LIÇÃO 7 – RUTE, UMA MULHER DIGNA DE CONFIANÇA

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Rute escolheu ajudar Noemi e seguir o seu Deus. Rute se recusou a abandonar sua sogra, viúva e sem nenhum recurso financeiro. A história de Rute revela seu caráter bondoso e fiel ao Deus de Israel e à sua sogra. Rute nos deixa uma lição preciosa com seu perfil e que o amor e a bondade são capazes de mudar a história de uma pessoa. Pois, essa gentia, que não fazia parte do povo de Deus, entrou na genealogia de Jesus.

I – TEXTO BÍBLICO – Rute 1.11,14 – 18 V, 11

Porém Noemi disse: Voltai, minhas filhas. Por que iríeis comigo? Tenho eu ainda no meu ventre mais filhos, para que vos sejam por maridos? V, 14 Então levantaram a sua voz, e tornaram a chorar; e Orfa beijou a sua sogra, porém Rute se apegou a ela. V, 15 Por isso disse Noemi: Eis que voltou tua cunhada ao seu povo e aos seus deuses; volta tu também após tua cunhada. V, 16 Disse, porém, Rute: Não me instes para que te abandone, e deixe de seguir-te; porque aonde quer que tu fores irei eu, e onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus; V, 17 Onde quer que morreres morrerei eu, e ali serei sepultada. Faça-me assim o SENHOR, e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti. V, 18 Vendo Noemi, que de todo estava resolvida a ir com ela, deixou de lhe falar.

II – A HISTÓRIA DO POVO DE RUTE NA BÍBLIA

1 – Rute era moabita. – Então veremos um pouco sobre a origem desse povo. “De acordo com Génesis 19.30-38, os moabitas descendiam de Moabe, filho de Ló, que era sobrinho de Abraão, como resultado de uma relação incestuosa com a filha mais velha de Ló. A narrativa, entretanto, indica que os israelitas e moabitas eram semitas e parentes de sangue, e isto é confirmado pelo fato de que a língua dos moabitas está intimamente relacionada à dos hebreus. Os sinais da inscrição de 34 linhas na Pedra Moabita correspondem aos sinais de inscrição de Siloé de Ezequias, e mostra que as duas línguas são da mesma descendência semítica. A similaridade de alguns costumes também indica o mesmo parentesco. Moabe é representada em Êxodo 15.15 como já sendo um povo poderoso quando Israel saiu do Egito. A terra que veio a ser conhecida como Moabe era, até onde sabemos originalmente, habitada por um povo conhecido por sua grande estatura, que a Bíblia chama de refains (Dt 2.10,11). Eles foram citados pelos moabitas que os expulsaram, como ‘emis’ os ‘terríveis’ ou ‘ameaçadores’. Eles são citados em Génesis 14.5 como habitantes de Sa-vé-Quiriataim. – Durante o período dos juizes de Israel, em que a nação ficou enfraquecida, os moabitas prosseguiram para o norte, a partir do rio Arnom até vários quilómetros ao norte do extremo do mar Morto, atravessando o rio Jordão até Jericó. Os israelitas foram oprimidos por Eglom, rei de Moabe, durante 18 anos até este ser assassinado pelo juiz Eúde (Jz 3.12-30). As campanhas do rei Saul na Transjordânia incluíram a derrota de Moabe (1Sm 12.9). Quando Davi fugiu de Saul, ele levou seus pais até o rio de Moabe, para que estivessem protegidos. Talvez este simpatizasse com Davi por causa de Rute, a bisavó moabita de Davi. Durante os reinados de Davi e Salomão, Moabe esteve sob o domínio de Israel” (Dicionário Bíblico Wycliffe. l.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, p. 1296).

OBS: “Situa-se a mais ou menos oito quilómetros a sudoeste de Jerusalém. A cidade era cercada por exuberantes campos de oliveira. Suas colheitas eram abundantes. A vinda de Rute e Noemi a Belém era certamente parte do plano de Deus porque nesta cidade nasceria Davi (1Sm 16.1), e, como foi predito por Miqueias (5.2). Jesus Cristo também viria ao mundo lá. Esta mudança, então, era mais do que mera conveniência para Rute e Noemi. Ela tinha como propósito o cumprimento das Escrituras.” Para conhecer mais leia, Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, CPAD,p.357. Rute cresceu em Moabe, um pequeno país ao leste do mar Morto. A região era composta basicamente de planaltos pouco arborizados, cortados por vales profundos. Os “campos de Moabe” em geral eram férteis, mesmo quando a fome assolava Israel. De fato, foi por isso que Rute conheceu Malom e sua família. — Rute 1:1.

2 – O livro de Rute – Já foi descrito como uma pequena joia, uma obra-prima em miniatura. É verdade que esse livro não é tão extenso nem tão abrangente quanto o livro de Juízes, que o antecede e que fornece seu fundo histórico. (Rute 1:1) Tudo indica que os dois livros foram escritos pelo profeta Samuel. Mas, ao ler a Bíblia, você talvez concorde que o livro de Rute ocupa o lugar certo no cânon da Bíblia. Depois de ler sobre guerras, invasões e retaliações no livro de Juízes, nos deparamos com esse pequeno livro que nos lembra que Deus está sempre atento às pessoas pacíficas que lutam com os problemas do dia a dia. Esse breve drama familiar ensina grandes lições sobre amor, perda, fé e lealdade, que podem beneficiar a todos nós. https://www.jw.org/pt/publicacoes/livros/verdadeira-fe/rute-e-noemi/

III – A HONESTIDADE E PRUDÊNCIA DE NOEMI

A família de Elimeleque teve que deixar Belém devido a uma grave crise econômica. Era tempo de escassez. A crise era resultado da desobediência dos israelitas para com o Senhor no tempo dos juízes. Um tempo difícil, onde cada um fazia aquilo que parecia ser bom aos seus próprios olhos. A falta de temor e observância da lei trouxe sérios prejuízos espirituais e financeiros para Israel. A família de Elimeleque muda-se para Moabe na esperança de ter dias melhores. Mas, ali Elimeque morre e é enterrado. Seus dois filhos também vieram a falecer em Moabe. Noemi, a esposa de Elimeleque teve que enfrentar a perda do marido e dos filhos. Mas crises ainda piores estavam por vir. Todavia, Deus lhe concedeu um escape; uma nora que a amou e a acolheu em tempos de amargura. Noemi e Rute voltam para Belém, trabalham, mantém a fé em Deus e são grandemente abençoadas. Todos nós enfrentamos momentos de dor e aflição. Mas a nossa fé nos faz avançar, trabalhar e ver o impossível sendo realizado. Diante das adversidades, não desanime, não pare.

“No mundo antigo, não havia quase nada pior do que ser uma viúva. Muitas pessoas tiravam vantagem das viúvas ou as ignoravam. Elas eram quase sempre atingidas pela pobreza. Portanto, a lei de Deus ordenava que o parente mais próximo do marido falecido cuidasse da viúva. Mas Noemi não tinha parentes em Moabe, e não sabia se algum dos parentes do marido estavam vivos em Israel. Mesmo em uma situação desesperadora, Noemi teve uma atitude altruísta. Embora ela tenha decidido voltar para Israel, encorajou Rute e Órfã a permanecerem em Moabe e recomeçarem suas vidas, mesmo que isto trouxesse dificuldades para ela.

IV- RUTE, UM EXEMPLO PERFEITO DA IMPARCIALIDADE DE DEUS

1 – Embora Rute fosse uma moabita, mas isto não a impediu de adorar o verdadeiro Deus, nem fez com que Ele rejeitasse e deixasse de abençoá-la grandemente. Os judeus não eram o único povo que Deus amava. O Senhor escolheu os judeus para serem o povo através do qual o resto do mundo viria a conhecê-lo, isto se cumpriu quando Jesus Cristo nasceu como um judeu. Através dele, o mundo inteiro pode conhecer a Deus. Atos 10.35 diz que ‘lhe é agradável aquele que, em qualquer nação o teme e faz o que é justo’. Deus aceita todos os que o adoram; Ele opera através das pessoas, independentemente de sua raça, sexo ou nacionalidade. O livro de Rute é um exemplo perfeito da imparcialidade de Deus. Embora Rute pertença a uma raça frequentemente desprezada por Israel, ela foi abençoada por causa de sua fidelidade. Ela se tornou a bisavó do rei Davi e uma ancestral direta de Jesus. Ninguém deve se sentir desqualificado para servir a Deus por motivos de raça, sexo ou nacionalidade. E Deus pode usar toda e qualquer circunstância para edificar seu reino” (Bíblia de Estudo Cronológica Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, p. 422). Vimos aí, uma mulher de um caráter exemplar que ganhar confiança dos seus e, acima de tudo, ganhou confiança e dignidade diante de Deus, o Soberano, de tal forma que entrou para genealogia do filho de Deus, a saber, JESUS!

2 – A declaração de Boaz abençoando Rute pode ser considerada uma oração (Rt 2.12). – ‘Recompensa’ aqui é maskoret, uma palavra com sentido de ‘salários’. Boaz credita a Rute o melhor, por sua piedade e escolha do Deus de Israel, e está convencido de que um Deus justo providenciar-lhe-á a justa recompensa. Disse tudo isso saber que seria ele próprio o instrumento para esta resposta. Deus, frequentemente, usa como seu agente aquele que ora para responder tal oração” (RICHARDS, Lawrence. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. 10.ed. Rio de Janeiro: CPAD, p. 176). http://sub-ebd.blogspot.com.br/2016/08/licao-8-rute-deus-trabalha-pela-familia.html#

3 – A declaração de Rute (1.16,17) – A famosa expressão de compromisso de Rute à sua sogra não somente demonstra lealdade a uma amiga, mas também esclarece um aspecto teológico. Rute disse ‘seu povo será o meu povo’ antes de dizer ‘e seu Deus será o meu Deus’. Nos tempos do Antigo Testamento, Deus tinha um relacionamento de aliança somente com Israel. Ao identificar-se com o povo da aliança, Rute qualificou-se ao proclamar o Deus de Israel.

Em lugar de fazer Noemi feliz, os envolvimentos familiares e velhos amigos tornaram a aflição de Noemi mais intensa. Podemos entender porquê. Voltar para casa depois da morte de um ente querido é igualmente fazer-nos sentir nossa perda. Nosso lar parece vazio, o silêncio é escurecedor. De repente somos esmagados pela aflição, pela ausência. Nossos queridos é que fazem de nossa casa o ‘lar’. Aos olhos de Noemi, que deixara Belém com um marido e dois filhos, o retorno trouxe-lhe à consciência a brutal extensão de sua perda” (RICHARDS, Lawrence. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. 10.ed. Rio de Janeiro: CPAD, p. 175).

CONCLUSÃO – A história de Rute, no entanto, revela que Deus continuava cuidando dela, inclusive agindo através de terceiros, para socorrê-la em suas necessidades. Como no caso de Noemi, o crente fiel e leal a Cristo pode experimentar grandes adversidades na sua vida. Tal fato não significa que Deus o abandonou ou que está castigando. As Escrituras frisam, repetidas vezes, que Deus continua, com todo o amor, a fazer todas as coisas cooperarem para o nosso bem em tempos de aflição” (Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, p. 422). Nunca esqueçamos que fé em Deus e trabalho são fundamentais para vencer as crises. – Bibliografia – Biblia Palavra Chave (ARC) – Apontamentos Teológicos do Autor – Dicionário da Língua Portugues Online

– Wikipédia, a enciclopédia livre. – Adaptações… – Comentário Pastor Josaphat Batista – Pr. Presidente da Assembleia de Deus em Ibotirama-Bahia. Pó- Graduado em Docência do Ensino Superior. Bacharel em Teologia convalidado pelo MEC, Membro do CEECRE (Conselho Estadual de Educação e Cultura Religiosa da CEADEB), Diretor da ESTEADI (Escola Teológica da Assembleia de Deus em Ibotirama) Presidente do Conselho de Pastores e Líderes Evangélicos de Ibotirama (CONPLEI), Conferencista, Seminaristas, Escritor e fundador dos Congressos EBD no Campo de Camaçari-Ba. – Comentários: ctecvidacrista.com.br.

Ver outros comentários (anteriores) do trimestre em vigor no Site: http://www.portalebd.org

FONTE: PORTAL ESCOLA DOMINICAL 2º Trimestre de 2017 – CPAD O CARÁTER DO CRISTÃO: moldado pela Palavra de Deus e provado como ouro Comentários da revista da CPAD: Elinaldo Renovato de Lima Comentário: Pr. Josaphat Batista Soares Colaboração para o Portal Escola Dominical – Pr. Josaphat Batista Soares Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Ibotirama – Bahia Avenida J.K. Nº 345 Centro Cep. 47.520-000 (77)3698-3367

Dinâmica: A amizade é como Matemática e Dinâmica: Árvore dos Amigos

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Adultos:  Lição 06: Jônatas, um exemplo de lealdade
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DINÂMICA: A AMIZADE É COMO MATEMÁTICA
Objetivo: Refletir sobre a importância das amizades, as influências positivas e o cuidado com as negativas.

Material:
Sinais matemáticos de adição, diminuição, multiplicação e divisão, de preferência, feitos de cartolina, cada sinal de uma cor diferente.
01 cartolina para escrever alguns versos(postado abaixo no procedimento).
02 cartolinas(01 para cada grupo).
01 rolo de fita adesiva.

Procedimento:
– Coloquem no quadro ou numa cartolina os sinais matemáticos de adição, diminuição, multiplicação e divisão, de preferência, feitos de cartolina, cada sinal de uma cor diferente.
– Depois, apresentem para os alunos os seguintes versos, escritos numa cartolina:
A amizade é como Matemática:
A alegria é somada.
A tristeza é diminuída.
A confiança é multiplicada.
E felicidade é dividida. (autoria desconhecida).
– Agora, dividam a turma em 02 grupos.
– Entreguem para os alunos a seguinte pergunta, numa cartolina:
Utilizando os símbolos matemáticos, o que vocês desejam que haja na amizade com os colegas?
Se houver dificuldade, peçam para que eles sigam o exemplo dos versos lidos anteriormente, e ainda assim falem:
O que vocês desejam que seja somado na amizade?
O que vocês desejam que seja diminuído na amizade?
O que vocês desejam que seja multiplicado na amizade?
O que vocês desejam que seja dividido(compartilhado) na amizade?
– Deem um tempo de 05 minutos para esta atividade. Depois, cada grupo vai apresentar de forma objetiva o que escreveram na cartolina.
– Para finalizar, reflitam sobre o que os alunos apontaram e enfatizem a importância quanto ao cuidado com as amizades e suas influências positivas e negativas.
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DINÂMICA: ÁRVORE DOS AMIGOS
Objetivo: Refletir sobre os laços de amizades e as consequências positivas e negativas desses relacionamentos com os amigos.

