilie durante o tempo em que busca as virtudes espirituais, éticas e morais expostas na Palavra de Deus” (SILVA, Eliezer de Lira e. A busca do caráter cristão: Aprendendo com homens e mulheres da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, pp. 5,8).

Sugestão didática:

Reproduza no quadro a tabela abaixo. Utilize-a para mostrar aos alunos os aspectos positivos e negativos do caráter.

Aspectos do caráter

POSITIVO NEGATIVO
Santo Iníquo
Justo Injusto
Honesto Desonesto
Submisso Rebelde
Humilde Soberbo
Verdadeiro Mentiroso

(Extraído de Lições Bíblicas CPAD.)

Errata na Revista 
Na referência do Texto Áureo da primeira lição do trimestre, “A Formação do Caráter Cristão”, você vai encontrar a referência de Gálatas 5.20.
O correto é Gálatas 2.20.

Telma Bueno
Editora responsável pela Revista Lições Bíblica Adultos

Fonte: http://licoesbiblicas.com.br/index.php/2014-11-13-19-35-17/subsidios/lb-adultos/616-licao-36.html