Material:
01 desenho de um tronco de uma árvore.
Desenho de uma folha de uma árvore para cada aluno.
01 rolo de fita adesiva.
01 tubo de cola.
Desenho de fruto para cada aluno.
01 cesta.

Procedimento:
– Apresentem um desenho de um tronco de uma árvore.
– Falem que vocês precisam montar uma árvore dos amigos. O que está faltando?
Aguardem as respostas. Certamente, vão dizer que faltam as folhas, os frutos, os nomes dos amigos.
– Então, entreguem o desenho de uma folha de uma árvore para cada aluno e solicitem que escrevam o nome deles.
– Depois, cada um deve colar estas folhas formando a copa da árvore.
– Agora, falem: Agora, sim nossa árvore da amizade está quase pronta. Faltam os frutos!
– Então entreguem o desenho de fruta para cada aluno e peçam para que escrevam nele os resultados de suas amizades.
– Agora, recolham os frutos utilizando a cesta, leiam o que foi escrito e depois colem os frutos na árvore. Pode haver frutos bons e ruins. Aproveitem e trabalhem cada ponto levantando.
– Para concluir falem sobre a amizade e o cuidado de Paulo com Onésimo e depois leiam Pv 17.17 “Em todo tempo ama o amigo e na angústia nasce o irmão”.

Por Sulamita Macedo.

Fonte: http://atitudedeaprendiz.blogspot.com.br/

http://ebdinterativa.com.br/adultos-licao-06-jonatas-um-exemplo-de-lealdade/

LIÇÃO Nº 6 – JÔNATAS, UM EXEMPLO DE LEALDADE

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LIÇÃO Nº 6 – JÔNATAS, UM EXEMPLO DE LEALDADE | AdautoMatos

Jônatas é exemplo de lealdade na Bíblia Sagrada.

INTRODUÇÃO

– Na sequência do estudo de personagens bíblicas que nos ensinam sobre o caráter cristão, estudaremos hoje Jônatas, o filho de Saul.

– Jônatas é exemplo de lealdade na Bíblia.

I – JÔNATAS, O FILHO DE SAUL

– Na continuidade do estudo de personagens bíblicas, estudaremos hoje a vida de Jôntas, o primogênito de Saul, que é um exemplo de lealdade nas páginas sagradas.

– O nome “Jônatas” significa “Jeová tem dado”, “Deus nos deu” ou, ainda, “dado por Deus” nome muito elucidativo, pois, em toda a sua vida, esta personagem tinha pleno discernimento daquilo que Deus tinha dado e a quem o tinha feito, sempre buscando satisfazer e corresponder à vontade do Senhor.

– Jônatas era o filho primogênito de Saul (I Cr.9:39) e, quando seu pai se tornou rei de Israel, naturalmente passou ele a ser o herdeiro presuntivo do trono, ou seja, o príncipe herdeiro e esta condição se verifica logo no aparecimento desta personagem no texto sagrado, vez que ele exsurge nas Escrituras como sendo o responsável por um dos dois batalhões de soldado do recém-formado exército israelita, cuidando da segurança do país em Gibeá de Benjamim (I Sm.13:2).

– T.H. Jones, em o Novo Dicionário da Bíblia, entende que o fato de Jônatas ter sido posto por seu pai como comandante de um dos batalhões do exército de Israel é um indício de que ele já se destacara na primeira ação militar de Saul, quando foi acudir os moradores de Jabes-Gileade contra os amonitas (I Sm.11:1-15), pois não teria sido o mero parentesco que faria com que Saul pusesse Jônatas em posição tão excelente.

O próprio pranto de Davi pela morte de Saul e Jônatas dá a entender que sempre estiveram juntos na batalha desde o início até o fim (II Sm.2:23)

OBS: “…Jônatas aparece pela primeira fez no registro bíblico como vitorioso em Geba, o baluarte filisteu, embora a estratégia de seu pai, naquela ocasião, sugira por analogia que ele talvez tivesse feito parte no alívio de Jabes de Gileade (I Sm.11:11;13:2).…” (JONES, T.H. Jônatas. In: DOUGLAS, J.D.(org.). O Novo Dicionário da Bíblia, p.858).

– Encarregado de comandar parte do exército de Israel em Gibeá de Benjamim, Jônatas já demonstrou todo o seu senso de dever e dedicação.

Não se contentou em apenas ficar aguardando um eventual ataque dos filisteus, mas sabendo que a presença dos filisteus em Geba, uma aldeia, pertencente a tribo de Benjamim, cerca de 11 km ao norte de Jerusalém e 5 km de Gibeá e havia sido dada em sorte aos levitas (Js.21:17; I Cr.6:60), era algo que não era razoável nem se encontrava na vontade de Deus, resolveu atacar aquela guarnição e, assim, entregar aquela terra a quem deveria possuí-la, que eram os levitas, aqueles que tinham como missão servir ao Senhor.

– Jônatas não se conformou em ver uma aldeia destinada à tribo sacerdotal na mão dos inimigos. Não podia compactuar com a lassidão e leniência com que os israelitas, desde o tempo dos juízes, tratava com a presença de estrangeiros na terra de Canaã e, por isso, tratou de expulsar aqueles inimigos que se encontravam em uma verdadeira fortaleza praticamente no centro da terra que Deus tinha dado a Israel.

– Será que temos permitido que o inimigo também tenha fortalezas em áreas centrais de nossas vidas? Será que temos sido permissivos com a intromissão da carne em nossas atitudes e comportamentos?

Não é este o propósito de Deus para nossas vidas, que quer nos dediquemos exclusivamente a Ele, que abandonemos o nosso vão modo de viver recebido por tradição de nossos pais (I Pe.1:18), que crucifiquemos a carne, nossa natureza pecaminosa, com nossas paixões e concupiscências na cruz de Cristo (Gl.5:24).

– Jônatas ficou incomodado com tamanho e consentido atrevimento dos inimigos de Israel e, por isso, conseguiu grande vitória sobre os filisteus em Geba. Este gesto trouxe, porém, uma consequência: Israel se fez abominável aos filisteus (I Sm.13:4).

– Quando tomamos a atitude de fazer a vontade do Senhor, de retirar as fortalezas do inimigo (que pode ser o diabo, a carne ou o mundo) de nossas vidas, “tornamo-nos abomináveis” para o mundo, como o diz conhecido jargão popular, “cutucamos a onça com vara curta”.

Todavia, é esta mesma a posição que devemos ter, pois quem se constituir em amigo do mundo, será inimigo de Deus (Tg.4:4) e o propósito do ministério de Jesus foi o de desfazer as obras do diabo (I Jo.3:8), das quais a primeira foi, precisamente, gerar uma inimizade entre nós e Deus (Gn.3:15).

– Temos de estar conscientes de que, se servimos ao Senhor, não podemos jamais agradar aos homens (Gl.1:10), seremos sempre odiados pelo mundo (Jo.15:19-21) e estaremos em constante batalha contra as hostes espirituais da maldade (Ef.6:11,12), razão pela qual teremos sempre de tomar a armadura de Deus, armas poderosas em Deus, para que possamos destruir tais fortalezas (II Co.10:4).

– O gesto de Jônatas fez com que os filisteus se ajuntassem para pelejar contra Israel e, como era um exército numeroso, muito dos israelitas, vendo-se em aperto, fugiram para as cavernas, espinhais, penhascos, fortificações e covas (I Sm.13:6), tendo, então, Saul convocado o povo em Gilgal para se preparar para a batalha.

– Notamos, aqui, que o povo estava acovardado, temeroso de enfrentar os filisteus.

Estavam acostumados com o domínio dos filisteus sobre a região, o que perdurava desde a morte de Sansão, pois mesmo a vitória militar alcançada sob a intercessão de Samuel não fora suficiente para afastar o predomínio filisteu sobre a região. Jônatas discrepava deste sentimento de covardia.

Não aceitava o predomínio do inimigo sobre o povo de Deus e, por isso, havia tomado aquela iniciativa de lutar e vencer os filisteus que se mantinham em pleno centro de Israel numa fortaleza militar.

Jônatas demonstra aqui, desde já, lealdade, a principal lealdade, que é a lealdade com Deus.

– Mas o que é lealdade? Diz o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa que lealdade é “respeito aos princípios e regras que norteiam a honra e a probidade, fidelidade aos compromissos assumidos e caráter do que é inspirado por este respeito ou fidelidade”.

– Como dissemos, Jônatas sabia que a região ocupada pelos filisteus era destinada aos levitas, pela repartição da terra.

Que Deus havia prometido dá-la aos israelitas e, portanto, não se podia permitir que estrangeiros a ocupassem, e com forças militares, em total inobservância à vontade de Deus. Jônatas atacou para que se respeitasse o que havia sido estabelecido, o que havia sido determinado por Deus.

Os israelitas deveriam expulsar todos os estrangeiros que ocupassem terras que o Senhor havia dado a Israel, ainda mais uma região destinada à tribo sacerdotal. Jônatas procurou cumprir o que Deus havia determinado e que Israel havia prometido obedecer.

– Reunidos em Gilgal, Saul passou a esperar Samuel, para que este oferecesse sacrifícios a Deus antes que a batalha começasse, até porque, na guerra anterior contra os filisteus, em que os israelitas tinham vencido os filisteus, décadas antes, assim se tinha feito e Deus tinha dado grande vitória a Israel (I Sm.7:2-14).

– O povo, porém, estava acovardado, não compartilhava da mesma ousadia de Jônatas, e, pouco a pouco, começou a abandonar o arraial e, depois de sete dias, Saul, que também passou a ter medo diante do abandono das pessoas, acabou por ele próprio oferecer sacrifícios, o que fez com que fosse rejeitado por Deus (I Sm.13:8-15).

– Saul contava, então, com apenas seiscentos homens, mas, entre eles, estava seu filho Jônatas (I Sm.13:16), que se mantinha confiante em Deus, não havia abandonado o campo de batalha, nem tido qualquer receio por causa do abandono do povo.

Era um pequeno exército, que não tinha sequer espadas ou lanças (só Jônatas e Saul tinham espadas e lanças), já que somente os filisteus tinham o domínio da metalurgia e não tinham permitido que qualquer israelita encomendasse armas de metal (I Sm.13:19-21).

– Que situação desesperadora! Poucos soldados, poucas armas e um rei que acaba de ser rejeitado por Deus! Nada disso, porém, abalou a confiança de Jônatas.

Acampados que estamos de um lado e os filisteus de outro, sem que ninguém tomasse a iniciativa, Jônatas disse ao seu moço para que fossem até a guarnição dos filisteus, sem porém fala-lo a seu pai.

Jônatas percebera que Saul estava sem iniciativa, receoso, além do que fora da direção de Deus, mas que era preciso prosseguir na obra que se iniciara em Geba, era necessário pôr fim ao domínio dos filisteus sobre a Terra.

– A lealdade é cumprir com os compromissos assumidos e, portanto, Jônatas, como um dos comandantes do exército, na verdade, o subcomandante em chefe, tinha o dever de extirpar os povos que Deus não queria que dominassem sobre a terra que Ele havia dado a Israel.

Eram poucos os soldados? Eram. Eram poucas as armas? Eram, mas o mais importante é que se deve fazer a vontade de Deus!

– Jônatas, com seu moço, para passar à guarnição dos filisteus, tinha de passar por uma região onde havia duas penhas agudas, uma chamada Bozez (“altura”) e, outra, Sené.(“rocha pontiaguda”) (I Sm.14:4,5).

Não é fácil passar por rochas pontiagudas. Eram elas altas e íngrimes, ou seja, de difícil escalada e que se tornam facilmente visíveis pelo inimigo, ou seja, exigem grande esforço para se passar por elas e ainda tornam os seus caminhantes vulneráveis ao inimigo.

Mas nada disso dissuadiu Jônatas de ir ao encontro dos filisteus para contra eles lutar e fazer a vontade de Deus.

– Temos esta mesma dosposição? Embora saibamos as dificuldades que enfrentaremos se quisermos agradar a Deus, estamos dispostos a ir ao encontro delas ou, como Saul estava a fazer, ficamos inertes, parados, sem nada fazer, “esperando a voz do Senhor” (pois Saul estava a esperar uma orientação divina por meio de Urim e Tumim, já que sacerdote Aías estava com ele com o éfode – I Sm.14:4).

– É evidente que sempre devemos agir na orientação e na direção de Deus, mas isto não significa, em absoluto, que devamos ser inertes. Jônatas bem sabia o que Deus queria: que Israel cumprisse com o seu dever de extirpar os estrangeiros da terra dada aos israelitas pelo Senhor.

Não se tinha o que fazer senão partir para a batalha, mas Saul, que fora tão apressado em sacrificar, agora, máxime depois de ter recebido a mensagem de que fora rejeitado, nada fazia, permitindo, assim, a continuidade do predomínio do inimigo na terra de Israel.

Quando sabemos o que Deus quer, quando Ele já o disse em Sua Palavra, não devemos ficar apenas clamando, mas ir ao encontro do problema, ir à luta confiando no Senhor. Porventura, não foi isto que Deus disse a Moisés quando estava o povo encurralado às margens do Mar Vermelho (Ex.14:15)?

– Jônatas passou pelas duas penhas agudas e, então, convidou o moço a irem até a guarnição dos filisteus, a quem chamou de “incircuncisos”, para que lutassem contra eles, pois, e aqui vemos a grande confiança de Jônatas: “para com o Senhor nenhum impedimento há de livrar com muitos ou com poucos” (I Sm.14:6).

– Jônatas, então, pediu um sinal para Deus e o compartilhou com o seu pajem de armas.

Se, quando forem vistos pelos filisteus, eles mandassem que Jônatas e seu pajem ficassem onde estivessem, eles não atacariam, mas se os “chamassem para a briga”, então eles iriam ao encontro deles, certos de que o Senhor lhes entregaria em suas mãos (I Sm.14:8-10).

Vemos, portanto, que a atitude de Jônatas não era um atrevimento sem sentido, motivado por um sentimento egoísta, mas algo que era motivado pelo zelo à Palavra de Deus, pelo temor ao Senhor.

– Os filisteus, ao virem Jônatas, mandaram que eles viessem ao seu encontro e Jônatas, então, encheu-se ainda mais de confiança, vendo a confirmação do Senhor naquele propósito, e atacou os filisteus, matando vinte homens.

Diante desta matança, houve tremor no arraial, porque Deus trouxe um tremor de terra naquele lugar, o que causou pânico entre os filisteus, que começaram a fugir (I Sm.14:11-15).

– Como dizia o saudoso pastor Severino Pedro da Silva, “quando nós começamos, Deus começa conosco”.

Jônatas começou a lutar contra os filisteus, matou vinte homens, juntamente com seu pajem de armas, e, então, Deus “terminou o serviço”, mandando um terremoto que fez com que os filisteus se acovardassem e começassem a fugir. Quem é fiel ao Senhor, Deus é fiel com ele.

Quem é infiel, Deus permanece fiel, pois não pode negar-Se a Si mesmo (II Tm.2:13).

– O alvoroço foi tão intenso que despertou os israelitas que estavam do lado contrário da região. Saul logo percebeu que havia luta e mandou que se verificasse quem havia saído do acampamento e, então, se descobriu que nem Jônatas nem seu pajem de armas ali estavam.

Saul, então, quis consultar a Deus pelo Urim e Tumim, mas o alvoroço era tanto que Saul e todo o povo resolveram ir para a guarnição dos filisteus e a confusão era tamanha que mesmo israelitas que estavam acompanhando os filisteus nesta batalha acabaram por “mudar de lado” e passaram a lutar contra os filisteus e os israelitas passaram a ter vantagem na batalha (I Sm.14:18-23).

– A atitude de Jônatas retirou a inércia e paralisia do exército de Israel. A ousadia e coragem dele, motivada por sua fidelidade a Deus, fez com que Israel não só finalmente fosse para o campo de batalha, como também proporcionou que israelitas que haviam se aliado aos filisteus deixassem esta atitude e reconhecessem o reinado de Saul e resolvessem defender o seu povo.

– De igual modo, quando nos dispomos a confiar a Deus e a fazer a Sua vontade, trazemos ânimo aos nossos irmãos, estimulamo-los a servir ao Senhor e, inclusive, motivamos muitos a deixarem o pecado e a retornarem para a casa do Pai.

– Saul, entretanto, como estava fora da direção divina, não perdeu a oportunidade de “atrapalhar”.

Não queria ir para a batalha; mesmo diante do alvoroço, ainda quis consultar a Deus antes de entrar na luta e acabou “atropelado” pelas circunstâncias, mas não deixou de dar uma ordem absurda para o seu exército:

seria maldito todo aquele que comesse pão até à tarde. O povo foi para a batalha sem qualquer alimentação e não poderia se alimentar (I Sm.14:24). O resultado é que estavam exaustos depois da luta, fisicamente esgotados.

– Entretanto, no meio da batalha, o povo chegou a um bosque e havia mel na superfície do campo e Jônatas, ao chegar a este local, estendeu a ponta da vara que tinha na mão e a molhou no favo de mel e, tornando a mão à boca, seus olhos se aclararam (I Sm.14:27), sendo, então, repreendido por um do povo que, então, disse a Jônatas o que Saul havia dito e, portanto, estava Jônatas debaixo da maldição de seu pai, embora não tivesse ele ouvido e não soubera da ordem, de modo que não poderia ser acusado de deliberada desobediência (I Sm.14:25-28).

– Jônatas, ao saber desta ordem, não teve “papas na língua”. Considerou a ordem absurda, pois, caso o povo tivesse se alimentado, teriam podido ter uma vitória esmagadora sobre os filisteus, o que não ocorrera precisamente por causa do esgotamento físico.

Foi uma vitória desnecessariamente sofrida, em que o povo desfaleceu em extremo (I Sm.14:30,31).

– O povo, faminto, ao tomar o despojo dos filisteus, acabou por não se controlar e começaram a comer carne com sangue, o que representava grave violação da lei de Moisés (Lv.17:14) (e não apenas da lei de Moisés mas da própria ordem dada por Deus a todos os povos através de Noé – Gn.9:4).

 Diante disso, Saul mandou que o povo mandou revolver uma grande pedra para que ali o povo degolasse os animais, para que o sangue pudesse ser derramado e o povo não pecasse (I Sm.14:33,34).

– Naquele lugar, Saul edificou um altar ao Senhor, tendo sido o primeiro altar que edificou, apesar de ter mais de dois anos de reinado sobre Israel (I Sm.14:35). Foi mais um efeito benéfico da iniciativa tomada por Jônatas. Quando somos fiéis ao Senhor, nós fazemos até Saul edificar altar! Pensemos nisto!

– Vemos como Jônatas tinha razão ao criticar a ordem de seu pai. A determinação de Saul trouxera três consequências:

fraqueza do povo, menor destruição do inimigo e o pecado em comer sangue. Que consequência serviu para o bem do povo? Nenhuma delas!

É sempre isto que ocorre quando nos pautamos por “doutrinas de homens”, por “preceitos de homens”, que não têm base bíblica e que são meros caprichos de alguém, máxime de quem está fora da direção divina, como era o caso de Saul.

– Quando criamos “regras” ou “acréscimos” à Palavra de Deus, o resultado é somente este: o povo acaba transgredindo a Palavra de Deus.

Jônatas era um homem fiel a Deus, um homem leal a Deus e, por conseguinte, jamais pactuava com aquilo que está “além do que está excrito”. Temos agido assim?

– Saul, então, resolveu “correr atrás do prejuízo”. Sabedor de que não tinha causado grande estrago aos filisteus, resolveu retomar a batalha para fazê-lo, mas, então, resolveu antes consultar a Deus, mas o Senhor não respondeu por meio de Urim e Tumim.

Saul, então, interpretou este silêncio divino como sendo a indicação de que havia pecado no meio do povo e, diante disto, resolveu lançar sorte para saber quem era o transgressor.

Pôs-se de um lado, com seu filho Jônatas, e o povo, de outro. Deus, então, mostrou que o povo era inocente. Então foram lançadas sortes entre Saule Jônatas, e a sorte caiu sobre Jônatas.

– Jônatas, então, confessou ter comido o mel mesmo diante da proibição de Saul e o rei, então, resolveu matar Jônatas, o que o povo não permitiu que se fizesse (I Sm.14:36-45).

– Quando lemos esta passagem, é comum ficarmos intrigados. Por que Deus não respondeu e por que Jônatas foi incriminado? Porque Deus é a verdade (Jr.10:10) e nada que é oculto deixará de ser revelado (Mt.10:26; Mc.4:22; Lc.12:2).

– Jônatas não pecou, pois o fez inocentemente, pois o texto sagrado é bem claro em mostrar que ele não sabia da ordem de seu pai (I Sm.14:27), mas um do povo o havia visto provar o mel (I Sm.14:28) e, portanto, esta suposta desobediência seria conhecida do povo, gerando escândalo.

Por isso, Deus quis revelar este fato para todo o povo, até para comprovar que a ordem era absurda e, por causa dela, o povo não tinha tido grande vitória.

Ademais, Deus queria também mostrar que havia se perdido a oportunidade de se destruir os filisteus, precisamente por causa da falta de direção de Saul.

– Saul era o rei de Israel, havia sido posto pelo próprio Deus naquela função e, portanto, deveria ser obedecido.

Esta vitória, aliás, consolidou na sua mão o reino, embora tivesse ele sido rejeitado por Deus. Sua autoridade teria de ser mostrada. Eis os motivos por que Deus não respondeu, porque Jônatas foi descoberto.

– Mas, ao mesmo tempo, o próprio Deus também impediu que Saul matasse Jônatas, pois Jônatas não havia pecado, de modo que se criou uma circunstância em que, embora a autoridade real tenha sido reafirmada, o absurdo da ordem ficou desmascarado, de sorte que o povo não só não permitiu que Jônatas fosse morto como também reconheceu o heroísmo de Jônatas, o que o consolidou como príncipe herdeiro do trono.

Façamos a vontade do Senhor e o Senhor Se encarrega de retirar todos os obstáculos e dificuldades em nossas vidas!

– Demonstrando toda a sua lassidão e leniência, Saul, então, desiste de atacar os filisteus e, com isso, consolida o pequeno estrago feito a eles, desmobilizando o exército.

Logo em seguida, ao ser mandado lutar contra os amalequitas, Saul novamente desobedece a Deus e tem confirmada sua rejeição do reino, o que certamente foi sabido e acompanhado por Jônatas (I Sm.15).

II – JÔNATAS, O AMIGO DE DAVI

– Os anos se passaram. Jônatas, príncipe herdeiro do trono de Israel, mas que, como servo do Senhor, sabia da rejeição de seu pai e que Deus haveria de preparar outro rei para a nação.

– Em novo embate com os filisteus, despontara um jovem como o novo “campeão” dos israelitas, Davi, que derrotara o gigante Golias, o “campeão dos filisteus “ e que, então, a partir daí passou a fazer parte da corte do rei Saul, sendo posto como um dos comandantes do exército israelita.

– Com a vitória sobre o gigante, porém, a situação mudava de figura. Davi se destacara e se tornara um verdadeiro “campeão” dos israelitas, de tal maneira que o rei Saul não mais deixou que retornasse para a casa de seu pai, requisitando seus serviços em caráter permanente (I Sm.18:2).

– Assim que Davi foi levado ao rei Saul e determinado que se mantivesse servindo na corte, a Bíblia dá-nos conhecimento de que surgiu uma amizade à primeira vista entre Davi e Jônatas.

– Jônatas, era o herdeiro da coroa de Israel. Como se não bastasse isso, tratava-se de um valoroso guerreiro, que tinha sido o principal responsável pela vitória de Israel sobre os filisteus na primeira guerra que havia ocorrido entre estes povos sob o reinado de Saul, vitória este que fez com que Jônatas se tornasse extremamente popular entre os soldados, a ponto de ter o exército se voltado contra o próprio Saul quando este, por um voto atrevido, condenou seu próprio filho à morte (I Sm.14).

– Assim como ocorrera com o mancebo que havia anunciado a Saul a respeito de Davi quando o rei estava a procurar alguém que o pudesse livrar do mau espírito que o afligia (I Sm.16:18), Jônatas, também, que a Bíblia indica ter sido um homem fiel e temente a Deus, viu em Davi, logo no primeiro instante, um jovem que era valente, animoso, homem de guerra, sisudo de palavras, de gentil presença e com quem estava o Senhor (I Sm.16:18).

– Vemos, mais uma vez, agora através das impressões de Jônatas, que a visão espiritual é reservada única e exclusivamente para aqueles que temem a Deus, para os Seus servos.

Assim como o jovem mancebo, Jônatas pôde ver em Davi muito mais que um “campeão”, mas alguém com quem Deus era, alguém escolhido pelo Senhor. Seus olhos eram espirituais, sua mente era espiritual.

– Da mesma maneira, nós, que servimos a Deus e que temos o Espírito Santo, temos de ter a mente de Cristo (I Co.2:16), tudo discernindo espiritualmente (I Co.2:13-15).

Nos dias difíceis em que vivemos, onde até mesmo os escolhidos correm risco de ser enganados (Mt.24:24), torna-se indispensável que tenhamos sempre a iluminação provinda da luz do evangelho de Cristo (II Co.4:4).

A falta de comunhão com Deus, a prática do pecado e a carnalidade têm cegado a muitos, entretanto, que não conseguem ter a visão que Jônatas teve em relação a Davi.

– O resultado desta visão espiritual que Jônatas teve em relação a Davi fez surgir entre eles um profundo amor (I Sm.18:1). Este amor entre Davi e Jônatas é uma das mais eloquentes demonstrações bíblicas da sublimidade do amor de Deus sobre todo e qualquer outro sentimento humano a que denominamos de “amor”.

Jônatas tinha todos os motivos para odiar Davi e querer seu mal: o surgimento daquele jovem, que se tornara o “campeão” da segunda guerra entre filisteus e israelitas, que seria extremamente popular não só entre os soldados, mas também entre as mulheres, que viria a se tornar o genro do rei, punha na corte um concorrente direto para o trono de Israel.

Se tinha alguém que deveria se levantar contra Davi na corte seria Jônatas, diretamente ameaçado de se tornar, como tudo indicava, o segundo rei de Israel.

– No entanto, ao longo da história, veremos em Jônatas alguém que sempre esteve disposto a defender Davi, inclusive sabendo que Deus o havia escolhido para suceder seu pai no trono.

Por incrível que possa parecer, será Saul quem perseguirá Davi e não, Jônatas, que, inclusive, se voltará contra Saul na sua defesa de Davi, algo que o rei jamais compreenderá (cf. I Sm.20:30,31).

– Jônatas tinha um amor completamente desinteressado com Davi, e foi correspondido neste sentimento, pois Davi, já no trono, beneficiará Mefibosete, precisamente por ser este filho de Jônatas (II Sm.9:1).

É este um verdadeiro tipo do amor de Deus que todos os filhos de Deus devem ter, visto que foi ele derramado em nossos corações pelo Espírito Santo (Rm.5:5), o amor que levou Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo até a cruz do Calvário, para morrer em nosso lugar, quando nós ainda éramos pecadores (Rm.5:8), o amor que é tão esplendidamente descrito por Paulo em I Co.13.

– Este sentimento que fez o Senhor nascer entre Jônatas e Davi era mais uma providência divina para que se pudesse prosseguir o plano divino não só para Davi mas para a humanidade, uma vez que a escolha de Davi para reinar sobre Israel não estava apenas relacionada com a aliança estabelecida no Sinai entre Deus e Israel, mas com a própria salvação na pessoa de Jesus Cristo, que quis o Senhor fosse descendente de Davi, que tinha de dar início a uma dinastia para que o Cristo fosse, também, Rei de Israel e não somente Rei de Israel mas Rei dos reis e Senhor dos senhores.

– Por isso, constitui-se em uma inominável blasfêmia o que o adversário de nossas almas tem suscitado, inclusive no meio de alguns sedizentes “evangélicos”, qual seja, a de identificar no amor entre Davi e Jônatas um exemplo bíblico de homossexualidade masculina.

Para espanto nosso, não são poucos os que, na atualidade, procuram ensinar que a homossexualidade não é abominável aos olhos do Senhor, buscando em Davi e Jônatas o exemplo de um amor homossexual que teria sido agradável aos olhos de Deus.

– Esta blasfêmia, defendida por estes homens perversos e malignos, muitos travestidos de pregadores e ensinadores da Palavra de Deus (o que não é de se admirar, já que o próprio Satanás se traveste de anjo de luz – II Co.11:13-15), não tem qualquer consistência. Senão vejamos.

– Por primeiro, tanto Jônatas quanto Davi são apresentados, na Bíblia Sagrada, como pessoas heterossexuais. Jônatas foi casado e teve um filho, Mefibosete (II Sm.4:4; I Cr.8:34), enquanto que Davi teve muitas mulheres e concubinas (II Sm.3:2-5; 5:13).

Diante disto, não podemos considerar Davi e Jônatas como homossexuais masculinos. Quando muito, teriam sido “bissexuais”, ou seja, pessoas que, ao longo de sua vida, teriam tido relações sexuais tanto com homens como mulheres.

– Esta circunstância, aliás, destrói outro argumento destes blasfemos, qual seja, o de que a constatação de que Davi e Jônatas eram homossexuais masculinos adviria do que está em II Sm.1:26, quando Davi chora a morte de Jônatas e diz que o amor que tinha para com o filho de Saul era maior que “o amor das mulheres”.

Ora, nesta expressão de Davi se encontra a prova cabal de que o amor existente entre Jônatas e Davi não era um amor carnal, um amor sexual, mas, sim, um amor de outra natureza, um amor muito mais sublime e que independia do contato físico, tanto que superou até mesmo a morte de Jônatas no gesto de Davi para beneficiar Mefibosete.

Um amor bem diferente do que Amnom, filho de Davi, mostrou por sua meia-irmã Tamar, este, sim, um amor carnal, e, por ser carnal, passageiro e que não resistiu ao primeiro relacionamento íntimo (II Sm.13:1-22).

– Dirá alguém, diante destas evidências bíblicas, que Jônatas pode ter se voltado para as mulheres depois de sua separação de Davi, tanto que Mefibosete tinha apenas cinco anos quando Jônatas morreu (como se soubéssemos o tempo entre a unção de Davi e a morte de Saul…) o mesmo ocorrendo com Davi.

Se admitirmos este argumento, por primeiro, estaremos negando a tese do movimento homossexual de que a homossexualidade é uma “orientação sexual”, uma imposição da natureza.

Se Davi e Jônatas eram homossexuais, jamais poderiam ter se sentido atraídos por mulheres depois de sua separação, a menos que admitamos que a homossexualidade (como de fato o é) é um ato de vontade, um ato deliberado de rebeldia contra Deus.

Neste sentido, Davi e Jônatas teriam se convertido e deixado o pecado anteriormente cometido, o que, naturalmente, jamais seria aceito pelos defensores do chamado “movimento gay”.

– Por segundo, Davi se casou com Mical, filha de Saul, sua primeira mulher, antes da sua separação de Jônatas, quando ainda vivia na corte real. Só este fato desmorona também esta tese dos blasfemos.

Nem se diga, ainda, que Davi se casou com Mical apenas por interesse e sem qualquer atração sexual, como um arranjo político, até porque há notícia de uma afeição entre ambos (I Sm.18:20).

Além de irmos além do que está escrito para admitirmos tais circunstâncias, estaríamos desconsiderando que Davi se interessou em casar-se com uma mulher já quando lhe chegaram aos ouvidos a proposta de Saul para quem resolvesse lutar contra o gigante e que, já na corte real, esperava o cumprimento desta promessa, prova de que, jovem como era, tinha interesse sim em casar-se para satisfazer seu nítido instinto heterossexual (cf. I Sm.17:26,30; 18:17,20).

– Como se não bastasse, temos que o amor homossexual, como é carnal, depende tanto de contato físico, para que haja sua satisfação, quanto que seja possessivo, como, aliás, vemos, claramente, nas cada vez mais abundantes ocorrências de pedofilia e de abusos sexuais diariamente veiculadas pela mídia.

Ora, o amor entre Davi e Jônatas era completamente desinteressado, a ponto de Jônatas, mesmo sabendo claramente que Davi sucederia seu pai como rei de Israel (lugar que seria, por direito, de Jônatas, o primogênito de Saul), tudo fez para defendê-lo e impedir que Saul lhe tirasse a vida, como também se desenvolveu e se mostrou mesmo após a separação física entre ambos e, até mesmo, depois da morte de Jônatas.

– O texto sagrado é bem claro ao mostrar que o amor existente entre Davi e Jônatas era de ordem espiritual, pois Jônatas ama a Davi como a sua própria alma (I Sm.18:1,3), ou seja, não se trata de qualquer atração física ou de qualquer inclinação carnal, mas de um amor surgido da sua visão espiritual, que viu em Davi um homem segundo o coração de Deus, um escolhido de Deus.

– Por fim, não podemos deixar de observar que a Bíblia diz que Davi tinha o Espírito Santo e que Deus era com ele.

Ora, jamais o Senhor estaria com alguém que cometesse o pecado do homossexualismo, condenado explicitamente por Deus na lei de Moisés (Lv.18:22).

Jamais Israel admitiria uma conduta desta natureza da parte do príncipe herdeiro de Israel e jamais teria poupado a vida dele junto ao rei que já o condenara à morte se apresentasse uma conduta tão abominável.

– Não há como, pois, sequer mencionar-se tamanha distorção das Escrituras, que só se explica pelo fato de que a Bíblia tem de se cumprir e estar predito na Palavra de Deus não só que, nos últimos dias, surgiriam doutrinas de demônios (I Tm.4:1), como também que a homossexualidade, máxima rebeldia contra o Senhor, seria uma das mais funestas características dos últimos dias (Rm.1:27,28; II Ts.2:3,4).

– Jônatas, diante desta visão espiritual que teve, fez uma aliança com Davi, o que será explicitado mais à frente na narrativa, como também se despojou de sua capa que trazia sobre si e a deu a Davi, como também seus vestidos, sua espada, seu arco e seu cinto (I Sm.18:3).

– Neste gesto, Jônatas demonstrou, claramente, que viu em Davi o ungido de Deus.

Como era o herdeiro do trono, ao perceber que Deus era com Davi, de imediato, discerniu que Davi havia sido escolhido pelo Senhor para suceder Saul. Como Jônatas poderia perceber isto? Por dois motivos: por primeiro, porque, como

2º Trim. de 2017: O caráter do cristão: moldado pela Palavra de Deus e provado como ouro herdeiro do trono, certamente tinha conhecimento daquilo que Samuel havia dito a Saul, ou seja, que o rei havia sido rejeitado e que o Senhor já havia escolhido alguém para sucedê-lo (I Sm.13:14; 15:28); por segundo, por ser um homem temente a Deus, certamente sentiu da parte do Senhor que ali estava quem havia sido “o escolhido” de Deus mencionado por Samuel.

– Dirá alguém que Jônatas não tinha o Espírito Santo, pois, naqueles dias, o Espírito era dado sob medida e, desta maneira, não tinha ele como ter o discernimento espiritual por não ser habitação do Espírito, como têm os salvos na atual dispensação.

No entanto, não podemos deixar de observar que, embora estivéssemos no tempo da lei, havia homens e mulheres fiéis ao Senhor e o Senhor jamais os deixaria à mercê de Seus planos e propósitos.

Deus falava por meio dos profetas e aqueles que criam n’Ele certamente criam no que diziam os profetas. Jônatas teve conhecimento do que Samuel disse a Saul e, portanto, ao ver Davi vitorioso como o foi, em nome do Senhor, assim como aquele mancebo, percebeu nitidamente que Deus era com Davi.

– Esta percepção de Jônatas e do mancebo mostra-nos, claramente, que, em todos os tempos, Deus sempre tem um remanescente que Lhe é fiel. Sempre há aqueles que não dobram seus joelhos a Baal e que, a despeito de posição, classe social, riqueza, erudição, estão atentos ao Senhor e à Sua Palavra.

Tanto o mancebo anônimo que deu notícia da existência de Davi a Saul como o príncipe herdeiro Jônatas tiveram condições de ver em Davi a ação divina em prol de Seu povo.

Que sejamos como eles e, numa época em que este discernimento é muito mais amplo que no tempo da lei, possamos desfrutar da imensa bênção de possuirmos a mente de Cristo e sermos homens espirituais (I Co.2:13-16).

– É triste ver, entretanto, que muitos, nos dias em que vivemos, estão como Saul e Abner, incapazes de saber quem era Davi e que se contentaram em saber quem Davi era tão somente do ponto-de-vista biológico e social, como o filho de Jessé (I Sm.17:55-58).

Quantas vezes, somos levados a desconsiderar e a desconhecer vasos abençoados que o Senhor tem levantado no meio do Seu povo, por vermos neles só um jovem pastor e pajem de armas, não um ungido do Senhor.

– O gesto de Jônatas mostra que o amor de Deus é sempre acompanhado tanto de desapego às coisas materiais quanto de atitudes e não apenas de palavras. Jônatas não foi elogiar Davi, como seria natural.

Como príncipe herdeiro, se assim procedesse, já seria uma grande honra àquele jovem pastor.

– Entretanto, Jônatas não se contentou em apenas falar, mas, como era possuído do verdadeiro amor, do amor provindo da parte do Senhor, não ficou apenas em palavras, mas amou por obra e em verdade e, na frente de todo o povo (ou, pelo menos, de forma a que todo povo tomasse conhecimento, pois não o fez secretamente), despojou-se de tudo aquilo que o distinguia diante de todo o povo. Abriu mão de sua capa, de seus vestidos, até de sua espada (arma com a qual tivera retumbante vitória sobre os filisteus e que somente ele e Saul possuíam em Israel — I Sm.13:22; 14:13,14), de seu arco e de seu cinto, dando-os a Davi.

– Assim como Jônatas, um dia fomos ao encontro de Jesus e entendemos, pelos olhos da fé, que Ele é o Cristo, o Ungido de Deus. Será que fizemos como Jônatas? Será que nós O amamos como a nossa própria alma?

Se o fizemos, certamente não tivemos dificuldade em tudo entregar ao Senhor: a capa, os vestidos, a espada, o arco e o cinto. Será que podemos cantar, do fundo da nossa alma e com sinceridade, o hino 295 do Cantor Cristão (hinário batista) “Tudo entregarei”, de autoria de Judson W. Van de Venter (1855-1939), traduzido por George Benjamim Nind (1860-1932) cuja primeira estrofe e refrão dizem:

“Tudo, ó Cristo, a Ti entrego, Tudo sim, por Ti darei! Resoluto, mas submisso, Sempre a Ti eu seguirei! Tudo entregarei! Tudo entregarei! Sim, por Ti, Jesus bendito, Tudo deixarei!”.

III – JÔNATAS, UM HOMEM LEAL ATÉ A MORTE

– Não demorou muito para que Saul passasse a perseguir Davi, pois viu nele aquele que havia sido profetizado por Samuel.

Ao ver que as mulheres, após uma vitória sobre os filisteus, passaram a cantar “Saul feriu os seus milhares porém Davi os seus dez milhares” (I Sm.18:7), Saul passou a temer e a invejar Davi, querendo, então, tirar-lhe a vida para que pudesse impedir que ele ocupasse o trono (I Sm.18:8,9).

– Nesta perseguição, Jônatas sempre tomou o partido de Davi, apesar de ser, humanamente falando, a pessoa que mais se beneficiaria com eventual vitória de Saul, visto que, como disse o próprio Saul a ele: “Porque todos os dias que o filho de Jessé viver sobre a terra nem tu serás firme nem o teu reino…” (I Sm.20:31).

No entanto, Jônatas era leal a Deus e quem é leal a Deus, faz somente o que Deus quer e Jônatas tinha plena ciência de que Deus escolhera Davi para reinar em lugar de Saul.

– Jônatas renuncia a si mesmo em prol de Davi e isto é uma clara demonstração de que era temente ao Senhor e um exemplo que devemos seguir. Enquanto não renunciarmos a nós mesmos, jamais poderemos nos dizer discípulos de Cristo (Lc.14:33).

– Em meio a seus projetos para tirar a vida de Davi, Saul resolveu dar uma ordem a todos os comandantes militares, inclusive a Jônatas, para que matassem Davi.

– Dada a ordem por Saul, certamente em segredo, para os seus principais assessores, para que matassem Davi, Jônatas não teve como deixar de contá-lo a Davi.

Dirá alguém que Jônatas estava a trair o seu próprio pai, que este não seria um comportamento de um servo de Deus, mas é aqui que vemos os limites da obediência a Deus e da obediência aos homens.

O servo de Deus jamais poderia cumprir uma ordem para matar alguém, pois isto contrariava a lei (Ex.20:13; Dt.5:17). Além do mais, Jônatas já tinha compreendido que Deus era com Davi e, portanto, a unção estava tanto sobre Saul quanto sobre Davi, sendo certo que o servo do Senhor recusa afronta ao seu próximo, bem como despreza aquele que o Senhor reprova e honra aqueles que temem ao Senhor (Sl.15:3,4). Aqui não se tinha traição a Saul, mas, pelo contrário, obediência a Deus.

– Jônatas anunciou a Davi a ordem de Saul para matá-lo e sugeriu a ele que se escondesse, enquanto ele, Jônatas, intercederia a seu favor diante do rei.

Assim foi feito, tendo Jônatas defendido Davi diante de Saul, argumentando com o rei que Davi só lhe havia feito benefícios até então, não só ao rei, mas a todo o povo, não havendo causa alguma para que fosse morto.

Saul, compreendendo que Jônatas não se sensibilizara com a “ameaça do trono”, voltou atrás e jurou que Davi não mais seria morto. Davi, então, retornou, “tudo ficando como dantes no quartel de Abrantes” (I Sm.19:4-7).

– Mas Saul não foi demovido da ideia de matar Davi e acabou por querer ele mesmo dar cabo da vida do seu genro, tendo mandado busca-lo em sua casa. Davi fugiu e, então, Jônatas entrou novamente em ação.

– Davi, então, deixa Naiote e vai ao encontro de Jônatas, o seu fiel amigo, a fim de tentar uma forma de aplacar a ira de Saul.

Não sabemos o que Samuel disse a Davi, mas, muito provavelmente, o velho profeta deve ter confirmado a Davi que ele sucederia a Saul no reino e que deveria perseverar em servir ao Senhor que, a Seu tempo, o poria no trono de Israel.

Davi, então, entra em contato com Jônatas, querendo saber qual era a sua culpa, visto que nada havia feito para merecer a morte (I Sm.20:1).

– Jônatas, a princípio, não acreditou que Saul quisesse matar Davi, mas, ante as evidências apresentadas por este, aceitou mediar o conflito aberto entre Davi e Saul, inclusive verificando se, realmente, Saul queria matar Davi.

Assim, combinaram que Jônatas sentiria o coração do rei durante as solenidades da lua nova, ou seja, as cerimônias estabelecidas pela lei pelo início de cada mês (Nm.28:11-15), o chamado “Rosh Chodesh”.

OBS: “…A tradição emprestava ao Rosh Chodesh, assim como ao Sabath, uma grande dose de santidade.

Na era do Primeiro Templo, ele era celebrado com sacrifícios e orações especiais e com a interrupção de todo trabalho. Sabemos que esse feriado era observado já na época do rei Saul, pois que ele é mencionado em I Samuel 20:18-24.…” (AUSUBEL, Nathan. Rosh Chodesh. In: A JUDAICA, v.6, p.731).

– Saul, porém, tinha já arquitetado matar Davi durante esta solenidade, visto que não cria que fosse faltar a uma cerimônia religiosa, sabedor que era da fidelidade de Davi à lei. No entanto, como Davi dissera a Jônatas, este pôde descobrir o que havia no interior do coração do rei.

Após ter ficado calado no primeiro dia, achando que Davi não estava ritualmente puro, no segundo dia, ao perguntar por Davi e ao receber a resposta de Jônatas de que o havia deixado ir a Belém para participar de uma cerimônia familiar (o que era mentira), Saul se enfureceu e exigiu de Jônatas uma posição a favor da morte de Davi, até para assegurar a sucessão do trono para si.

Ao tentar defender Davi, Jônatas quase foi morto por Saul, que lhe atirou a lança, tendo, então, Jônatas compreendido que não havia mais qualquer chance de Davi retornar à corte (I Sm.20:25-34).

– No dia seguinte, como combinado, Jônatas encontrou-se com Davi e ambos choraram muito, pois ali se separaram, embora a amizade entre ambos tenha perdurado para além da vida de Jônatas.

Ambos prometeram ajudar-se mutuamente e cuidar da descendência de cada qual. Aqui, mais uma vez, o texto bíblico mostra que o amor entre Jônatas e Davi era um amor sublime, um amor provindo da parte de Deus, um “amor de alma” (I Sm.20:17), que nada tem a ver com a abominável blasfêmia propaladas nestes nossos dias que procura ver neste episódio um relacionamento homossexual masculino.

– Jônatas mostra como um servo de Deus deve procurar obter a reconciliação entre os inimigos, deve ser um pacificador, alguém que procura aplacar a ira alheia e que luta pela manutenção da vida.

Quantos que cristãos se dizem ser fazem exatamente o contrário? Não nos esqueçamos que Deus abomina o que semeia contendas entre irmãos (Pv.6:16-19).

– Jônatas e Davi se separaram, não havendo sequer registro de que tenham se visto a partir daí. Jônatas jamais acompanhou seu pai Saul em todas as incursões e investidas que o rei fez atrás de Davi para matá-lo.

Como diz T.H. Jones: “…É por causa da sua lealdade a Davi, entretanto, que ele [Jônatas, observação nossa] é principalmente relembrado, tratava-se de uma lealdade dificultada porque entrava em conflito com seu dever filial e sua afeição a Saul, seu pai e soberano…” (op.cit., p.858).

– Jônatas aqui nos ensina que, em nossa lealdade a Deus e ao Filho de Davi, Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, devemos deixar pai e mãe e tudo o mais. Nós temos de, em primeiro lugar, obedecer a Deus, amá-l’O sobre todas as coisas (Mt.10:37; Lc.14:26).

Jônatas bem nos explica que “deixar pai e mãe” não é abandonar o cuidado dos pais, nem deixar de se relacionar com eles, mas jamais compactuar com qualquer atitude deles que contrarie a vontade do Senhor.

Jônatas morreu no campo de batalha ao lado de seu pai, mas jamais permitiu se envolver em toda a cruel e insana perseguição de Saul contra Davi, como também não acompanhou Saul na consulta à feiticeira, mostrando sua fidelidade ao Senhor.

– Somente temos menção de Jônatas na batalha final de Saul, quando ele morre juntamente com o seu pai nas montanhas de Gilboa (I Sm.31:1,2), a nos indicar que, apesar de tudo o que seu pai fez, apesar de ter sido rejeitado pelo Senhor como rei de Israel, Jônatas jamais deixou de exercer as funções de príncipe herdeiro e de comandante do exército de Israel.

– Esta constância até a morte é outra característica de quem é leal, de quem é fiel. Jônatas, como disse Davi ao prantear a sua morte num cântico, que, como todo cântico do Antigo Testamento, é, na verdade, uma profecia, uma mensagem vinda diretamente do Espírito Santo:

“Saul e Jônatas, tão amados e queridos na sua vida, também na sua morte se não separaram; eram mais ligeiros do que as águias, mais fortes que os leões(…) Jônatas nos teus altos foi ferido.

Angustiado estou por ti, meu irmão Jônatas, quão amabilíssimo me eras! Mais maravilhoso me era o teu amor do que o amor das mulheres. Como caíram os valentes e pereceram as armas de guerra!” (II Sm.2:23,25b-27).

– Jônatas, di-lo o Espírito de Deus, era um valente, ou seja, um homem de valor; um homem leal, que morreu ao lado de seu pai a quem prometera servir, desde que no Senhor; um irmão de Davi, a quem ama com amor desinteressado e incondicional, o verdadeiro amor de Deus; alguém que estava mais do que com armas carnais, com armas espirituais que o fizeram triunfar sobre o maligno. Podemos dizer que somos Jônatas em nosso tempo? Pensemos nisto!

– A lealdade de Jônatas não sucumbiu nos montes de Gilboa. Pelo contrário, em virtude de sua lealdade, Davi fez questão de cuidar da sua descendência e, por isso, seu único filho, Mefibosete, apesar de ter ficado coxo dos pés quando da fuga decorrente desta derrota em que Jônatas foi morto (II Sm.4:4), recebeu toda a herança da casa de Saul e passou a compartilhar da mesa real (II Sm.9), tendo sido o único poupado pelo rei quando da necessária vingança aos gibeonitas determinada por Deus (II Sm.21:1-7).

– A lealdade de Jônatas, portanto, permitiu que a sua linhagem permanecesse existindo em Israel, quiçá aguardando a remissão de Israel.

Assim também o Senhor faz com os justos, permite que sua descendência perdure e que alcancem a plenitude do reino de Deus (Hb.2:13; Ap.2:10). Vale a pena sermos leais, amados irmãos!

Ev. Caramuru Afonso Francisco

Fonte: http://www.portalebd.org.br/classes/adultos/225-licao-6-jonatas-um-exemplo-de-lealdade-i

MINHA FONTE: http://ebdinterativa.com.br/licao-no-6-jonatas-um-exemplo-de-lealdade/

 

ENSINANDO PARA TRANSFORMAR O CARÁTER

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ENSINANDO PARA TRANSFORMAR O CARÁTER

Quando alguém se refere a um aluno como “uma peça rara”, de um jeito ou outro, você pode aguardar algo extrordinário. Você antecipa que algumas características marcantes desse aluno afetarão sua classe ou a escola, de alguma forma.
De fato, nosso caráter simboliza um conjunto de qualidades que nos caracterizam e diferenciam. Muito de nosso esforço educacional é dedicado em treinar as criancas para mudar o ponto de referência de si mesmas para a vida e interesse do próximo. A escola cristocêntrica, no entanto, tem seu ponto de referência no reconhecimento, seja por palavras, seja por ação, de que Cristo é a fonte e a reflexão de toda a sabedoria e conhecimento. Por conseguinte, o caráter de Cristo torna-se o modelo para o desenvolvimento do caráter na escola cristã.
Como estamos educando nossos alunos de maneira que reflitam, cada vez mais, as “singulares qualidades” de Cristo? Essa pergunta deve servir de base para todo o nosso ensino e prática. A resposta a essa pergunta deve, portanto, estar manifesta em todas as disciplinas e atividades da nossa escola. Com qual propósito? Com o propósito de que nossos alunos, revestidos do caráter de Cristo, transformem nossa cultura – uma vida de cada vez.
A educação cristã não existe para isolar as crianças de um mundo inconstante e assustador, mas seu propósito principal é equipá-las para buscar e revestir-se do caráter de Deus, para ser sal e luz num mundo decadente e tenebroso. Nossas escolas existem para preparar jovens para o reino do céu e para o mercado de opiniões, com o propósito de cumprir a obra de nosso Pai celestial, colaborando com Ele em Seu grande plano.
Que Deus o capacite e lhe conceda sabedoria nesse ano, ao discipular jovens e crianças que se tornarão verdadeiras “peças raras” de Cristo, e que transformarão o mundo para a glória de Deus.
Ken Smitherman
Presidente da ACSI

FONTE: EnsinoDominical.com

(https://ensinodominical.wordpress.com/2007/06/17/ensinando-para-transformar-o-carater/)

Dinâmica: Semeadura e Colheita + Subsídio Teológico

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Dinâmica: Semeadura e Colheita

Objetivo: Refletir sobre o princípio da semeadura e da colheita.

Material:
01 cesta pequena com sementes variadas.
01 copo descartável pequeno(tipo cafezinho) para cada aluno.

Procedimento:
– Leiam Gl 6.7 “… tudo o que o homem semear, isso também ceifará”.
– Falem: Este é o princípio da semeadura e da colheita. Estudamos sobre o personagem Jacó que enganou e foi enganado. Semeou mentira colheu também o engano.
– Perguntem: Que tipo de sementes estamos semeando? O que estamos colhendo?
– Distribuam 01 copo descartável pequeno(tipo cafezinho) para cada aluno.
– Passem para os alunos a cesta com as sementes e solicitem para que eles retirem no máximo 05 unidades diferentes e coloque-as no copo.
– Depois, orientem para que os alunos falem sobre as ações, representadas pelas sementes, que eles desejam cultivar em suas vidas para que tenha êxito no seu relacionamento com Deus e com o próximo.
– Agora, repitam a leitura de Gl 6. 7.
– Reflitam ainda: Já imaginou a quantidade do que vocês podem receber de volta daquilo que estão plantando?
– Leiam II Co 9.6 “…O que semeia pouco, pouco também ceifará; o que semeia em abundância em abundância também ceifará.”
– Analisem ainda que há sementes que germinam com facilidade, mas há outras que precisam de cuidados especiais para que brotem.
Depois façam uma relação disto com as sementes que estamos cultivando, quais delas necessitam de maiores cuidados e tentativas para produzir frutos.
– Para finalizar, leiam Gl 5.22.

Por Sulamita Macedo.
Fonte: http://atitudedeaprendiz.blogspot.com.br/

SUBSÍDIO TEOLÓGICO – CPAD

A Paz do Senhor, professor! Preparado para o estudo e planejamento de mais uma lição? É importante que você faça um resumo da aula anterior antes de dar início a nova lição. Em seguida faça a seguinte indagação: “Quem foi Jacó?” Ouça os alunos com atenção. Depois, faça um pequeno resumo a respeito da vida de Jacó, enfocando os aspectos negativos e a sua transformação. Para auxiliá-lo, observe o texto abaixo:

Jacó
Em hebraico, o nome ya’agob significa ‘apanhador de calcanhar’, ‘malandro’ ou ‘suplantador’. No sul da Arábia e na Etiópia, a palavra significa ‘que Deus proteja’ e vem do verbo ‘agaba’, ‘guardar’, ‘cuidar’ ou proteger’. A raiz ‘agab’ é uma palavra semita geral que ocorre nos nomes árabes pessoais, em inscrições acádias e aramaicas, assim como nos idiomas saríaco e palmireno. O substantivo que significa ‘calcanhar’ ocorre em hebraico, aramaico, siríado, árabe, ugarítico e acádio. O nome de Jacó era assim um antigo membro da onomástica do Oriente ao invés de um nome unicamente bíblico.

1. O patriarca. Jacó era o filho gêmeo mais novo de Isaque e Rebeca; mais tarde chamado de Israel.

2. A vida na Palestina. O nascimento de Esaú e Jacó está registrado em Gênesis 25.21-28. Isaque casou-se com Rebeca quando tinha quarenta anos de idade. Rebeca, assim como Sara, era estéril. As orações de Isaque por sua esposa foram ouvidas e atendidas. Ela deu à luz a dois meninos gêmeos, que lutaram no útero assim como a posteridade de suas nações fez na vida real. Esaú, o primeiro a nascer, foi assim chamado porque era peludo. O segundo foi chamado de Jacó porque saiu do útero agarrado no calcanhar de seu irmão. Os filhos gêmeos de Rebeca herdaram suas principais características. Esaú herdou sua mente aberta; Jacó, sua astúcia. Esaú tornou-se um hábil caçador, um homem do campo, a quem Isaque amava, porque este seu filho dava carne de caça para comer. Em contraste, Jacó era calado, introspectivo e amado por Rebeca, sua mãe.

3. A promessa. Deus prometeu a Abraão que através de sua semente, Isaque, faria dele uma grande nação. Esta promessa foi renovada em Isaque. A questão era, através de qual semente, Jacó ou Esaú? Esta luta resultou em um conflito doméstico e forçou Jacó a viver sob constante tensão. Gênesis 25.23 declara que pela escolha divina, Jacó seria herdeiro da promessa; mas dois eventos interessantes ocorrem para implementar o propósito divino.

O primeiro é a compra do direito de primogenitura de Esaú. Quando Esaú, o caçador, veio do campo faminto e de mãos vazias, desejou um pouco daquele guisado, um cozido que seu irmão estava preparando. Em condição faminta, Esaú negociou o seu direito de primogenitura. Jacó insistiu em um juramento, considerado irrevogável. Então, através de uma providência sagaz, Jacó adquiriu a reputação de seu nome e ganhou o direito de primogenitura, que a sua ordem de nascimento não lhe dava. A intenção de Deus estava tornando-se realidade com a ajuda de Jacó, embora o Senhor pudesse realizar de uma forma diferente e sem a ajuda deste” (Dicionário Bíblico Wycliffe.7.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, pp. 1005, 1006).

“Israel
O novo nome de Jacó significa as lutas dele com Deus. A palavra que tomamos como ‘luta’ é encontrada somente em outro texto: Oseias 12.45. Alguns sugerem que ela pode indicar ‘perseverar’. Jacó aprendeu a não resistir a Deus, mas lutar com Ele. Quão importante é não somente estar no lado do Senhor, mas perseverar nesse compromisso.
Em que sentido foi o nome ‘Israel’ uma bênção? Ao dar a Jacó um novo nome, Deus revelou a ele algo que ele havia se tornado — e o que continuaria a ser. Com que nome o Senhor pretende abençoar você?” (RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. 9.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p. 42).

Sugestão didática:

Professor, reproduza no quadro as questões abaixo. Peça que os alunos formem grupos. Em grupo eles vão responder as questões. Em seguida peça forme um único grupo e discuta com eles as respostas.

1. Deus escolhe pessoas para que cumpram seus desígnios?
2. Quais os prejuízos causados pelo favoritismo de Isaque e Rebeca?

Telma Bueno
Editora responsável pela Revista Lições Bíblica Adultos

FONTE: CPAD – ESCOLA DOMINICAL – SALA DO PROFESSOR

Jacó – Comentário Bíblico Moody

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Jacó. 27:1 – 36:43.

1) Jacó e Esaú. 27:1-46.1-17. Tendo-se envelhecido Isaque .. . chamou a Esaú. É difícil imaginar todo o sofrimento, agonia e cruel desapontamento envolvidos nesta narrativa pitoresca. O velho patriarca, cego e trôpego, fez planos de transmitir as sagradas bênçãos ao seu filho primogênito. Mas a astuciosa Rebeca, que ouviu as instruções dadas a Esaú, imediatamente resolveu subverter e frustrar seus planos. Jacó, seu filho predileto, já tinha o direito de primogenitura; ela determinou que ele também receberia a bênção oral, dos lábios do representante do Senhor, para que tudo ficasse em ordem com a herança divina. Ela não podia arriscar-se esperando que Deus realizasse Seus planos à Sua maneira. Por isso apelou para a mais desprezível mentira a fim de assegurar-se da bênção para o seu filho mais moço.
18-29. Respondeu Jacó . . . Sou Esaú, teu primogênito. Apoiado por sua mãe, Jacó compareceu diante de seu velho pai com enganos e mentiras. Chegou até a declarar que Jeová o ajudara nos rápidos preparativos. Depois de mentir a seu pai, depositou um beijo falso sobre o rosto do velho homem.
34-40. E, levantando Esaú a voz, chorou (v. 38). A tragédia de Esaú era que ele estava completamente ignorante da santidade da bênção, e só desejava as vantagens que esta lhe proporcionaria. A dor profunda que sentia por Jacó ter-lhe passado a perna da obtenção da primogenitura, Seu amargo desapontamento, seus soluços patéticos e ardente vergonha que logo se transformaram em ódio intenso e desejo de vingança são profundamente comoventes.
41-46. Retira-te para a casa de Labão. Para proteger Jacó da vingança de seu irmão, Rebeca encontrou uma desculpa para mandá-lo embora. Qual desses três – Rebeca, Jacó ou Esaú – era o mais digno de dó? Sua vida familiar foi destruída, e cada um deles teve de agüentar 76 longas horas de separação, desilusão e arrependimento. Rebeca jamais veria seu filho favorito novamente, e Jacó teria de enfrentar a vida sem pai, sem mãe, sem irmão. E o que dizer dos planos divinos para o reino? Como seriam executados em face de tamanho egoísmo, tanta intriga e mentira? O Senhor dos Exércitos não pode ser impedido pela oposição, fracasso ou falta de fé do homem. Ele é capaz de fazer a Sua vontade prevalecer apesar de tudo. Enquanto Isaque se aproximava mais da hora da sua morte, Rebeca lamentava a situação desesperadora que ela provocara e Esaú pensava em vingança, Jacó fez a sua solitária viagem de Berseba para Padã-Arã.

2) Jacó, Labão, Lia e Raquel. 28:1 – 30:43.
28:1-5. Isaque . . . dando-lhe a sua bênção, lhe ordenou… vai a Padã-Arã (vs. 1, 2). Isaque não permitiu que Jacó partisse sem uma bênção. Ele falou em tom de pronunciamento profético, e numa linda linguagem que revela sua percepção espiritual. Jacó devia procurar esposa entre seus parentes em Harã, mas devia se preocupar mais com a sul participação na rica promessa herdada por Abraão. Isaque invocou ‘El Shadday, Deus Todo-poderoso (v. 3), para que este fornecesse riqueza, prosperidade e perspicácia para tomar Jacó capaz de assumir a liderança espiritual. Profetizou que, se o seu filho entregasse seus caminhos ao Senhor, as bênçãos de Deus prometidas a Abraão, seriam dele. Através de Isaque, Deus deu a Jacó uma ordem, um desafio, uma certeza e orientação para a viagem.
6-9. Esaú observou e ouviu; depois foi à casa de Ismael à procura de uma esposa dentro da linhagem familiar, a fim de agradar a seus pais. Evidentemente queda fazer um esforço na direção certa. Mas, sendo basicamente mundano, sua carreira na terra de Edom deixou de ser do tipo que agradasse ao Senhor Jeová.
10-17. Jacó fez a viagem de Berseba até Luz, cerca de doze milhas ao norte de Jerusalém, onde passou a noite. Betel ficava ali perto. De noite recebeu uma honrosa e especial comunicação de Deus, uma visão ou sonho com anjos subindo e descendo uma escada que ia da terra ao céu. Ele tomou conhecimento de que, na realidade, há uma comunicação entre o céu e a terra. Reconheceu que, naquele lugar, Deus estava ao seu lado, prometendo-lhe orientação pela vida afora e um trituro grandioso. Jeová disse, Eis que estou contigo, e te guardarei . . . e te farei voltar a esta terra, porque te não desampararei (v.15). Que mensagem desafiante! Não foi por menos que Jacó exclamou: O Senhor está neste lugar… Quão temível (pavoroso) é este lugar! (vs. 16,17). Ele ficou profundamente emocionado. Talvez pela primeira vez em sua vida tomou consciência da presença de Deus ao seu lado. A voz, as palavras de esperança, a presença real de ‘El Shadday levaram-no a adorar com admiração e submissão.
18-22. Ele chamou o lugar de Betel, Casa de Deus, pois Deus estava ali. Para tornar a experiência inesquecível, levantou ali uma coluna de pedras para indicar que aquele era um local santo, um santuário onde seria sempre possível desfrutar da íntima comunhão com Deus (v. 18). Espiritualmente, ainda tinha um longo caminho a percorrer, mas já fizera progressos neste seu encontro com Deus. Também ofereceu sua vida ao Senhor e o dízimo de tudo o que viesse a possuir. Mas impôs uma condição. Se Deus continuasse ao seu lado, e o guardasse em sua viagem, e o trouxesse de volta novamente, ele cumpriria a sua parte no voto. Era um grande passo que estava dando. A pedra (massebâ) que erigiu seda um lembrete permanente do voto que fizera (v. 22).

29:1-12. Pôs-se Jacó a caminho (v. 1). A expressão idiomática hebraica, levantou os seus pés, fala da reação do jovem diante do estÍmulo divino. Estava a caminho de Padã-Arã, à procura da família de sua mãe perto de Harã. Era difícil fazer tão longa viagem, mas parece que Jacó não tinha outra alternativa. Finalmente se encontrou ao lado de um poço, no meio de rebanhos de ovelhas, com seus pastores aguardando que a grande pedra fosse removida da boca do poço para que suas ovelhas pudessem se dessedentar. Possivelmente foi o mesmo poço onde Eliézer encontrou Rebeca para o jovem Isaque. Embora muitos anos tivessem passado, Labão ainda estava vivo, conforme Jacó ficou sabendo dos pastores, e sua filha Raquel era a guardadora do seu rebanho (v. 6). Quando Raquel se aproximou com o rebanho de Labão, Jacó se aproximou para remover a grande pedra a fim de que as ovelhas pudessem matar a sua sede. Depois beijou sua prima e apresentou-se. Profundamente comovido com tudo o que lhe tinha acontecido e com este seu primeiro encontro com seus parentes, Jacó, erguendo a voz, chorou, enquanto Raquel corria para contar a Labão que seu sobrinho tinha chegado.
13,14. Labão, irmão de Rebeca, neto de Naor, ficou felicíssimo em poder dar as boas-vindas a alguém que era de sua própria família. Já se passara tanto tempo desde que sua irmã partira como noiva de Isaque. Alegremente recebeu o filho de Rebeca no seio de sua família. Talvez ele se lembrasse da generosa demonstração de riqueza feita por Elíézer. Talvez ficasse impressionado pela robustez do jovem, que poderia dar um bom pastor. Quase com certeza ele considerou a possibilidade de um marido para suas filhas. Lia e Raquel, ambas eram moças casadouras. Labão nunca perdia a oportunidade de fazer um bom negócio. O jovem sobrinho vindo das montanhas logo aprenderia a lidar com ele cautelosamente. Na verdade, Jacó aprenderia a superar o principal trapaceiro de todos os “filhos do Oriente”.
15-20. Raquel era excepcionalmente linda e atraente e Jacó já estava impressionado com ela. As Escrituras dizem, Jacó amava Raquel (v. 18). Lia, a irmã mais velha, estava longe de ser bonita. Seus olhos não tinham o brilho, a vivacidade e atração que os homens admiram. Mas Lia ficou tão firmemente evidenciada na história sagrada que gerações sucessivas teriam de levá-la em conta. Seria um dos seus filhos escolhido para tomar lugar na linhagem messiânica. Estes quatro – Labão, Jacó, Lia e Raquel – foram figuras significativas no procedimento divino com Seu povo escolhido.
21-30. Depois de trabalhar arduamente sete anos pela filha mais moça, Jacó foi enganado e induzido a se casar com Lia. Depois das festividades do casamento de Lia, Jacó casou-se com Raquel, sua irmã mais moça, mas teve de trabalhar mais sete anos em pagamento. Assim ele teve duas esposas de igual posição. Seu ardente amor por Raquel tornou o relacionamento com Lia mais ou menos estranho e frustrante. Lia devia sofrer muito sabendo que seu marido não a amava. Contudo tinha esperanças de que um dia o coração de Jacó se voltaria para ela.
31-35. No começo nem Raquel nem Lia deram filhos a Jacó. Naquele tempo, ser estéril era uma situação patética. Contudo, no devido tempo, Jeová veio em socorro de Lia e curou a sua esterilidade, e ela veio a ser mãe. Um após o outro seus filhos vieram, até que já tinha seis filhos. Uma filha, Diná, foi-lhe acrescentada. Com regularidade de partir o coração, Lia apresentava um filho com as palavras: Agora me amará meu marido. Mas nenhuma palavra de reconhecimento ou apreciação partia de Jacó. A palavra traduzida para preterida (seini) indica “menos afeição”, ou “menos devoção”. Não indica ódio positivo.

30:1-13. Raquel também sofria, pois sua esterilidade não se alterava e ela não estava dando filhos a Jacó. O hebraico qeini’, ciúmes, envolve nele o sentimento de alguém que já agüentou o máximo. Inveja, descontentamento, petulância marcavam sua voz, sua linguagem e sua expressão facial. Lia, Raquel e Jacó eram todos infelizes. Seus problemas domésticos e sofrimento tornavam suas palavras e atitudes indignas, desnecessárias e indecorosas. Tentativas humanas de se remediar a situação provaram-se insatisfatórias. O oferecimento de Bila e Zilpa como esposas secundárias para ajudarem a “edificar” a família, só tornou a situação ainda mais dolorosa. Filhos nasciam, mas os corações continuavam em desarmonia e infelizes. Além dos seis filhos e uma filha (ao menos) de Lia, dois filhos nasceram de Bila e dois de Zilpa.
14-24. Raquel tentou usar mandrágoras (dudei’im) para induzir a fertilidade. Essas mandrágoras eram popularmente chamadas de “maçãs do amor”. Ryle diz: “A mandrágora é uma planta tuberosa, como fruto amarelo semelhante à ameixa. Supunha-se que agia como um talismã do amor. Amadurece em maio, o que está de acordo com a menção (v. 14) dos dias da ceifa do trigo” (Cambridge Bible, in loco). Raquel continuou estéril apesar do supersticioso talismã . A situação estava nas mãos do Senhor e Ele não permitiria que tentativas humanas a mudassem. Finalmente, lembrou-se Deus de Raquel, ouviu-a e a fez fecunda. Ela concebeu, deu à luz um filho. . . e lhe chamou José (vs. 22-24). Na hora determinada por Ele, Jeová deu a resposta. Retirou o vexame de Raquel e a encheu de alegria e louvor.
25-30. Disse Jacó a Labão: Permite-me que eu volte . . . à minha terra. Quanto José nasceu, Jacó já terminara de pagar todo o seu débito a Labão, e queria retornar a Canaã. Se tivesse partido nessa ocasião só teria levado consigo sua família; nada possuía. Pediu ao tio que o deixasse voltar para casa. Labão declarou que recebera revelação especial (tenho experimentado) por meio de mágica ou adivinhação dos seus deuses domésticos, que devia manter Jacó por perto a fim de garantir o seu sucesso e prosperidade.
31-36. Ofereceu a Jacó que estipulasse seu salário. Imagine a sua surpresa quando o seu sobrinho lhe fez uma contra-oferta que lhe pareceu esmagadoramente a seu favor. Na Síria as ovelhas são brancas e as cabras são negras, com muito poucas exceções. Jacó ofereceu-lhe para começar o seu acordo imediatamente, aceitando como suas as ovelhas que não fossem brancas e as cabras que não fossem negras, deixando o restante para Labão. Assim, ambos os patrimônios poderiam prosperar. Labão aceitou a oferta imediatamente. Naquele mesmo dia levou para uma distância segura todas as ovelhas e cabras “fora de série” para que Jacó não tivesse com o que começar. Os animais que ele separou entregou a seus filhos. Foi um ardil baixo e covarde Labão acreditava que tornara impossível a vitória de Jacó, porque removera todo o capital de Jacó antes de começar a competição.
37-42. Mas Jacó não se entregava tão facilmente assim. Ele usou de três expedientes para derrotar seu tio. Colocou varas listadas diante das ovelhas nos locais onde bebiam água, para que o colorido das crias ficasse sujeito à influência pré-natal. É fato estabelecido, declara Delitzsch, que se pode garantir crias brancas nas ovelhas colocando muitos objetos brancos junto dos bebedouros (New Commentary on Genesis, in loco). Jacó também separou do rebanho os cordeiros e cabritos listados e salpicados. mas os manteve à vista das ovelhas, para que estas fossem influenciadas. Seu terceiro expediente foi deixar que essas influências predeterminantes agissem sobre as ovelhas mais fortes, para que os seus cordeiros e cabritos fossem mais fortes e mais viris que os outros. Jacó foi bastante astuto para recorrer à influência pré-natal e reprodução seletiva.
43. Como resultado desse esquema, dentro de poucos anos Jacó ficou imensamente rico em ovelhas e cabras. Embora tivesse usado a sua cabeça, ele foi o primeiro a declarar que o Senhor interveio na sua vitória. Jeová tornava possível que o patriarca retornasse a terra prometida com recursos, vindo a ser o príncipe de Deus, que executara à vontade divina.

3) Jacó Retorna a Canaã. 31:1-55.
1-3. O rosto de Labão não lhe era favorável, como anteriormente. Finalmente, o relacionamento entre o tio e sobrinho chegou ao fim. Jacó percebeu que Labão e seus filhos eram-lhe hostis por causa do seu sucesso. Além disso, já possuía riqueza e propriedades suficientes para satisfazê-lo. Assim, quando recebeu ordem do Deus de Betel para se por a caminho, sabia que já era hora de voltar para casa. Vinte anos tinham se passado, durante os quais sua mãe já morrera. Talvez Labão ficasse ainda mais desagradável. Era hora de partir.
4-13. Jacó explicou sua decisão às suas esposas, dizendo-lhes como o Anjo de Deus lhe falara em sonho e o encorajara em seu propósito. O “anjo” se identificou com Aquele que apareceu a Jacó em Betel. Era realmente o próprio Jeová.
14-16. Lia e Raquel apoiaram fortemente a decisão de Jacó. Elas conheciam seu pai e tinham perdido o amor e o respeito por ele. Lembraram-se que recebera quatorze anos de trabalho de Jacó sem lhes dar a parte que uma noiva tinha direito de receber. Não nos considera ele como estrangeiras? disseram. Pois nos vendeu, e consumiu tudo o que nos era devido (v. 15 ).
17-21. Jacó aprontou seus rebanhos, gado, filhos e propriedades para a longa viagem, e aguardou que Labão saísse para o festival da tosquia. Enquanto isso Raquel providenciou que Jacó pudesse reclamar uma boa parte dos direitos hereditários levando consigo os ídolos do lar ou tereipim (cons. latim penates), altamente estimados por Labão. As placas de Nuzu datadas do século quinze A.C. indicam que a posse dos tereipim tornava o proprietário o herdeiro principal. Evidentemente Raquel não aprendera a confiar em Jeová para suprimento de suas necessidades. Jacó fracassou em ensinar a sua família a confiar e adorar a Deus de todo o coração. Dali a pouco Jacó e o seu grupo partiram de Harã, atravessaram o Eufrates e viajaram o mais rapidamente possível na direção de Canaã. Seu destino imediato eram as montanhas de Gileade no lado oriental do Rio Jordão.
22-24. Labão… saiu-lhe no encalço. Depois de três dias Labão ficou sabendo da fuga. Labão logo conseguiu organizar seus homens para a perseguição, já estava a caminho para os alcançar. Embora fosse uma viagem de 480 kms, ele conseguiu alcançar o grupo fugitivo nas montanhas de Gileade. No caminho Labão recebeu uma estranha mensagem de Deus, uma ordem de abster-se de fazer qualquer pressão contra Jacó. Não devia falar bem nem mal, isto é, não devia dizer nada. (Os opostos são freqüentemente usados nas Escrituras para indicar totalidade.)
23-25. Labão não poderia ser detido por visitações divinas. Deu início ao seu protesto, expressando grande desespero ao ver suas filhas e netos arrastados para fora de sua casa sem as devidas despedidas. De repente fez a pergunta: Por que me furtaste os meus deuses? Referia-se aos seus tereipim (v. 30; cons, 19). Evidentemente Labão estava mais preocupado com as imagens do que com a família de Jacó. Uma busca mostrou-se infrutífera e os pequenos “deuses” não foram achados, porque Raquel os escondera na cesta de vime que fazia parte da sela sobre a qual estava assentada. Esta sela de um camelo (v. 34) proporcionava às senhora do Oriente um pouco de conforto e intimidade durante as viagens.
36-55. Sem dúvida Jacó sentiu grande alívio em poder replicar a Labão. A atmosfera clareou-se e Labão abandonou a sua mordacidade. Os dois homens fizeram um acordo, ratificando-o e comemorando o acontecimento com o levantamento de uma coluna de pedras no alto da colina. A coluna constituiu o que foi chamado de Mispa ou “posto de observação”, de onde um observador podia ver toda a terra em ambas as direções. Indicava suspeitas e falta de confiança. Ao levantar essa coluna os homens queriam dizer que estavam convidando Jeová para se assentar ali e observar as duas pessoas nas quais não se podia confiar. Deus tinha de ser uma sentinela para vigiar Labão e Jacó, na esperança de que a luta fosse evitada. Jacó foi obrigado a prometer que trataria as filhas de Labão com bondade e consideração. Nenhuma das duas partes deveria atravessar a fronteira estabelecida para praticar violência contra a outra. Jamais uma deveria prejudicar a outra.

4) O Encontro de Jacó com Esaú. 32:1 – 33:17.
32:1-5. Jacó seguiu o seu caminho, e anjos de Deus lhe saíram a encontrá-lo. Tanto no caminho da saída como no caminho da entrada em Canaã, esses mensageiros celestes vieram ter com Jacó para fazê-lo cônscio da presença celestial e para lhe assegurar da proteção divina. A palavra Maanaim, dois acampamentos, descreve um acampamento interno formado pelo grupo de Jacó e outro externo formado pelos mensageiros de Deus, o externo formando um maravilhoso círculo de proteção à volta dos viajantes. Um lindo quadro de segurança e proteção e serenidade de alma! (cons. II Reis 6:15-17).
6-8. Esaú vinha de Edom, os mensageiros de Jacó o informaram, para se encontrar com o grande grupo de viajantes que vinha de Padã-Arã. Edom era a terra que ficava ao sul do Mar Morto, que geralmente é chamada de Seir, no Monte Seir (v. 3) na Bíblia. No Novo Testamento o povo de Edom é chamado de os idumeus. Jacó estava com o coração cheio de medo, lembrando-se das ameaças de Esaú anos antes e imaginando que o seu irmão estivesse fazendo planos para se vingar dele. Quatrocentos homens sob o comando do selvagem homem de Edom poderiam ser perigosos. Jacó adotou três medidas definidas para garantir a segurança. Primeiro, orou ao Senhor humildemente. Segundo, enviou pródigos presentes a Esaú para despertar sua boa vontade. Terceiro, arrumou sua família, suas propriedades e seus guerreiros da maneira mais vantajosa e preparou-se para lutar caso fosse necessário.
9-12. Na sua oração Jacó fez o Senhor se lembrar de que Ele o convocara a fazer esta viagem para Canaã e lhe prometera proteção e vitória. A oração foi sincera e humilde. uma sincera súplica pedindo segurança, livramento e proteção na emergência que se lhe defrontava. Embora nenhuma palavra de confissão saísse dos lábios do suplicante com referência as injustiças que cometera a Esaú e Isaque, Jacó admitiu humildemente que era completamente indigno do favor de Deus literalmente, sou indigno (v.10). Demonstrou o seu temor de Deus e a sua fé nEle. Estava literalmente lançando-se nos braços do Senhor para obter a vitória e o livramento.
13-21a. O presente, ou minha foi algo muito bem escolhido, consistindo de cerca de 580 animais dentre os seus melhores rebanhos. O minha era um presente que geralmente se oferecia a um superior com a intenção de se obter um favor ou para despertar sua boa vontade. Jacó disse: Eu o aplacarei (v. 20). A palavra é muito significativa no que se refere à expiação. Seu sentido literal é, eu cobrirei. Por meio do presente, Jacó esperava “cobrir” o rosto de Esaú, de modo que ele fizesse vista grossa para a injúria, abandonando sua ira. Suas próximas palavras – porventura me aceitará – são, literalmente, para que ele levante o meu rosto. É uma linguagem simbólica, indicando plena aceitação depois do perdão. Jacó foi excepcionalmente humilde, cortês e conciliatório em suas mensagens para Esaú. Ele chamou Esaú de “meu Senhor” e intitulou-se “seu servo”. Ele não deixaria nenhuma pedra que não fosse revolvida em busca da reconciliação.
21b-23. Na noite antes da chegada de Esaú, Jacó enfrentou o teste decisivo de toda a sua vida. Depois de fazer suas esposas e filhos atravessassem o Jaboque em segurança, ele voltou para a margem setentrional do rio para ficar sozinho na escuridão. O Jaboque era um tributário do Jordão, ao qual se juntava a cerca de meio caminho do Mar da Galiléia e Mar Morto. Hoje se conhece o Jaboque pelo nome de Zerka.
24-32. Lutava com ele um homem, ate ao romper do dia. Na solidão da escura noite. Jacó encontrou-se com um homem que lutou com ele. O hebraico ‘abaq, “dar voltas” ou “lutar”, tem alguma ligação com a palavra Jaboque. Depois de uma longa luta, o visitante desconhecido exigiu que Jacó o soltasse. Jacó recusou-se a fazê-lo até que o estranho o abençoasse. O “homem” pediu a Jacó que declarasse o seu nome, o qual significa suplantador. Então o estranho disse que daquele momento em diante ele teria um novo nome com um novo significado. A palavra Israel pode ser traduzida para aquele que luta com Deus, ou Deus luta, ou aquele que persevera, ou, pode ser associado com a palavra ‘sar, “príncipe”. O “homem” declarou: Lutaste com Deus e prevaleceste. Era uma certeza da vitória no seu relacionamento com Esaú, como também certeza de triunfo ao longo do caminho. Na titânica luta, Jacó percebeu a sua própria fraqueza e a superioridade dAquele que o tocou. No momento em que se submeteu, tornou-se um novo homem, que pôde receber as bênçãos divinas e tomar o seu lugar no plano divino. O novo nome, Israel, dá idéia de realeza, poder e soberania entre os homens. Estava destinado a ser um homem governado por Deus, em vez de um suplantador inescrupuloso. Por meio da derrota alcançara o poder. Todo o resto de sua vida ficaria aleijado; mas sua manqueira seria um lembrete de sua nova realeza. Peniel (ou Penuel) significa face de Deus. O i e o u são simplesmente vogais de ligação entre os substantivos pen e el. É provável que se localize a cerca de 11,2 ou 12,8 kms do Jordão no Vale de Jaboque. Jacó vira a lace de Deus e continuara vivo. Jamais esqueceria essa incrível experiência.

33:1-3. Levantando Jacó os olhos viu que Esaú se aproximava. Finalmente, chegou o momento do encontro. Esaú, com seus quatrocentos homens, já podia ser visto. Com temor e tremor, Jacó encontrou-se com o irmão que se lhe tornara um estranho e prostrou-se diante dele sete vezes. Assim, indicava sua completa subserviência.
4-11. Esaú, de sua parte, revelou um espírito generoso e magnânimo, quase bom demais para ser verdadeiro. Alimentara hostilidade contra Jacó e trouxera quatrocentos homens fortes com ele, como se planejasse executar suas ameaças. Mas ele não fez. Seu coração fora mudado. Deus transformara seu ódio em magnanimidade. Encontrou-se com Jacó cheio de compreensão e perdão. Nos vinte anos que haviam se passado, a mão de Deus que tudo controla operara mudanças nos dois homens. Agora, aquele que tão recentemente fora humilhado diante de Deus encontrou o seu caminho aplainado.
12-17. Os presentes de Jacó e as boas-vindas sinceras e afetuosas de Esaú foram a prova de que os dias futuros trariam novas vitórias para o reino de Deus. Aqueles homens não lutariam, nem se matariam. Embora Jacó não aceitasse a generosa oferta de proteção de Esaú, nem o seu insistente convite a que fosse para o Monte Seir, apreciou grandemente o espírito magnânimo do seu irmão. Esaú provara que era capaz de perdoar e esquecer. Os irmãos separaram-se em paz. Em Sucote (cabana), Jacó, com o seu grupo, encontrou um lar (v. 17). Chegou até a construir ali uma casa. Sucote era uma magnífica região montanhosa no lado oriental do Jordão ao norte de Jaboque.

5) Jacó e Sua Família em Siquém. 33:18 – 34:31.
Não temos provas conclusivas quanto ao tempo que Jacó ficou em Sucote. Pode ter sido muito tempo. Depois de fazer as pazes com Esaú, não precisava mais se apressar. Antes de atravessar o Jordão, provavelmente passou vários anos na região bem aguada ao leste do rio.
33:18-20. Atravessando o no, encontrou-se nas redondezas de Siquém, onde Abraão acampara em sua primeira viagem à terra de Canaã. Siquém ficava aproximadamente 61,6 kms ao norte de Jerusalém, no vale entre o Monte Ebal e o Monte Gerizim. O poço de Jacó ficava ali e Sicar não ficava muito longe. Jacó comprou algumas terras nas vizinhanças de Siquém, e assim estabeleceu-se como proprietário em Canaã. Recebera ordens de retomar à terra de seus pais e ao seu povo, provavelmente significando que devia dirigir-se ao Hebrom. Certamente deveria ter ao menos ido até Betel. Ele aprenderia que o povo de Siquém não seria uma boa influência para a sua família.

34:1-5. Diná, uma filha de Jacó e Lia, fizeram uma visita desastrosa à vizinha cidade de Siquém. A imatura jovenzinha não tinha formação espiritual para apoiá-la na hora da necessidade. Siquém, o jovem filho de Hamor, apaixonou-se desesperadamente por ela e logo a família de Jacó conheceria as trágicas conseqüências do incidente. O hebraico leiqah, tomando-a (v. 2), indica que foi usada força irresistível. A palavra eina, humilhou (desonrou), indica tratamento desonroso. A pobre moça estava arruinada. Imediatamente Siquém falou-lhe ao coração (v. 3), tentando consolar aquela a quem fizera mal. Amava-a e queria se casar com ela.
6-12. A palavra nebeila, desatino, indica um feito vergonhoso, vil, sem sentido, que revela completa insensibilidade de comportamento moral. Para Jacó e seus filhos, o ato de Siquém era um ato de grave imoralidade, um ultraje contra a decência e honra da família. Hamor e Siquém tentaram arranjar um casamento, uma vez que Siquém amava a moça. Jacó estava pronto a fazer um acordo com eles. O mohar – presente para a noiva – seria bom. Os dois grupos se uniram de modo que os casamentos entre eles seriam legais.
13-24. Entretanto, os filhos de Jacó eram esquentados, obstinados e inescrupulosos. Com o subterfúgio de exigirem observâncias religiosas, obrigaram os homens de Siquém a se circuncidarem. Todos os homens da tribo submeteram-se ao ritual.
25-29. Então Simeão e Levi atacaram a cidade. Os filhos de Jacó mataram todos os homens enquanto estavam incapacitados de lutar e levaram consigo suas famílias e propriedades. Na história da família do patriarca, este é um sórdido capítulo de paixão, crueldade e desgraça.
30,31. O povo escolhido por Deus comportara-se, em sua terra santa, como um grupo de cruéis pagãos. O pobre e velho Jacó desesperou-se. Fez seus filhos se lembrarem de que agora seria difícil manter relações de boa-vizinhança com os povos à volta. Sua atitude foi indigna de um homem de fé que fora escolhido como representante de Deus diante dos povos da terra. Medo egoísta parecia ser a coisa mais importante em sua cabeça Não repreendeu seus filhos pela crueldade indizível, como também não expressou tristeza por terem desonrado o nome de Deus. Jacó passara vinte anos nas terras de Labão e agora provavelmente mais dez em Sucote e Siquém sem nada fazer que fosse digno de nota para preparar sua família espiritualmente. a fim de enfrentar as tensões da vida. Estivera ocupado demais construindo um império e buscando vantagens materiais, para que lhe sobrasse tempo, a fim de estabelecer os fundamentos éticos e espirituais nas vidas de seus filhos. Ainda não alcançara Betel. Seria tarde demais para Diná, Simeão; Levi e todos os outros? A história pode fazer chorar até um homem forte.

6) A Volta a Betel. 35:1-29.
1. Jeová enunciou uma ordem severa para Jacó prosseguir no seu alvo: Levanta-te, sobe a Betel, e habita ali; faze ali um altar. Betel ficava 310 ms acima de Siquém e estava situada junto à estrada que levava a Jerusalém, Belém e Hebrom. Jacó já se demorara demais em alcançar este santo lugar. Devia agora edificar ali um altar, como Abraão o fizera na sua memorável viagem à Palestina. Jacó edificara um massiba, isto é, uma coluna de pedras, depois de sua inesquecível experiência com Jeová, ao fugir para Harã. Esta volta ao lugar santo envolveria uma entrega total de sua vida ao Senhor. Ele negligenciara o altar de Deus. A ênfase espiritual estivera ausente do seu pensamento e vida.
2-7. Imediata e obedientemente, Jacó aprontou-se para a viagem a Betel. Primeiro, convocou sua família semi-pagã e ordenou que todos se purificassem (v. 2), abandonando todos os tereipim e representações visíveis de deuses estranhos. Então a família de Jacó prosseguiu em sua santa peregrinação a Betel. O povo dos lugares pelos quais eles passaram estavam tão pasmados com o terror de Deus que não molestaram os peregrinos (v. 5). Quando Jacó chegou a Luz, sabia que estava para pisar em terreno santo. Levantou um altar a Jeová e chamou aquele lugar de El-Betel, o Deus da casa de Deus.
9-15. Novamente Deus apareceu a Jacó e assegurou-lhe que seu novo nome, Israel, seria um lembrete constante de seu novo caráter, seu novo relacionamento com Jeová, e sua caminhada real no divino caminho da vida. Ele era o herdeiro das promessas feitas a Abraão. A aliança continuava em pleno vigor, e continuariam a agir sobre ele e seus descendentes. Ao falar com Jacó, Deus usou o Seu nome, Deus Todo-poderoso, ‘El Shadday, “o Todo-suficiente” (v. 11). Jacó podia contar com ‘El Shadday para suprir qualquer necessidade e para lhe dar graça para enfrentar qualquer emergência.
16-20. Agora Raquel, que fornecera a Jacó a inspiração e o amor necessários, chegava ao fim de sua vida. Morreu dando à luz o seu segundo filho, o qual chamou de Benoni, filho da minha tristeza. Mas Jacó escolheu o nome Benjamim, filho da minha destra. Raquel deve ter sido sepultada em algum lugar ao sul de Betel, na estrada que vai para o Hebrom (cons. 35:16, 19). Betel ficava 16kms ao norte de Jerusalém, e Belém ficava cerca de 9,6 kms ao sul de Jerusalém. Conclui-se que Raquel foi sepultada nas imediações de Belém. O lugar tradicional costuma ainda ser apontado para os visitantes da cidade.
27-29. Isaque viveu até a volta de Jacó, de Harã. De Berseba mudou-se para Mamre, pertinho da cidade de Hebrom. Ali Abraão comprou a Caverna de Macpela para o sepultamento de Sara. Agora com 189 anos de idade, expirou Isaque e morreu. A palavra hebraica geiwei significa “decair” ou “enfraquecer-se”. Na hora do sepultamento, Esaú e Jacó estiveram juntos ao lado da sepultura, em homenagem ao seu pai. Os irmãos estavam unidos por uma dor comum, como Ismael e Isaque estiveram junto à sepultura de Abraão.

7) Edom e Seu Povo. 36:1-43.
Antes de contar a vida da história de José, o escritor do Gênesis descreve um pouco a terra de Edom e os seus habitantes. Os habitantes originais do Monte Seir eram chamados horeus ou humanos. Com o correr do tempo, Esaú e seus descendentes tomaram o território, Esaú ficou rico, possuindo muito gado e ovelhas. As principais cidades daquela região foram Sela, Bozra, Petra, Temã e Eziom-geber. Os 91 edomitas continuara hostis aos israelitas através do V.T. (cons. Obadias, especialmente vs. 10-15).

Dinâmica: Promessa de Deus + Subsídio Teológico

Padrão

Dinâmica: Promessa de Deus

Objetivos:
Refletir sobre o cumprimento das promessas divinas na vida de Isaque.
Renovar a esperança e a fé nas promessas de Deus.

Material:
01 folha de papel ofício dividida ao meio por um traço e caneta para cada aluno.

Procedimento:
– Perguntem o que significa a palavra “Promessa”.
Segundo o Dicionário Michaelis é “1. Ato ou efeito de prometer. 2 Declaração pela qual alguém se obriga, pela fidelidade e pela justiça, a fazer ou deixar de fazer alguma coisa”. Há outros significados.
– Falem acerca da importância do cumprimento das promessas a nível terreno. Também reflitam sobre do incômodo causado quando há falhas nas promessas e o estado de felicidade promovido por uma promessa cumprida.
Vocês já passaram por alguma dessas situações?
Vocês ocasionaram ou foram vítima?
– Agora, afirmem: O ser humano é falho, mas Deus não falha em suas promessas.
Leiam Nm 23.19: “Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa; porventura diria ele, e não o faria? Ou falaria, e não o confirmaria?”
– Falem:
Vocês têm esperado por muito tempo por uma ou mais promessas divinas para sua vida?
Vocês encontram-se desencorajados? Sem fé? Sem forças? Calma!
Lembrem-se do que Deus já fez por vocês!
– Entreguem uma folha de papel ofício para cada aluno divida ao meio por um traço.
– Solicitem aos alunos que escrevam do lado esquerdo as promessas que ainda não foram cumpridas.
– Falem: Lembrem-se do que Deus já fez por você! Façam do lado direito da folha, uma lista das situações que Ele cuidou e providenciou socorro para você! Observem o quanto Deus já fez por vocês. Firmem-se em Suas promessas!
– Concluam, lendo:
“O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia…”(2 Pedro 3:9a).
“Os que confiam no SENHOR serão como o monte de Sião, que não se abala, mas permanece para sempre”(Salmo 125:1).

Por Sulamita Macedo.

Fonte: http://atitudedeaprendiz.blogspot.com.br/

Lição 4 Isaque um Caráter Pacífico

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

I – ISAQUE, O FILHO DA PROMESSA
II – UM HOMEM ABENÇOADO POR DEUS
III – LIÇÕES DO CARÁTER DE ISAQUE

Olá! Preparado para mais uma lição? É importante que você faça um resumo da aula anterior antes de dar início a nova lição. Em seguida faça a seguinte indagação: “Quem foi Isaque?” Ouça os alunos com atenção é faça um pequeno resumo a respeito dele, pois o enfoque da lição está no seu caráter. Para auxiliá-lo, observe o texto abaixo:

“Já haviam se passado 24 anos desde que Abraão saíra de Ur dos Caldeus. E, apesar da promessa que o Senhor lhe fizera quanto à posse das terras de Canaã, o patriarca continuava sem herdeiros.
Para Deus nada é impossível. Naquele momento, o Senhor promete ao patriarca que um filho haveria de nascer-lhe do ventre amortecido de Sara. Esta, ao ouvir a boa-nova, ri-se do que Deus disse. Logo ela veria que apesar de seu riso, O Senhor cumpriria sua promessa. Ele sempre nos surpreende em nossas limitações.

I. ISAQUE, O SORRISO TÃO ESPERADO

Da promessa ao nascimento de Isaque, passou-se um ano (Gn 18.10). Para quem já havia esperado tanto tempo, aqueles meses correram rapidamente.

1. O nascimento do riso. No tempo apontado pelo Senhor, eis que Sara dá à luz o seu unigênito. Na tenda do patriarca, ouve-se agora o choro do filho da promessa, através do qual viriam heróis, reis e o próprio Cristo (Mt 1.1,2). Ao embalar o filhinho, Sara comenta: “Quem diria a Abraão que Sara daria de mamar a filhos, porque lhe dei um filho na sua velhice?” (Gn 21.7). Sara não riu quando do anúncio de seu filho? Pois o seu filho foi chamado Isaque, que na língua hebraica significa “riso”.

II. ISAQUE, O BEM MAIS PRECIOSO DE ABRAÃO

Em Moriá, o Senhor não somente provou a fidelidade de Abraão, como também introduziu Isaque na dimensão da fé confessada por seu pai.

1. A provação das provações. Certa noite, o Senhor ordenou a Abraão: “Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi” (Gn 22.2). Na manhã seguinte, ainda de madrugada, o patriarca conduziu o filho amado ao sacrifício supremo. O patriarca, todavia, tinha absoluta certeza de que retornaria do Moriá com o filho, pois aos servos ordenou claramente: “Ficai-vos aqui com o jumento, e eu e o moço iremos até ali; e, havendo adorado, tornaremos a vós” (Gn 22.5; Hb 11.17-19).

2. O encontro de Isaque com Deus. Não há dúvida de que o Senhor queria provar a fé do patriarca. Todavia, era sua intenção também levar o jovem Isaque a um encontro pessoal e fortemente experimental com o Deus de seu pai. A primeira lição que Isaque aprende é que Deus proverá todas as coisas (Gn 22.8). Por isso, sem nenhum temor, deita-se e deixa-se amarrar pelo pai ao altar do holocausto (Gn 22.9). Ele sabe que, no momento certo, o Senhor haverá de intervir, como de fato interveio. Deus tinha planos para Isaque, e mostraria ao jovem que Ele cumpre suas promessas. O Deus de Abraão seria também o Deus de Isaque.

III. O CASAMENTO DE ISAQUE

Se Isaque quisesse, poderia ter se casado com uma das jovens daquela terra. Entretanto, ele sabia que as cananeias eram idólatras e dadas ao pecado. Por isso, resolveu confiar no Deus que tudo provê.

1. Uma esposa para Isaque. Sabendo que Isaque era um homem espiritual e seletivo, Abraão encarregou seu mais antigo servo para buscar uma esposa na Mesopotâmia para seu filho (Gn 24.1-7). Na cidade de Naor, o mordomo orou ao Eterno: “Seja, pois, que a donzela a quem eu disser: abaixa agora o teu cântaro para que eu beba; e ela disser: Bebe, e também darei de beber aos teus camelos, esta seja a quem designaste ao teu servo Isaque” (Gn 24.14). A moça que assim procedesse revelaria as seguintes virtudes: espiritualidade, gentileza, respeito, disposição e amor ao trabalho. Eis que aparece Rebeca, bela e formosa virgem, preenchendo todos esses requisitos.

2. O casamento de Isaque. Tendo consultado sua família e recebido o consentimento desta, Rebeca acompanha Eliezer até chegarem onde Isaque morava. O encontro de Isaque com Rebeca foi singular e romântico. Ele saíra a orar, à tarde, quando avistou a jovem na feliz comitiva. Depois de ouvir o servo do pai, ele a conduz à tenda da mãe e a toma por esposa (Gn 24.67). Assim Isaque foi consolado da perda de sua mãe, Sara.

3. Os filhos que não vinham. Rebeca também era estéril. Isaque, todavia, ao invés de arranjar um herdeiro através de um ventre escravo, como haviam feito seus pais, foi buscar a ajuda de Deus. Ele “orou insistentemente ao Senhor por sua mulher” (Gn 25.21). Isaque se casou com Rebeca quando tinha quarenta anos (Gn 25.20), e foi pai aos sessenta anos (Gn 25.26). Pela Palavra de Deus, entendemos que Isaque orou por vinte anos, até ter sua oração respondida. Ele era um homem de oração, e não se deixou abater pelo passar do tempo, pois tinha uma promessa de Deus para sua família. E Deus lhe deu dois filhos: Esaú e Jacó. Por esses relatos, observamos que Isaque estava longe de ser alguém apático e sem iniciativa. Era um homem que, através da fé, estava sempre atuando no terreno das coisas impossíveis. Ele não recuava diante das impossibilidades.

IV. ISAQUE, O BENDITO DO SENHOR

Desde a sua experiência no Moriá, Isaque fez-se ousadíssimo na fé. As bênçãos sobre a sua vida multiplicaram-se de tal forma, que ele já era visto pelos reis de Canaã como um príncipe de Deus.

1. Príncipe de Deus. Embora não fosse rei, Isaque tornou-se tão grande que chegou a incomodar até mesmo o poderoso Abimeleque, rei de Gerar (Gn 26.16). Este, vendo que o patriarca já lhe era superior em bens e força, pediu-lhe uma aliança chamando-o de “bendito do Senhor” (Gn 26.29).

Naquela época, tal título equivalia a ser chamado de príncipe de Deus.

2. Profeta de Deus. O dom profético de Isaque é manifestado na bênção que impetra sobre os gêmeos. Mesmo Jacó havendo-o enganado, fingindo ser Esaú a fim de roubar a primogenitura do irmão, o patriarca não pôde anulá-la, pois suas palavras eram, na verdade, de Deus. Por isso, diante dos rogos de Esaú, foi categórico: “Eis que o tenho posto por senhor sobre ti, e todos os seus irmãos lhe tenho dado por servos; e de trigo e de mosto o tenho fortalecido; que te farei, pois, agora a ti, meu filho?” (Gn 37.27). Naquele momento, Isaque profetizou não acerca de Jacó e Esaú, mas dos povos que estes representavam.

CONCLUSÃO
A história de Isaque não é uma simples biografia. É um relato de fé e de superações no campo pessoal, doméstico e nacional. Do monte Moriá, onde se encontrou pessoal e experimentalmente com Deus, até a sua morte, ele viveu como um príncipe de Deus. Portanto, não se deixe abater pelas provações. Exerça a sua fé no campo das impossibilidades” (ANDRADE, Claudionor de. Lições Bíblicas. Rio de Janeiro: CPAD, 2015).

Sugestão didática:

Professor, reproduza no quadro as questões abaixo. Peça que os alunos formem grupos. Em grupo eles vão responder as questões. Em seguida peça forme um único grupo e discuta com eles as respostas.

1. O que significou o Moriá para Isaque?
2. O que fez Isaque em relação à esterilidade da esposa?
3. Em que sentido Isaque foi profeta?

Telma Bueno
Editora responsável pela Revista Lições Bíblica Adultos

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